quinta-feira, 10 de março de 2016

VIAGEM AO FUNDO DE MIM

Às vezes gostava de ser chuva,
ou sol,
ou vento, ou mar,
sem lágrimas, sem risos, sem dores,
apenas chuva miudinha,
brisa, maresia,
sol morno de primavera,
mar sereno na sua imensa vastidão de azul.

Mas não....
vim ao mundo em forma de corpo,
com olhos, pele e inquieto coração.
Por sua causa sinto,
choro, rio, espero, imploro.

Contudo, pensando bem,
no fundo, no fundo, nem quero ser diferente,
porque é no Sentir que me transformo ,
é com o olhar que que me alimento,
é com o coração que que me encontro e reinvento.

Comigo, contigo,
com o belo e o horrível,
com a chama e a maresia,
com a violência e a calmaria,
com a mentira e a ironia,
mas, sempre com o imprevisto da  descoberta em cada dia,
em que posso ser chuva,
em que posso ser sol,
em que posso ser mar,
mas sobretudo em que posso Amar,
e vibrar com cada amanhecer.


© Graça Costa