sábado, 30 de abril de 2016

VIAGEM

Tem dias em que viajo ao interior de mim
ao encontro da criança que fui.

Com ela revivo,
saudades,
afetos,
memórias…
sonhos que nunca foram pele.

Revejo também cicatrizes,
lágrimas , sons e coragens,
cheiros, poemas, imagens…
trilhos que a vida rasgou…

Podia ter sido diferente,
se o acaso,  
o destino,
um olhar,
um sorriso,
uma qualquer pedra no caminho
tivesse mudado o  curso da história,
da mulher que sou,
da menina que fui.

Com o barro dos dias
vou construindo a canção
o embalo dos dias,
a janela do coração.

Sou assim,
maré viva,
turbilhão,
peróla,
gema,
maresia,
solidão.

Sou tudo e sou nada…
esperança,
luz e madrugada,
flor trepadeira de sonhos,
criança, feliz, amada.


©Graça Costa


SEM AVISO

Quase sem aviso,
o beijo aconteceu.
Como poema cantado,
cresceu lentamente,
maré mansa que vira fogo
pela urgência do desejo.
Perdido na ponta do medo
surgiu assustado,
mas logo se agigantou
explorando os sentidos
com mestria de escultor
e delicadeza de tela pintada a pastel.
Colou-me na pele pigmentos carmim,
sugou-me a alma, o corpo e o sentir,´
tornou-me amante insuspeita
de dias calmos e noites errantes,
Do beijo, nasceu a entrega,
e da entrega a melodia dos corpos em chama,
poema vivo,
salpicado por gotas de mar,
em tons de êxtase .
© Graça Costa
tela : TatyanaIlieva


sexta-feira, 29 de abril de 2016

NOS INTERVALOS DO AMOR

Trazia no rosto a primavera
do amor acabado de fazer,
o sorriso, quente e luzidio
como lábios de amantes após o beijo
e no corpo o cansaço de uma noite sem sono.

Trazia nos braços o
amor pintado a pincel com as cores brilhantes do arco-íris
e a recordação daquele abraço
do qual não queria regressar
tal a intensidade do sentir.

Trazia no corpo a esperança do renascimento,
a subtileza do toque
a magia do beijo,
a loucura da entrega.

Trazia tudo isso
e o mais que não dizia.
Mistérios que a paixão descobre
e a vida esconde,
para saborear a espaços,
nos intervalos do amor.

©Graça Costa

                                                                    Amanda Diaz

AURORA BOREAL

Tem dias em que me sinto aurora boreal,
lambendo o teu corpo
por entre o êxtase, o espanto e a magia.

Nesses dias componho melodias improváveis
que gravo na pele e nos sentidos, como tatuagens.

Fecho os olhos e sinto as nuances coloridas do amanhecer
acariciando o corpo nu,
que em jeito de oferenda te estendo,
como paleta à espera da magia do pintor.

Mais tarde contemplo a obra
e por vezes,
um sorriso travesso
planta-se-me no rosto.



©Graça Costa


quinta-feira, 28 de abril de 2016

IF I COULD

If I could be a star
I would travel a million light years
just to make your heart my home.

If I could be a sea wave
I would dance throughout the oceans
just to kiss your lips in the change of tides.

If I could be music
I would create endless love songs
just to see you smile.

But, as I'm your soulmate
I flourish like a landscape in springtime
and with all the birds and butterflies as witnesses
I will make a perfect dress
to the perfect day
of our next encounter.

My skin...
My shiny eyes
My wet lips,
that's all we need
to make miracles between the stars.


©Graça Costa





CAVALGANDO O DIA

Hoje o dia acordou com o sol na voz,
o esplendor dos aromas primaveris
e a ousadia das promessas por cumprir.

Serviu-me gomos de magia
envoltos em doce de aroma
e despertou-me a fome de ter
a tua pele na minha pele.

Cavalguei o dia e voei com ele
sacudindo o medo de ser abatida em pleno voo
e a amargura das horas que passo sem ti.

Não sei o que fazer a esta urgência de amar
a este doce recordar
sem nome nem idade
mas a que chamo saudade.

A tarde vai caindo
terna e sonolenta como um abraço.

Observo-a com o brilho nos olhos
para iluminar a noite
e o caminho que te traga até mim.

Temos promessas por cumprir…


© Graça Costa










quarta-feira, 27 de abril de 2016

DEVANEIO

Percorre-me o corpo como se fosse mar
e toca-me a alma como se fosses brisa.

Desperta-me os sentidos e torna-me tua.
Bebe-me.
Saboreia-me.

Entranha-me na tua pele
e nessa mescla do tudo e do nada
de excessos e devaneios,
façamos da noite uma melodia de afectos
languida e suave como o amor que termina e recomeça,
como maré
sem cessar.

E quando o cansaço for maior que o desejo
saibamos morrer…
entrelaçados,
exaustos pelo prazer vivido e pelo que há-de vir
quando o brilho do olhar
voltar a incendiar-nos a pele.


©Graça Costa
imagem da web





MANHÃ

Manhã.
Brisa suave vestida de luz
e de momentos com o sabor a beijo.

Devagar,
soletro o aroma de um café fumegante
e o dia acorda comigo
enchendo-me as memórias de aromas distantes.

Ao meu lado
o teu corpo nu
ondula como seara
enchendo o horizonte.

Sorrio,
e neste sorriso
embrulho,
todo o amor que tenho guardado,
dentro de mim.


©Graça Costa
imagem da Net






terça-feira, 26 de abril de 2016

NÃO ME QUEIRAS

Não me queiras sem a minha alma desassossegada,
sem os meus medos e as minhas dúvidas.
Não me queiras sem o mar dos olhos
com as suas marés
ora mansas , ora inóspitas
ora alegres, ora tristes,
intensas ou suaves, como espuma na areia da praia.
Não me queiras sem o brilho no olhar
ao ver um filme,
ler um livro,
escutar uma música
ou simplesmente ao revisitar as memórias
de ontem e de outrora.
Não me querias sem as personagens que visto
quando a vida me corrói por dentro e fantasio a dor.
Não me queiras sem os sonhos que teço por entre as palavras
que me escorrem dos dedos prenhes de ternura e saudade,
daquilo que sou, que fui, ou podia ter sido.
Não me queiras sem as minhas rugas e cicatrizes
porque são elas que me iluminam o Ser
e me fazem sorrir,
quando me encontro com a mulher que sou.
Se me conseguires amar assim,
terá valido a pena
e quando chegar ao fim da estrada,
olharei para trás
e talvez...
talvez possa partir sorrindo.

©Graça Costa


sexta-feira, 22 de abril de 2016

ESCREVO-TE

Escrevo-te
porque as palavras não chegam para o que sinto…
são pequenas e banais
gastas,
supérfluas ,
incoerentes, frugais
e eu preciso delas fortes,
intensas, enormes,
eruptivas,
terapêuticas,
balsâmicas.
Escrevo-te porque as palavras que tenho para ti não têm nome.
Trago-as embaladas no peito,
presas na garganta,
gravadas na pele,
como gotas de suor após a tenaz luta do amor.
Escrevo-te com a alma nas mãos
esperando que me estendas as tuas.
Que me agarres ,
que me envolvas,
que me penetres os sentidos
com a emoção da aurora rompendo o dia.
Escrevo-te,
porque os meus olhos estão mudos
e a boca grita silêncios vários.
Só estas mãos insistem em riscar o papel
na implacável dança de aromas e sons com que construo os dias.
Escrevo-te para que me recordes assim,
despida de tudo,
despida de mim,
barro nas tuas mãos,
mosto por fermentar,
inacabada,
em espera...

©Graça Costa


quinta-feira, 21 de abril de 2016

VONTADE

Existe no silêncio
um luar de nuvens mansas
uma alma secreta de murmúrios vestida
uma doçura tamanha,
que só de o prever já me embalo
do seu sentir.

Só quem conversa com o silêncio
tem alma para sentir o poema,
que antes de o ser já dança na retina,
já penetra a pele com a intensidade de um beijo
e, desperta a fome do amor vivido noutros firmamentos.

Oxalá a noite me doure os sentidos,
me crave na pele a vontade de me dar
e que o canto da minha voz, não seja voz,
mas pele…
sedenta de outra pele.

©Graça Costa
imagem da web


quarta-feira, 20 de abril de 2016

BREEZE


Today I dressed myself of wind,
feathers and light.
I left with the soul on fire
and the heart full of you.

With my fairy eyes
I´ve built a lake
full of eternal flamingos,
bed for my tiredness after loving you.

Today I dressed myself of wind.
Then I calmed down
and now, I'm just
breeze
dancing in your face
caressing your skin.


© Graça Costa


                                                                      Loui Jover

TERNURA

Sussurra-me palavras doces
como cerejas em dia de primavera
e cobre-em o corpo com elas,
até te saciares.

Deixa que o entardecer nos envolva
e a noite nos chame
com o seu canto hipnótico
que só os amantes entendem.

Vibremos então,
ébrios de afectos
e sedentos de mais.

Façamos da noite, dias eternos
e dos dias, noites perfeitas,
em que apenas nós sejamos testemunhas silenciosas,
do tanto que se cria
no ínfimo espaço
em que mãos se tocam,
lábios se bebem
e corpos se derretem,
na imensidão do Universo.

©Graça Costa
imagem da web




terça-feira, 19 de abril de 2016

MAGIA

Um sorriso trespassou-lhe o rosto
ao sentir o sol acariciar-lhe o corpo
como mãos de amante experiente.

Lentamente espreguiçou-se,
sentiu o desejo tomar-lhe conta do corpo e dos sentidos,
rolou sobre si mesma e deixou-se ir
adormecendo com uma imagem de entrega no olhar perdido.

Sentiu o sabor do beijo,
o toque da pele na sua pele,
o cheiro,
a textura ,
o prazer delicado e intenso,
a magia da fusão dos corpos ao luar.

Em segundos deixou de saber
se estava no sono
no sonho ou na vida,
tal a intensidade do sentir.

Não sabia, nem quis saber.

Sabia apenas que sentia
e se sentia, tinha que ser verdade.

Enroscou-se naquele corpo, de sonho ou não
e deixou a magia acontecer.

©Graça Costa

                                                                Alen Kopera

URGÊNCIA


Digam-se, como viver sem sentir?

Digam-me,
porque não sei e não quero,
ser espectro errante sem alma
imagem de gente, mas não Pessoa.

Digam-me,
como conter a urgência de amar,
para que eu a acorrente no peito
e o mar dos olhos não a leve
na enxurrada dos sentidos


©Graça Costa

                                                                   SandraLaGrande


PERFEITO

Insinuante,
o humedecer dos lábios antes do beijo.

Perfeito,
o arrepio da pele antes do toque.

Intensa,
a dor da expectativa,
quase ferida,
quase morte,
quando vida em suspenso.

Consome-me a espera
e liberta-se-me o sonho,
que de tanto me aguardar descansa
na curva do fim da tarde.

O aroma dos teus passos
é melodia de afectos em construção.

Espero-te
como sempre,
fome na pele
ternura no olhar.

Sinto-te antes de te ver
e na efemeridade do momento,
quase construo,
a eternidade de te ter.


©Graça Costa
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segunda-feira, 18 de abril de 2016

O MEU AMOR

O meu amor,
tem mãos de silêncio rompendo a aurora.
Traz na pele a brisa do vento
e no olhar a promessa de dias calmos.

O meu amor,
traz a saudade na ponta dos dedos
e a ternura nos lábios de dor.
a mim se oferece como em oração,
despojado de tudo,
fruta madura por colher.

O meu amor,
traz colado na pele
o grito da paixão contida
e no peito o desespero da partilha.~

O meu amor,
dorme no meu peito.

Bebo-lhe o semblante
e parto com ele com asas no pés,
em busca de outras paisagens
em que mesmo nua,
me sinta vestida
de paixão e de esperança.


©Graça Costa
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GUARDO


Guardo no olhar,
o rasto de luz da tua pele deixado pela minha boca,
o gemido rouco,
o abraço forte.

Guardo no olhar o fogo dos teus olhos em súplica,
a ternura do teu toque,
o rendilhado dos afectos
e o teu sono,
quase infantil depois do amor.

Guardo,
porque as memórias são pedaços de vida
mesclados por sons
e sabores de momentos únicos;

Guardo,
porque guardando,
tatuo na retina
o amor que já foi chama
e hoje é apenas ternura,
mas forte e poderosa
como a alvorada,
rompendo a aurora.


©Graça Costa
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domingo, 17 de abril de 2016

PRIMAVERA NO TEU CORPO

Sinto a magia do dia que desponta ,
pela forma como o teu corpo reage ao toque dos meus dedos.

Brinco nele como num teclado de piano.

Dele sinto brotar harmonia ou furacão,
a simplicidade de um beijo
ou a doce loucura da paixão.

Depois chamo a noite
quase em prece
na esperança do êxtase
que a tua fome promete.

Vem depressa
que o tempo não espera
e a magia da noite,
tem os tons de uma eterna primavera.



©Graça Costa




sábado, 16 de abril de 2016

DESCOBERTA

O aroma da terra trouxe-me à retina os dias da descoberta de ti.

Inspiro lentamente, revivendo cada segundo
e volto a sentir a cumplicidade da pele
contagiada pelo aroma das memorias.

Doce o arrepio.

Terna,
a imagem distante da terra molhada,
prenúncio de vida por desbravar.

Sinto-me um pássaro
saboreando o chilreio que nasce dentro de mim.

Melodia em fase de criação...
talvez seja chamamos,
Viver.


©Graça Costa


sexta-feira, 15 de abril de 2016

SENTE-ME

 Percorre-me as ruas do corpo como se fosse a tua cidade.

Descobre os pormenores do lamento.

Embarca no destino que negas,
mas não podes evitar.

Sente-me…

Envolve-te no calor da pele,
nos gemidos que noite cala
mas a maresia consente
e ousa sorrir ao desconhecido que te chama.

Ouve-me por entre o silêncio e o grito.
Aprende comigo o sentir sem palavras.

Inventemos uma língua nova,
serena e fluída como o brilho do olhar,
após o amor partilhado
na mudança da maré.


©Graça Costa


IN THE DARK


I'm walking in the dark
in the search of you.
The wind whispers me your name
and the flowers have you perfume,
but I'm lonely
and feel my heart shrink
like a raindrop under the sun.

I'm walking in the dark
in the search of you.

Hope you feel my despair.
Hope you feel the need to hold me,
to kiss me
to touch me,
to embrace me.

I hope...
and so I pray to the lord of love
to guide your steps
to my body shore.

I'm waiting...
and my skin is begging
for your touch.


©Graça Costa


AMBIVALÊNCIAS


Tem noites em que sinto um toque no rosto,
quase suplica,
quase dor,
quase beijo,
quase amor.

Nessas noites sou brisa,
calma,
ternura,
alma,
conforto,
que o sono embala
e o amor aconchega.

Noutras noites sou tempestade,
furacão,
estrela cadente,
doce tortura
alma ardente,
fazendo da noite, lume,
e uma fogueira no corpo ausente.

Ambivalências de uma alma errante
num corpo de amante inquieta.


©Graça Costa


                                                             Elena Shastina

quinta-feira, 14 de abril de 2016

BOLINA

Tem dias em que me sinto
como pena que caiu em folha à bolina.

Doce expectativa…

Qual o caminho ?
Por onde me leva a brisa?
Que aventuras me esperam ?
Que perigos?
Que desafios ?

Tem dias assim…
em que acordo em suspenso
perante o dia que desponta.

Sinto o sol na pele
e tremo.
A brisa no rosto
e sorrio.
O apelo dos afectos
e suspiro.
A tortura da tua ausência
e sonho.

Como a pena em folha à bolina
entoo ao vento a prece que me leve até ti.

Então, talvez…
apenas talvez,
consiga saciar a sede que a noite matou
e com a aurora...
renasceu.




©Graça Costa


SE

Se eu pudesse ser mar,
inundaria o teu chão com a força das marés.

Se eu pudesse ser lua,
criaria um espelho de luz só para te iluminar o Ser

Se eu pudesse ser a chuva,
alimentaria a tua pele com a seiva mais pura
e a tua alma com lágrimas de fé e de esperança.

Se eu pudesse ser fogo,
cobriria o teu corpo com o calor eterno de ternura
e a magia serena da entrega.

Da fusão dos elementos renasceria,
qual fénix,
ou qual miragem de outonos silvestres
onde morte e nascimento se mesclam,
reinventando o Amor 
em cada amanhecer.

© Graça Costa
imagem da web




GRITO MUDO

Abraço o silêncio
na esperança de soltar o grito aprisionado no peito.

No rosto,
o martelar lancinante do vento suão,
carregado de memórias,
dores, saudades e glórias.

Abraço o silêncio,
na esperança de soltar o grito aprisionado no peito,
na esperança de lavar a alma com a chuva trazida
por aquele vento profético.

Mas não,
a prece não tem resposta.

O silêncio ensurdece,
mas o grito,
ah, o grito teima em ficar
gravado no peito como tatuagem.

Ouço o crepitar do lume.
Lembra  lamentos da alma ferida
naquele dia em que o grito emudeceu.


©Graça Costa

                                                     Beth-Emily & David Fooks 

quarta-feira, 13 de abril de 2016

AO ENCONTRO DO TEU OLHAR

Numa manhã sem sol
de um dia sem tempo
tropecei no teu olhar
e ali fiquei
naquela quase esperança
quase lamento,
quase encanto.

Naquela manhã sem sol,
quebrei as amarras da dor
suspensas no teu e no meu olhar.

Delas alimentei
a fé num manhã por inventar
em que o destino tenha voz
e nos aponte o caminho

De uma manhã sem sol
fiz luta,
desafio,
milagre.

Com a alma na voz
e a ternura no olhar
toquei-te sem notar.

Beliscou-me o desejo de ficar,
o espanto,
a alegria,
o querer
e deixei-me ir
ao encontro do teu olhar.



©Graça Costa




O OLHAR

Existem olhares hipnóticos
com uma serenidade tão fluída
que parecem envolver-nos o corpo e os sentidos.

Nesses dias,
consigo sentir a leveza das seara
envoltas na brisa das marés
e consigo sentir o pulsar da vida
através da brilho que emana desses olhares.

Nesses dias,
a plenitude do Ser  esmaga-me
mas não sinto dor
e,
um sorriso largo ilumina-me o rosto.

©Graça Costa




O BEIJO - ( no dia do beijo )


Beijo-te no poema,
onde as palavras perfumam as carícias,
onde posso ser espuma ou brisa,
ou espanto ,
ou medo ,
e porque sei que estás aí
para abraçar a minha alma inquieta.

Beijo-te no poema e na carne,
na candura das palavras,
e na pele em brasa,
na loucura dos afectos
e na quietude da tarde.

Beijo-te no poema e nos sentidos,
porque no beijo te encontro
todo entrega,
todo ternura
todo em mim
e no beijo te soletro
a ti,
parte de mim
embrulhado em letras.


©Graça Costa

                                                  
                                                  Willem Haenraets

terça-feira, 12 de abril de 2016

NA NOITE


Tomei a noite nas mãos
e fiz dela a cama fresca
para a nossa pele em chamas.

Desespero de alma
em busca do brilho no olhar
que nasce das entranhas do ser
até se tornar fome por saciar.

Tomei a noite nas mãos
e deixei-me navegar
no teu corpo feito mar,
no teu mel a transbordar.

Do olhar , fiz o poema
e do poema, magia.

Magia de noites eternas
em que te saboreio e devoro,
em que me perco e encontro
no desvario dos sentidos.

Mágica a explosão dos corpos
que iluminam o amanhecer
e as palavras que nascem
do sussurrar do prazer.


©Graça Costa


                                                                    Loui Jover

AQUI ME TENS

Aqui me tens
de cara lavada e alma nua.
Aqui me tens ,
resplandecente de esperanças e memórias,
gritos surdos na garganta
e melodias no olhar.
Aqui me tens,
com o desejo à flor da pele
e uma girândola de afectos
pendurada no peito.

Ama-me como fores capaz.
Liberta-me das noites sem luar.
Polvilha-me o corpo de estrelas cadentes
e quando ela morrerem no horizonte,
que a tua boca seja o guia  da noite,
e o meu corpo
a tua bússola, barco e leme
numa viagem só de ida.

Aqui me tens
neste mar revolto dos dias agrestes
em que sou tranquilidade de tardes de outono,
paredes meias
com a noite que teima em não me ver.

Aqui me tens...
Ama-me se puderes,
ou então deixa-me ficar
na curva do fim da tarde
onde a morte por vezes passa
e costuma ser branda
para os corações sem dono.

©Graça Costa



O BEIJO

Gosto do beijo que não dei...
do beijo imaginado,
desenhado nos contornos da mente.
Sinto-lhe o cheiro e o sabor,
a textura, o calor.
Insinuante, o beijo que não dei.
Mágico,
como tudo o que é sonho
ainda por nascer.

© Graça Costa
O Beijo" (2010), de Vik Muniz


segunda-feira, 11 de abril de 2016

CAVALGANDO O DIA

Hoje o dia acordou com o sol na voz,
o esplendor dos aromas primaveris
e a ousadia das promessas por cumprir.
Serviu-me gomos de magia
envoltos em doce de aroma
e despertou-me a fome de ter
a tua pele na minha pele.
Cavalguei o dia e voei com ele
sacudindo o medo de ser abatida em pleno voo
e a amargura das horas que passo sem ti.
Não sei o que fazer a esta urgência de amar,
a este doce recordar
sem nome nem idade
mas a que chamo saudade.
A tarde vai caindo
terna e sonolenta como um abraço.
Observo-a com o brilho nos olhos
para iluminar a noite
e o caminho que te traga até mim.
Temos promessas por cumprir…


©Graça Costa
imagem da web


GROWING


My love i need to rest,
but rest is an extension of your smile,
a mixture of your lips in my skin and your arms around my neck.

My love I need to sleep
but sleep are nightmares without your shoulder as a soft tender pillow.

My love…
ask for my autumn leaves dress so full of memories.
See how each one of them have a story to tell
and a smell of honey inside each letter.

Let me go …
to those far horizons
where the feelings have no name
and language is the softness of the skin,
the bright shine of the eyes
and the purchase of passion in every breath.

My love…let me go
but please lead the way.
Once we arrive
i will feed you with my autumn leaves dress,
till my nudity explodes in your arms.
Then I’ll be complete
and I can rest.


©Graça Costa
imagem da web


ESCOLHAS

Vem.

Anda comigo beber o por do sol na orla da praia,
sentir a maresia lamber-nos o rosto
e chamar o manto da noite
para nos aquecer os sentidos.

Vem.

Deixa-me ser onda e tu maré
ou talvez concha
com mistério de pérola
brilhando à estrela da tarde.

Vem.

Sente-me.
Ouve-me.
Ou se quiseres...
abraça-me apenas.


©Graça Costa
imagem retirada da web


quinta-feira, 7 de abril de 2016

MEDO


Sinto a correr-me nas veias
o grito do silencio
sufocado nas entranhas da terra.
Pó diamante,
carícia,
loucura,
vento,
canção,
a beleza do grito do silêncio que calo
causa-me estranheza,
quase dor ,
comoção.
Com ela espalho magia,
poema, melancolia,
nas horas marcadas
pela fome do amor que promete.
Em noites de aurora boreal,
sinto correr-me nas veias
o grito do silêncio que pressinto nos teus olhos
e tenho medo.
Medo que eles quebrem,
que soltem as amarras que te prendem a mim
e eu fique só nesta luta com o vento que galga no horizonte.
Medo que fiquem apenas as memórias…
do grito do silêncio,
do pó,
das carícias,
da fome,
da magia.
Memórias…
partículas de sonho,
vividas sem ti.

©Graça Costa
Pauline Adair - tela


INEVITAVEL

Neste meu corpo feito lua
serpenteiam estrelas cadentes sedentas de colo.

Neste meu corpo feito mar
navegam barcaças de afectos
em busca de costa onde aportar.

Neste meu corpo feito chão
te estendo um caminho recheado
de carinho,
paixões e afectos,
sem reservas
sem destinos.

Que nele me encontres
e te encontres,
te deleites
e me deleites,
me cubras de beijos
com tons de outono
e calor de verão.

Depois,
quando finalmente saciarmos
a fome de corpo, alma e pele,
que o sono e o sonho
nos encham o coração de espanto
e vontade de outras descobertas.

Inevitável,
perder-me no teu corpo...

©Graça Costa






NA CURVA DO AMANHECER

Na curva do amanhecer senti-te chegar.
Trazias na pele aromas distantes
e no olhar, marcas de saudade
acumuladas como cansaço.

Contigo vinham também
as memórias dos dias calmos,
em que nos perdíamos das horas
e renascíamos em minutos.

Senti-te chegar
e o mar dos olhos inundou-me o sentir.

No peito, o coração batia forte
e no descompasso da dor
gemia o lamento da noite.

Senti-te chegar na curva do amanhecer
e tu sentiste o beijo a florir-te na pele.

Deste-me a saudade
e eu dei-me a ti
por completo
ali mesmo
na curva do amanhecer.

©Graça Costa
imagem da web



quarta-feira, 6 de abril de 2016

EM BUSCA DE TI

Mergulhei na noite em busca de ti,
do teu olhar meigo,
da tua pele serena e doce,
da tua paixão intensa com sabor a mel e a maresia.

Mergulhei na noite em busca de ti.

Nela encontrei o mar dos teus afectos
e nela me tornei onda para desaguar na tua praia.

E o mar sussurrou o teu nome,
a noite fez-se manto
e  a lua fez-se caminho
para os meus passos incertos
de um amor suculento e maduro
como fruta de verão.

Mergulhei na noite em busca de ti.

E quando senti o teu toque na minha pele,
apenas sorri e deixei-me guiar
pela maresia dos sonhos
onde a magia acontece,
e a paixão ganha luz
através das tuas mãos .


©Graça Costa

ESPERANDO O LUAR


Por entre a maresia da aurora
um atrevido raio de sol  acariciou-lhe o rosto.
Era doce como doce o algodão em dia de feira
e sereno, como brisa em campo de trigo.

Beijou-a com ternura infantil e subtil desejo de amante
mas nem assim conseguiu despertá-la.

Decidiu agigantar-se e como mantinha de lã, cobriu-lhe o corpo nu.

Ouviu-a gemer baixinho e um sorriso ténue aflorar-lhe os lábios.
Sorriu também e numa loucura, talvez insana, atreveu-se de novo.

Deitou-se a seu lado
e soprou-lhe ao ouvido
os desejos do corpo e as angústias da alma.

Olhou aqueles olhos ainda fechados mas já inquietos
e uma lágrima travessa caiu-lhe do rosto.
Lágrima triste,
ou lágrima de esperança;
gota de mel tombada em regaço manso
que de espanto se abriu,
num olhar intenso
de esmeralda por lapidar.

Cruzaram-se então
olhos e corpos
sorrisos e lágrimas
anseios e sonhos.

E nessa mescla de emoções e afectos
vividos ou por decifrar
deitaram fora as palavras
fundiram-se num abraço
e assim ficaram,
esperando o luar.


©Graça Costa
imagem da web



THINKING OF YOU

I think of you
and a warmth
rushes through my body.

I think of you
and the urgency of touch
invades my being.

My soul is on fire
but the burns
are smooth and sweet.

I caress them tenderly
because I sense your arrival,
and so …I smile.


©Graça Costa


DESEJO EM DÓ MAIOR


O dia acordou sinuoso e inquieto.
Pairava no ar um quê de mistério
e o horizonte trazia nos dedos
promessas de ternura em gomos de romã e ramos de violetas.

No ar, uma serenidade etérea
como se aquele dia trouxesse no rosto alvo
a magia de sonhos roubados.

Os olhos abriram-se pelo espanto
da profusão de aromas e sons que vinham de longe,
mas que ao mesmo tempo pareciam sair de dentro de si.

Depressa percebeu que tempo
e corpo se haviam fundido
naquele dia, em que a primavera nascia,
calma e serena por entre a maresia.

Fechou os olhos e sorriu ao sentir o raio de sol que lhe inundava o rosto.
Mordeu os lábios com sabor de romã,
vestiu-se de violetas e esperou.

Ao longe, o gemido dos teus passos
lentos,
ousados,
como o amor reinventado
em cada beijo trocado.
A cada passo …o arrepio.
Em cada arrepio …a magia
do desejo em dó maior
naquela dia que amanhecia.


©Graça Costa


                                                                         Loui Jover

terça-feira, 5 de abril de 2016

PROCURO

Tem dias em que me sinto onda
em dia de maré alta.
Deixo a imaginação partir em viagem,
parar em estações distantes
onde os dias são de maresia e mel
e as noites, diamantes eternos.
Hoje procuro uma dessas estações.
Espero que o sol me aqueça a pele
como mãos de amante
e que eu possa descansar o olhar
perdendo-me no teu.
©Graça Costa


A GUERREIRA


Tinha a alma fustigada
pelas lembranças de uma paixão sem memórias.

Construíra na sua imaginação um mundo com dias e noites,
atmosfera, cheiros , texturas, diálogos,
sorrisos, lágrimas
e algumas canções.

Naquele imaginário insólito
jamais se apercebera do imenso manto de solidão
em que envolvera a sua vida.

Dia a dia, ia trocando as máscaras
com que enfrentava os olhares se se cruzavam com os seus,
vivendo sem viver,
qual espectro de luz de vela
sujeito à emotividade da brisa.

Tinha a alma fustigada por lembranças em marca d’agua,
e sofria…
Precisava sentir a chuva nos cabelos,
o sol no rosto,
reinventar-se
e como página em branco…
recomeçar.

E foi assim, que um dia,
num impulso, tirou a máscara.

Guardou-a no armário,
e com a displicência de um guerreiro em véspera de batalha
acendeu um fósforo,
virou a costas
e ficou, com um sorriso nos lábios,
a ouvir o crepitar das chamas.


©Graça Costa
imagem retirada da web