terça-feira, 31 de março de 2015

A CURVA DO FIM DA TARDE


Esperei por ti na curva da tarde
como por ti esperou a fome do sentir.

Imaginei-te a romper a neblina
lentamente, em slow motion,
saboreando cada passo que te trazia até mim.

Fechei os olhos e centrei-me nos sons,
no restolho que quebrava debaixo dos teus pés.

Mais  perto,
cada vez mais perto.
Não via , mas sentia o teu olhar preso no meu corpo
libertando-o de tudo o que te separava da minha pele.
E a pele sorria…
 o olhar vidrava
o corpo gemia no silencio da estrada.

Por fim senti-te chegar
resposta à suplica muda que te pedia o olhar.

Arrepio de alma na curva da tarde...
Deitei-me no teu colo
e deixei-me voar...


©Graça Costa


NO MEU SONO

Amanhecia,
mas  o sono tinha-se colado na pele como tatuagem.

No rosto um sorriso travesso
como se do sono nascesse serenamente o desejo de te ter.

Um fio de luz atrevido
insinuava-se ondulando no seio nu,
qual flor de luz
pedindo água dos teus lábios.

Dormia
e sorria,
como se no meu sono perfeito
estivesse o sonho perfeito
de uma noite perfeita.

Por isso te digo amor...

Não quero nem posso acordar.

Não posso...
porque sei que dentro desse sorriso,
de horas eternas
moras tu...

©Graça Costa




FICA

Sede,
fonte,
rio,
ponte,
mar,
tormenta,
fúria,
lamento.

O que sou,
nos dias em que o mar dos olhos 
me desaba no peito?

O que me diz este olhar de mão estendida?
O que me diz o coração apertado e a pele em chamas?

Vem..
preciso de colo.

Enlaça-te em mim,
sacia-me a sede,
alimenta-me o Ser

e fica...
meu farol,
minha alma, meu guia,
meu chão.

©Graça Costa


MORE THAN EVER


NÃO ESPERES


NÃO ESPERES

Não esperes pela madrugada para me amares.
Não esperes pelo amanhecer para me contemplares.
Não esperes pelo entardecer para me sorrires.

Não esperes, porque podem não chegar.
Não esperes porque não és dono do tempo
e o destino pode ter planos diferentes dos teus.

Não esperes...

Ama-me o mais que puderes
sempre que puderes,
onde puderes.

Sorri-me. como se não houvesse amanhã
e o sol morasse na minha pele.

Beija-me a pele com a ternura do amanhecer.

Toca-me com a magia das tempestades em alto mar,
fascinantes, furiosas, inconstantes, majestosas.

Mas nunca te esqueças.
Não esperes...
que o amanhã é incerto
e agora tens-me por perto
toda afecto
toda luz
toda tua.

Não esperes...


©Graça Costa


sexta-feira, 27 de março de 2015

PELE


Pele…
Nada como o toque aveludado da pele,
a forma como se arrepia ante a caricia,
como responde ao beijo lento e rastejante,
à língua quente e húmida,
ao gemido ,
ao arfar do desejo incandescente
à súplica do olhar.

Pele…
Tela de paixões inquietas
magia serena em noites calmas
ou feiticeira  dos dias que nascem sem porquê.

Pele, poema
Pele, canção
Pele, sinfonia de Outono em pleno verão.

Pele em espera.
Pele em escuta.
Pele sedenta da agua das tuas mãos.
Pequena gota de orvalho,
alimento da flor da madrugada.


©Graça Costa


BEYOND WORDS

If you say you love
please care.
If you say you care
please hug.
If you hug
do it like you really mean it.

Strong...
until you feel the heartbeat
until you breathe the same air
and your eyes melt with mine.

If you say you love me
please stay
and make smile
or weap

No...
don’t need words...

just you and I
dressed with sunshine and moonlight
whispers and caresses,
inventing a all new world of surrender
where the only language
is way beyond words.


©Graça Costa




HÁ SEMPRE UMA FLOR

Há sempre uma flor entre os escombros.

Sejam eles de vida, 
ou de pedra, 
a beleza e a doçura 
encontram sempre espaço para renascer.

Há sempre um sorriso 
a espreitar na sombra de uma lágrima
esperando o raio de sol perfeito para se mostrar.

Há sempre ses e mas
na estrada da vida
que se insinua no horizonte.

Escolhas,
promessas,
presentes,
mãos estendidas,
olhares travessos,
beijos embrulhados 
em papel de cetim.

Há sempre uma flor entre os escombros.

Papoila rubra... 
como a tua boca
precedendo o beijo,
diamante a lapidar pelo desejo.

Há sempre uma flor....

©Graça Costa


quinta-feira, 26 de março de 2015

DÚVIDA


Bom quando o sorriso se solta dos lábios
e voa directo aos teus olhos.

Bom quando o beijo ganha asas e mesmo ao de leve
consegue arrancar-te,  arrepio d’alma.

Bom quando do toque da pele nasce o rendilhado da paixão,
da brisa, a canção,
do raio de sol, a fusão dos corpos
quentes e suados como monções.

Bela a troca de olhares que todas as línguas entendem.
Belas as palavras sussurradas ao luar,
cúmplices de noites eternas
penetrando a aurora.

Contigo, 
a branda textura do amanhecer
tem brilho de diamante
e o odor de vida acabada de florir.

Contigo sou mar e chama
harmonia e desengano,
flor do campo e arvoredo.

Contigo reclamo a dúvida
e o desafio de te merecer.



©Graça Costa

                                                             watercolor by HelgaMcL


PROFECIA

Profético,
o sopro poderoso da fome
serpenteia-me o corpo envolto na bruma,
lacónico,
esfíngico,
quase prece
quase súplica.

Numa emergência de afectos por saciar,
procuro no teu olhar
a promessa da abundância
neste meu corpo feito terra lavrada.

Profético,
o Inverno de sementeiras
feitas pela tua mão.

Profética,
a linguagem universal do Amor,
quando arrancada das profundezas do SER.

Esteio do caos
perante o esplendor da vida
que começa a chegar ao amanhã.

©Graça Costa 





terça-feira, 24 de março de 2015

SURPRISE ME


DENTRO DE MIM

Tem dias em que viajo ao interior de mim
na esperança de encontrar a criança que fui.
Dela guardo …
tantas memorias,
algumas saudades,
pequenos  afectos,
sonhos que nunca foram pele.

Guardo também cicatrizes,
Lágrimas , sons e coragens,
Cheiros, poemas, imagens…
quase tatuagens gravadas na pele,
que ao toque recorda
a criança que fui,
a mulher que sou.

E se tivesse seguida outras estradas?
Se o acaso,
o destino
um brilho de olhar,
um sorriso,
uma qualquer pedra no caminho,
me fizesse mudar o  curso desta história
tecida a pincel
martelo e cinzel?

Com o barro dos dias
fui construindo a canção
o embalo dos dias,
a janela do coração.

E assim me tornei
maré viva,
turbilhão,
peróla,
gema,
madrugada,
solidão,
beijo,
carícia,
paixão…

Uns dias serena…
Outros dias…
Não…………


©Graça Costa

                                                 Innocence of a child, by Sandra Kuck


SENTE-ME

Percorre-me as ruas do corpo como se fosse a tua cidade.
Descobre os pormenores do lamento.
Embarca no destino que negas,
mas não podes evitar.

Sente-me…
Envolve-te no calor da pele
nos gemidos que  noite cala
mas a maresia consente
e ousa sorrir ao desconhecido
que te chama.

Ouve-me por entre o silêncio e o grito
aprende comigo o sentir sem palavras.

Inventemos uma língua nova,
serena e fluída como o brilho do olhar,
após o amor partilhado
na mudança da maré.

©Graça Costa 





segunda-feira, 23 de março de 2015

AS FAR

As far as I wake up
with the touch of your skin...
let it rain.

As far as your lips paint my body
with colorful spicy kisses
let it rain.

As far as you keep on
whispering at my ears
soft delights
and tender songs
let it rain.

As long as I'll keep on being your surrender
your dawn, sunset or rainbow,
the world can burst,
the rain may keep on falling on our naked bodies
cos I bet…
flowers will grow
straight from our skin.


©Graça Costa


TALVEZ


O aroma da terra trouxe-me à retina os dias da descoberta de ti.

Inspiro lentamente, revivendo cada segundo
e volto a sentir a cumplicidade da pele
contagiada pelo aroma das memorias...

Doce o arrepio.

Terna, a imagem distante da terra molhada,
prenúncio de vida por desbravar.

Sinto-me um pássaro
saboreando o silêncio do chilreio que nasce dentro de mim.

Melodia em fase de criação...
talvez seja isto o Amor...
talvez seja isto,
o Viver...

©Graça Costa




domingo, 22 de março de 2015

ABRAÇO

Doces, os sulcos marcados na pele trigueira;
Rugas de esperança,
plantadas pelos caminhos da dor
cansaço e maresia.

Lá longe,
no horizonte da memória
o brilho ténue de um sorriso travesso
agarrado ao  verde cristalino de um olhar perdido em sonhos de criança.

Nesse rosto quase esquecido
revisito o caminho que me levou a ti.
Na beleza sinuosa dessas rugas
volto a percorrer os sons da descoberta,
os cheiros a salva e maresia
guardados no peito
como tesouros silvestres.

Semicerro os olhos
e deixo-me envolver pelos aromas da vida.

Depois,
na placidez da tarde
enrosco-me no por do sol;
acaricio o rosto com pétalas de luz
e no aconchego do sonho,
deixo-me ir...
em direcção ao teu abraço.


©Graça Costa 


I DREAMT


SE EU PUDESSE

Se eu pudesse ser mar,
inundaria o teu chão com a força das marés.

Se eu pudesse ser lua,
faria um espelho de luz para iluminar o teu ser.

Se eu pudesse ser a chuva,
alimentaria a tua alma com a seiva mais pura.

Se eu pudesse ser fogo,
cobriria o teu corpo com o calor eterno de ternura.

Da fusão dos elementos, renasceria
qual fénix
ou qual miragem de outonos silvestres
onde morte e renascimento
se mesclam

em cada amanhecer.

© Graça Costa


A NUDEZ DAS PALAVRAS

Palavras…
embalagem dos pensamentos
sem perfumes ou laços elaborados.

Assim as prefiro,
no esplendor da sua nudez,
assim me apaixono pela singeleza do encontro das letras
que a par e passo transformo em melodias e afectos.

Assim as ofereço,
para que as possam vestir
de acordo com o sentir da noite,
do dia
ou da madrugada.

Apenas desejo,
que a ternura fale mais alto
e as adornem de sorrisos,
carícias e doces caminhadas
ao encontro das marés.


©Graça Costa


sábado, 21 de março de 2015

THIS RIVER - MY BODY

the banks of this river that is my body
are not enough to house
the unexpected love that invades me.
I hear what my body tells me
and fear takes me account of remembrance,

as if tomorrow
died
before dawn.


©Graça Costa




sexta-feira, 20 de março de 2015

SABOREANDO A VIDA

Saboreio a vida como fruta madura.
fresca, morna ou quente
consoante a vontade, o momento, o desejo, o querer.

Mordo-a com a languidez de um sono leve
silencioso,
sussurrante,
ou com o arrebatamento
de maré viva.

Mergulhando no oceano agridoce do viver,
refaço a magia da entrega.

Como esquiço em cavalete, redesenho o amor
numa alquimia perfeita de sons , aromas e sabores.

Saboreio o amor
como saboreio a vida.
Orvalhado ou solarengo
salgado, doce ou mesclado.
em sucessivas viagens com eternos recomeços.

Neles…
 me perco e encontro,
vestida de outono
despida de mim.

Saboreio a vida
como saboreio o amor…
Fruta madura acabada de colher.
Alimento ou guloseima
partilhada naquela ténue e única dimensão
em que o amor deixa de ser palavra
e passa a ser
magia.


©Graça Costa




DEVANEIO...OU TALVEZ NÃO !

Ao longe
aquele corpo vestido de lágrima,
exibia o enigmático sorriso de madona,
meio riso, meio dor
meio palavra, meio torpor.

Verdadeiramente hipnótica
aquela visão de mulher vestida de lágrima,
qual viúva vestal
na beira da praia.

Não sei se dançava ou se chorava,
se gritava, ou se rezava.
Na verdade, nem sei sequer se existia,
ou era nuvem passando
no horizonte do dia que morria.

Aproximei-me…
A beleza singela da imagem,
colou-se-me no olhar
e invadiu-me os sentidos como calor de fogo por dentro.

Ali fiquei,
qual onda beijando a areia
olhando aquele corpo vestido de lágrima.
E de tanto olhar reconheci aquele estado de alma,
aquele rosto que espreitava pelas brumas da memória.

Vesti a lágrima…
e parti com ela,
levando comigo o enigmático sorriso de madona.

©Graça Costa  




LISTEN CAREFULLY


Listen carefully...
not only the words I say,
but also the silent ones,
the ones I speak with my eyes
my hands,
or my skin.

Listen carefully...
what my body asks from thee,
if your touch
or the fusion of souls,
if a caress,
a kiss
or simply a hug.

Listen carefully...
but if the doubts assault you,
don't you worry my love.

Just look deep in my eyes
and you'll know just what to do.


©Graça Costa




MEMÓRIAS


Trazia estampado no rosto
o sorriso dos dias claros.

Nos olhos o brilho sereno dos tempos
em que um olhar, ainda que subtil, bastava
para  gravar o momento nas paredes da eternidade.

Palavra semi ditas, ou apenas sussurradas,
faziam o coração pular como joaninhas num campo de malmequeres.

Lanche partilhados no lancil dos passeios,
tinham o esplendor de jantares à luz de velas.

Desses tempos,
em que era feliz e não sabia,
tenho armazenadas saudades,
de lugares, gentes e gestos
de aromas, fantasias, afectos.

Desses tempos ,
guardo a memoria do coração descompassado,
o sabor do beijo nunca dado
o olhar travesso do seduzido, sedutor,
o querer e o não querer ,
o desejo e o pavor de o ter.

Memórias,
tesouros guardados na gaveta do sentir,
amoras silvestres salpicadas de chocolate negro
que saboreio…
de quando em vez.

©Graça Costa 




quinta-feira, 19 de março de 2015

TURN THE LIGHTS ON

Turn the lights on, my love.
Let me see you glow,
let me see your wet lips whispering my name,
your marble breast bursting in flames
begging for my touch.

Turn the lights on my love.
Let me witness the miracle
of your angel face blushing,
by the single sight of my hands moving towards you.

Turn the lights on my love.
Let me see our bodies
melting in one another,
and the night witnessing  
while we become ONE.


©Graça Costa




MELODIA DO VENTO

O vento trouxe-me uma melodia de pranto
um medo inquieto de acordar e não te ter.

O vento trouxe-me saudades por inventar,
o desejo de que nunca venham a ser fado
e se desfaçam no caminho da brisa .

O vento, por vezes, tem sarcásticos humores
e brinca com a alma da gente,
fazendo do sofrimento,
jogo de um  xadrez
pintado a pincel,
pelas lágrimas do coração.

O vento trouxe-me uma melodia de pranto
mas eu recusei-me a entoá-la e refugiei-me no luar.

Fingi ser poeta e escrevi outra,
doce como amanhecer açucarado
pelo embalo sereno do teu respirar no meu ombro.

Finalmente …dormi...

©Graça Costa 


quarta-feira, 18 de março de 2015

THE PIANO

I heard the piano
and I began to melt.
Closed my eyes
and felt your piano hands
touching me.
Floating I was...
Did not know if my body turned a piano
a violin or the sunset,
if it became an instrument
or the music itself.
Only know that tears covered my body
like a soft tender mist
and I became the all world 
inside a piano symphony

©Graça Costa


MEDO

Sinto a correr-me nas veias
 o grito do silencio
sufocado nas entranhas da terra.

Pó diamante
Carícia,
loucura
Vento,
Canção,
a beleza do grito do silêncio que calo
causa-me  estranheza,
quase dor ,
comoção.

Com ela espalho magia,
poema, melancolia,
em fim de tarde marcado
pela fome do amor  que promete.

Em noites de aurora boreal.
sinto correr-me nas veias
o grito do silêncio
que pressinto nos teus olhos
e tenho medo.

Medo que eles quebrem,
que soltem as amarras que te prendem a mim
e eu fique só
nesta luta com o vento que galga no horizonte.

Medo que fiquem apenas as memórias…
 do grito do silêncio,
do pó,
das carícias,
da fome,
da magia.

Memórias…
partículas de sonho,
vividas sem ti.


©Graça Costa


DESCOBERTA


Quando no teu corpo me dissolvo
descubro  sabores inesperados.
Menta, canela
Pimenta, chocolate,
Hortenses, rosas carmim.

Neles viajo
vagabunda errante
imersa no êxtase hipnótico que a tua pele me estende.

Não sei se fuja
 ou ouse desafiar os limites desse corpo que conheço
e desconheço,
que me chama e me recusa,
que me engole e me degusta
como fruta fresca em manhã de primavera.

Quando no teu corpo me dissolvo
o medo consome-me o ser.
Tornarei a ser eu ?
Ou para sempre seremos tu e eu?
Fusão de mar e lua
no anoitecer que inventamos
em cada dia que morre no horizonte.


©Graça Costa




DARE I...


Dare I to be sun to caress your face
be teardrop to slip through your skin
be sea to involve you in the tide.

Dare I to be sand
to plant  a smile on your face
smooth as a sunset,
night warmth
for celebration lovers
In the path of life.

Dare I to be salty air
tenderness
fantasy
thief of your hugs
in profuse whirlwind of emotions.

Dare I just BE
And die full of me
deep in your eyes ...


©Graça Costa


IMAGENS IMPROVÁVEIS

Imagem fugaz de um olhar colado no meu corpo,
de  uma boca carnuda como fruta madura,
de mãos entrelaçadas tecendo sonhos de mar.

Imagem fugaz de Outono preso nos cabelos,
do mel e das romãs,
do  frio cortante,
do tapete de orvalho com brilho diamante.

Imagem fugaz de um corpo adormecido na cama do luar,
do doce respirar de quem sonha com anjos pulando entre nuvens,
do subtil sorriso escondido no olhar
de quem contempla a serena beleza da nudez.

Tenho estas imagens,
Estes sonhos,
Estes gestos, sorrisos e aromas
gravadas nas memorias de um tempo que nunca foi…
num tempo por inventar…

Nem sei porque as tenho,
porque as conservo
emolduradas com beijos, carícias e paixões,
pacientes,
atentas,
à espera do tempo dos tempos
em que o amor acontece
de rompante,
sem convite nem licença.

Vem apenas,
fulminante e intenso,
como  luz em olhos de amantes improváveis.

©Graça Costa


                                                           "LOVE" - LEONID AFREMOV...

DILEMAS DO VIVER

Com pedaços de memória
vou construindo este Ser.
Nela encontro momentos de eternidade vividos em segundos
e segundos impregnados com a subtil da dor da eternidade.

Cravados na pele, cicatrizes.
Algumas quase pinturas,
esculturas,
ou rendas de cetim,
delicadamente tatuadas
neste corpo,  livro aberto ao  amanhecer.

Gravados nos olhos,
tons e cores de viagens secretas,
vividas, sonhadas,
bebidas, tragadas…
e na palma das mãos, desejos guardados  ainda por revelar.

Uns parecem aves canoras,
outros,  frágeis borboletas,
temendo largar o colo
e desafiar o destino do lamento.

Não sei se largue, se esconda.
Não sei se ouse, se esqueça.

Dilemas…
Dilemas que quem vive
e sente tudo o que vive.
Dilemas de quem grava na alma tudo o que o coração grita.
Dilemas,
que só quem  ama sente,
quantas vezes…,
sem a palavra tocar.

©Graça Costa 


terça-feira, 17 de março de 2015

THE BODY'S VOICE


DANÇA LENTA


Apetece-me dançar.
Uma dança lenta como o amor em dias de paz.
Uma dança terna como violetas ondulando na maré verde da planície.
Uma dança suave como beijo que emerge das profundezas do ser.
Uma dança quente como o olhar cúmplice dos amantes.

Apetece-me ser tua.
Entregar-me à voragem da fome que queima por dentro,
que humedece os lábios, seca a garganta e incendeia o olhar.

Apetece-me viver,
com a intensidade de quem sabe que o amanhã pode não chegar,
mas com a calma de quem saboreia cada olhar, cada toque, cada beijo
como se de obras de arte se tratassem.

Apetece-me dançar.
Soltar as rédeas da imaginação,
libertar as amarras do sentir
olhar a nudez e sorrir.
Descobri que só nua de mim
me encontro verdadeiramente comigo e me descubro.

Talvez insegura,
talvez amedrontada
talvez ousada,
talvez inquieta, curiosa,
ou até mesmo vaidosa,
mas seguramente mais inteira.

Visceralmente… Eu.

Apetece-me dançar.
E vou…


©Graça Costa


                                                       ANDREW ATROSHENKO (1965)