sexta-feira, 28 de julho de 2017

O MEU AMOR

O meu amor,
tem mãos de silêncio rompendo a aurora.

Traz na pele a brisa do vento
e no olhar a promessa de dias calmos.
O meu amor,
traz a saudade na ponta dos dedos
e a ternura nos lábios de dor.

A mim se oferece como em oração,
despojado de tudo,
fruta madura por colher.
O meu amor,
traz colado na pele
o grito da paixão contida,
e no peito,
a ânsia desesperada da partilha.
O meu amor,
dorme no meu peito.
Bebo-lhe o semblante e parto com ele,
em busca de outras paisagens
em que mesmo nua,
me sinta vestida de paixão e de esperança.
©Graça Costa
tela : Scott Mattlin 1955







quinta-feira, 27 de julho de 2017

DEIXA-ME FICAR

Deixa-me ficar
no exacto momento em que tudo acabou,
no exacto instante em que da explosão dos corpos
a eternidade nos inundou o olhar,
no exacto segundo e que fomos um átomo no firmamento da paixão.

Deixa-me ficar,
pois enquanto acordo, saboreio,
enquanto saboreio, sinto
e enquanto sinto,
volto ao exacto instante em que,
uma simples troca de olhares,
um simples toque de pele
um sereno e subtil arrepio
mudou o meu mundo para sempre.

Deixa-me ficar assim,
que logo me darei de novo
com a urgência de uma primeira vez
bebendo a ternura das tardes longas
em que ficamos ,
entrelaçados, rumo ao amanhecer.

©Graça Costa
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quarta-feira, 26 de julho de 2017

LET

Let your skin be my road to heaven.
Let your lips be my dream to wonderland.
Let your body be the alphabet of love in disguise
of laughter,
of whispers,
of shivers,
of surrender.

My body is your shelter.
My touch the seed of love.
My eyes cross rough frontiers
just to caress your soul.

Take me,
to that place where streets have no name;
to that magic place that changes when we make love.
The sun shines stronger,
the rain is sweeter
and time stops
just to let us dream.

Take me
for I'm longing to your touch.




©Graça Costa


quarta-feira, 19 de julho de 2017

VIDA OU SONHO?

O ondular dos corpos reflectidos na parede, acompanhado pelo marrulhar de gemidos surdos e lamentos longos, conferiam ao entardecer uma atmosfera quase mágica.
Na ombreira do sonho, de olhar preso no nada onde podia escrever quase tudo, ia tecendo o tempo com a delicadeza do efémero e a certeza da eternidade na ponta dos dedos.
Acompanhava o ondular dos corpos reflectidos na parede com aromas de festa e nostalgia e se a palavra por vezes emudecia, era porque o olhar falava muito mais do que devia.
Naquele entardecer que anoitecia, viu o êxtase crescer de mansinho, guiado pelas mãos do prazer sem tempo nem regra; pela inquietação das lágrimas repletas de sorrisos e pelos sorrisos banhados pela maresia da paixão.
Depois dormiu, sem saber se vira ou se sonhara; se sonhara ou se vivera.
Não sabia, nem quis saber porque o sabor a espanto era quente e suave como embalo ... e deixou-se ir.
©Graça Costa


terça-feira, 18 de julho de 2017

AS PALAVRAS

Sinto no eco das palavras ditas
todas as que ficaram por dizer.

As que morreram na garganta
e mesmo as que nem chegaram a sair do coração.

A todas guardo,
como tesouros enfeitados,
de lágrimas e sorrisos,
esperanças saltitantes
e decepções dilacerantes.

Gosto,
gosto das palavras,
da sua promessa de jogo incerto,
tecidas em brocado rosa carmim.

Gosto,
gosto da sinfonia das letras dançando nas pontas dos dedos.

E gosto,
mas gosto mesmo,
da paz que encontro quando abro o peito
e as deixo fluir,
dançando
qual onda em tarde de maré viva.


©Graça Costa
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ALMA

Tem dias em que pergunto às estrelas
qual a cor da Alma,
qual a a textura
o cheiro,
o semblante,
o matiz.

Imagino-a conforme o sabor dos dias
leve ou sombria,
doce ou matizada pelas especiarias do tempo.

No espelho do fim da tarde
contemplo o seu voar,
sinto-a a amarar no peito,
limpo-a das amarguras e dores,
cubro-a com os cristais estrelados da noite,
e embalo-a com carinho de mãe.

Depois, com pinceladas fortes mas serenas
estendo-lhe o sono,
como presente de paz.


©Graça Costa
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quinta-feira, 13 de julho de 2017

TEIMOSAMENTE

Teimosamente,
sonhei um sonho sonhado, mil vezes adiado.
Teimosamente,
sonhei um sonho perdido na imensidão da alma,
que de tão febril se dissolveu na noite.

Teimosamente,
engano a fome,
bebo o vento norte que me sufoca o grito,
inspiro a paixão da vida vivida
e a da ainda por viver.

E continuo,
teimosamente a sonhar
até que as imagens se esfumem,
até que as palavras me sequem na ponta dos dedos,
até que a noite me engula o sentir,
até que...
sei lá até quando.

O tempo é coisa estranha
e eu “estranho-me” nele.
Por isso,
teimosamente persisto,
em sonhar a vida,
em ser eu...

teimosamente EU.

 ©Graça Costa





quarta-feira, 12 de julho de 2017

DESEJO

Ah, como eu gostava de morar na tua pele,
acordar e adormecer nela
para não ter que falar.

Ah, como eu gostava
que o teu riso fosse a minha luz
que o teu grito fosse a minha voz
que o teu sono fosse a aminha paz.

Gostava,
Gostava tanto,
que a vida fosse melodia
que o dia fosse maresia
que o teu beijo fosse harmonia
mesmo se com um toque de nostalgia.

Ah, como eu gostava de morar na tua pele
De sermos sempre dois
Sendo só um
E a cada entrega
renascer
sem dor
sem trégua
sem voz, sem regra.

Apenas nós.
Apenas pele.


©Graça Costa
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QUEM CONSEGUE?


Quem consegue definir-me angústia ?
Aquele pedaço de dor que arde mas não queima,
perfura, mas não rasga,
sufoca mas não mata,
explode, mas não grita.
Quem consegue dizer-me
que forma tem,
qual a sua cor, 
o seu aroma,
as suas feições,
a sua voz?
Se souberem...
digam-me,
para que eu possa
desenhar-lhe o semblante,
de frente e de perfil,
lhe possa ouvir a voz
e fotografar-lhe os passos.
Quem sabe,
talvez assim,
consigamos fechá-la
numa cela dourada
e que deslumbrada com a sua dolorosa beleza,
construa nela o seu berço 
e nos liberte do seu abraço.


© Graça Costa
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terça-feira, 11 de julho de 2017

THE PATH


Doing my path I was
slowly
step by step
sometimes dusty
sometimes like a field of hope.

My wings were free
as free was my soul
and so I kept on going
searching for that cloudy house
on the top of a hill.

Doing my path I was
dreaming of you
t'ill one day
merging the sky
I saw that white house of my dreams.

I knew you were there
the path took me to you
and so I smiled
like the sun
peeking through the clouds.


©Graça Costa


ANTES DE TE VER

Acordo
e sinto-te antes de te ver.

Na penumbra,
o perfil do teu rosto,
o sorriso quase infantil,
o calor da pele
e o teu perfume,
doce e almiscarado
como chocolate quente saboreado à fogueira.

Acordo
e finjo dormir
para prolongar o sonho.

Relembro a maré mansa e luxuriante do beijo,
a fusão da pele,
o crescendo da paixão,
o êxtase,
a exaustão.

Relembro e sorrio
neste quase sono que é quase fome,
neste amanhecer brilhante
em que te sinto,
antes de te ver.


©Graça Costa


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sexta-feira, 7 de julho de 2017

NÃO ESPERES

Não esperes pela madrugada para me amares.
Não esperes pelo amanhecer para me contemplares.
Não esperes pelo entardecer para me sorrires.
Não esperes, porque pode não chegar.
Não esperes, porque não és dono do tempo
e o destino pode ter planos diferentes dos nossos.
Não esperes...
Ama-me o mais que puderes
sempre que puderes,
onde puderes.
Sorri-me como se não houvesse amanhã
e o sol morasse no meu corpo.
Beija-me a pele com a ternura do amanhecer.
Toca-me com a magia das tempestades em alto mar,
fascinantes,
furiosas,
inconstantes,
majestosas.
Mas nunca te esqueças.
Não esperes...
que o amanhã é incerto
e agora tens-me por perto
toda afecto
toda luz
toda tua.
Não esperes...

©Graça Costa
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quarta-feira, 5 de julho de 2017

PEDAÇOS D' ALMA

Olho-me no espelho e vejo o cansaço, a dor, o desalento.
No corpo, as cicatrizes,
os sinais da luta inglória e insane,
em busca de um melhor amanhã que tarda em chegar.

Procuro no olhar, a esperança,
nas mãos estendidas, o recado silencioso,
o resgate de um abraço,
alimento para o dia que começa.
Assim me visto de crepúsculo e chama,
de candura e lama
de ousadia, fome e fantasia.
Oleira de mim,
construo o que as mãos permitem
e a pele aceita
sabendo que a obra visível
e a sonhada, sentida,
raramente são comparáveis.

Aquilo que para uns será sol,
para outros será nevoeiro, vento e maresia.
Vejo-me a cores, a grafitte ou a pastel.
Como me vêm os outros?
Não sei…
Não sei se quero saber.
Sou como sou...
Ainda que ferida, 
guardo a beleza da dor
e o esplendor da dádiva,
ofereço a candura do abraço
e a plenitude do ser.

Assim sou…
Inteira,
porque não sei ser de outro modo.
Assim me dou...
A quem tiver Alma para me sentir.

©Graça Costa



segunda-feira, 3 de julho de 2017

ABRAÇA-ME

ABRAÇA-ME

Abraça-me como se tudo estivesse no principio
e os teus dedos tocassem a minha pele pela primeira vez.

Apura os sentidos e decora-me o cheiro e o sabor.

Lavra-me o corpo de terra orvalhada
e planta-me a chuva no rosto
e as sementes da paixão na pele.

Depois espera...
contempla como o teu olhar se insinua,
perante o banquete de aromas, texturas e sabores
que o meu corpo te oferece.

Sacia-te neste campo de frutos silvestres
neste mar de coral
nesta fonte de água fresca.

Ou então...
abraça-me apenas.

©Graça Costa