quinta-feira, 31 de março de 2016

SILÊNCIO

Façam silêncio...

Vejam o poema que nasce
naquela boca carnuda
como morango silvestre em pasto verde.

Vejam a forma como se move,
como insinua o beijo sem o dar,
como inflige dor sem tocar,
como aguça a fome sem falar.

Vejam como as palavras são excessivas,
perante uma gota de suor
descendo pelo peito,
para morrer subtilmente onde a vida começa.

Sintam a magia de uma alma consumida pelo fogo de paixão
libertando-se das amarras
para com ela escrever a melodia de um refrão.

Sintam…
mas façam silêncio
que a obra nasce sem ser pedida,
e o sabor das palavras
é apenas o tempero colorido do silêncio,
com que pintamos as telas da vida.


©Graça Costa


APENAS


A brisa beija-me o corpo
com a suavidade de solista
em orquestra de anjos.

Da melodia,
soltam-se os sons dos sonhos
em manhãs douradas.
E quando o sol desposta bebendo o orvalho,
sinto na vibração da pele,
o arrepio de acordar
envolta no teu abraço.

Lá fora,
o sol de inverno,
frio e cortante,
contrasta com o calor
de um inverno inventado
à medida deste sonho
criado a quatro mãos.

Por momentos,
retenho e perfeição da eternidade
e quero ficar,
só ficar…

Não,
não digas nada.
Abraça-me apenas…


©Graça Costa


ELIXIR


Se a chuva te lamber o rosto,
despe-te de tudo o que é dor
das angustias
dos temores.
dos sonhos adiados que nunca serão cumpridos,
da fúria e do desencanto.

Despe a roupa
e no esplendor da nudez
deixa cair as gotas como pérolas
sente-as escorrer no corpo
e bebe-as como elixir de esperança
num amanhã
ainda por inventar.

 ©Graça Costa


quarta-feira, 30 de março de 2016

DANÇA LENTA


Apetece-me dançar.
Uma dança lenta como o amor em dias de paz.
Uma dança terna como violetas ondulando na maré verde da planície.
Uma dança suave como beijo que emerge das profundezas do ser.
Uma dança quente como o olhar cúmplice dos amantes.

Apetece-me ser tua.
Entregar-me à voragem da fome que queima por dentro,
que humedece os lábios, seca a garganta e incendeia o olhar.

Apetece-me viver,
com a intensidade de quem sabe que o amanhã pode não chegar,
mas com a calma de quem saboreia cada olhar, cada toque, cada beijo
como se de obras de arte se tratassem.

Apetece-me dançar.
Soltar as rédeas da imaginação,
libertar as amarras do sentir
olhar a nudez e sorrir.
Descobri que só nua de mim
me encontro verdadeiramente comigo e me descubro.

Talvez insegura,
talvez amedrontada
talvez ousada,
talvez inquieta, curiosa,
ou até mesmo vaidosa,
mas seguramente mais inteira.

Visceralmente… Eu.

Apetece-me dançar.
E vou…


©Graça Costa




FOME

 Sinto na pele a fome do teu abraço;
o calor das palavras ditas entre o beijo e o outro beijo,
entre o olhar e o sorriso
entre o afecto e a solidão.

Fome de palavras...
das ditas e das por dizer;
das sentidas e das gritadas
das largadas ao vento e das presas nos raios de sol,
das sussurradas e das inventadas,
pérolas displicentes...
esperando o momento.

Gosto desta fome e alimento-a de mais fome...
pois é da dor que nasce o poema,
e do poema nasce a canção
com que te pinto os dias.
Pincel ou grafitte,
aguarela ou esquisso...
Pouco importa.
A fome tem muitas cores...


© Graça Costa

                                                               Lana Moes

terça-feira, 29 de março de 2016

DOCEMENTE

Tem dias em que bordo as palavras
com aromas distantes, texturas, sensações.

Nesses dias, entrego-me de peito aberto
à vertigem do sentir
e deixo a alma e a pele mergulhar nesse porvir.

Doce, a ambivalência,
deste querer e não querer
deste amar até perder,
deste ter, sem te ver.

Nestes dias ,
fico quieta e nua nas asas da imaginação
entre o teu sentir
e o meu querer,
entre a paixão aflita,
o amor ardente,
entre a alma ferida e o coração dormente.

Depois,
morro dentro de ti
e aqui fico ,
bebendo  a magia terna
de anoitecer
docemente,
no teu abraço.

©Graça Costa




NÃO ESPERES

Não esperes pela madrugada para me amares.
Não esperes pelo amanhecer para me contemplares.
Não esperes pelo entardecer para me sorrires.
Não esperes, porque pode não chegar.
Não esperes, porque não és dono do tempo
e o destino pode ter planos diferentes dos nossos.
Não esperes...
Ama-me o mais que puderes
sempre que puderes,
onde puderes.
Sorri-me. como se não houvesse amanhã
e o sol morasse no meu corpo.
Beija-me a pele com a ternura do amanhecer.
Toca-me com a magia das tempestades em alto mar,
fascinantes, furiosas, inconstantes, majestosas.
Mas nunca te esqueças.
Não esperes...
que o amanhã é incerto
e agora tens-me por perto.
toda afecto
toda luz
toda tua.
Não esperes...

©Graça Costa
PHOTO: Just me...


WORDS


Today I woke up surrounded by words.

Words and pictures of you
spent the night dancing throughout my body,
ensnare in my hair
keeping my senses alert
and my emotions ablaze.

In my mouth a frisky smile
silently was calling you.

My eyes were headlights in the dark.
with which, I drew in the walls
scenarios that mouth shuts up and keeps safe in dreams.

Today I woke up full of words.
I have them in a pocket,
slumbering,
waiting for the awakening
of your body
melting in mine.

I Sense your arrival.
and words start to sing.


© Graça Costa


segunda-feira, 28 de março de 2016

DEVANEIO

Como gosto do sol na primavera.

Como chocolate aveludado,
aquece sem queimar,
adoça os dias com a calma serena de uma nuvem de algodão.

Fecho os olhos e deixo-me levar
numa viagem sem destino,
nas asas de um sonho inventado,
só meu, pequenino.

Sinto-me planar
para lá do horizonte,
para lá de tudo,
para lá de mim
e o sorriso que me invade,
suporta a certeza
de que nas asas dos sonhos,
o limite.
ah, o limite
nem sei se existe.


©Graça Costa


ESPERANDO POR TI

Vestida lua e de espanto esperei por ti.

De sentidos e emoções em riste,
esperei que o vento te trouxesse ate mim
e a maresia fosse o timbre do amor na tua voz.

Envolta em sonhos e sussurros imaginados,
senti o arrepio da pele,
o brilho do olhar,
o sorriso a insinuar-se no rosto
tão cheio de expetativas quanto de enganos.

No entanto…esperei,
presa naquele fragmento de paraíso só meu,
que só tu sentes,
só tu vês,
só tu consegues tornar teu
apenas com a forma como me olhas.

Por ti espero,
neste dossel de noites eternas
embriagado de afectos,
onde a alma ganha voz
como um fado  gemido em êxtase e lamento.

Instantes de magia,
servidos em taças de ternura ;
fusão de pele,
melodias de outono tocadas a quatro mãos.




©Graça Costa


NO TEU OLHAR

Encontrei um perfume de poesia no teu olhar.

Sem saber como defini-lo
estendi-lhe o sorriso e bebi-o,
lentamente,
em silêncio,
como ritual sagrado.

Saboreei cada trago
com a dolência da paixão imprevista.

Deixei-me levar pelo arrepio da eternidade do momento.

Encontrei um perfume de poesia no teu olhar.

Vieste sem aviso mas com a força de uma maré viva
e eu recebi-te com a ternura de uma onda a beijar a areia.

Sem saber como te responder,
vesti-me de lua
coloquei nos cabelos pétalas de orvalho
e dei-me ao teu olhar em oferenda.

Depois anoiteceu…
e a noite é cúmplice de amantes inquietos.


©Graça Costa


sábado, 26 de março de 2016

A NUDEZ DAS PALAVRAS

 Palavras…
embalagem dos pensamentos
sem perfumes ou laços elaborados.

Assim as prefiro,
no esplendor da sua nudez.
Assim me apaixono pela singeleza do encontro das letras
que lentamente transformo em melodias e afectos.

Assim as ofereço,
para que as possam vestir
de acordo com o sentir da noite,
do dia
ou da madrugada.

Apenas desejo,
que a ternura fale mais alto
e as adornem de sorrisos,
carícias e doces caminhadas
ao encontro das marés.

©Graça Costa




CAMINHO ATÉ TI

Naqueles olhos de avelã caramelizada
havia sonhos de luz aveludada
como rio batido por raio de sol em fim de tarde.

Naqueles olhos havia o brilho cristalino dos corais
a densidade de um bolo de erva doce
a ternura de um abraço
e a força de uma montanha rasgando o horizonte.

Naqueles olhos viajei sem destino,
eremita,
vagabunda,
alma exposta ao desafio.

Naqueles olhos me perdi,
e neles encontrei o caminho
lento, terno e sensual
que me levou até ti.

©Graça Costa




MAGIA

Um sorriso trespassou-lhe o rosto
ao sentir o sol acariciar-lhe o corpo
como mãos de amante experiente.

Lentamente espreguiçou-se,
sentiu o desejo tomar-lhe conta do corpo e dos sentidos,
rolou sobre si mesma e deixou-se ir
adormecendo com uma imagem de entrega no olhar perdido.

Sentiu o sabor do beijo,
o toque da pele na sua pele,
o cheiro,
a textura ,
o prazer delicado e intenso,
a magia da fusão dos corpos ao luar.

Em segundos deixou de saber
se estava no sono
no sonho ou na vida,
tal a intensidade do sentir.

Não sabia, nem quis saber.

Sabia apenas que sentia
e se sentia, tinha que ser verdade.

Enroscou-se naquele corpo, de sonho ou não
e deixou a magia acontecer.

©Graça Costa


quinta-feira, 24 de março de 2016

GOSTAVA DE TE DIZER

Gostava de poder dizer-te
que o amor que sinto é do tamanho do universo,
mas não posso...

O universo pode ser demasiado pequeno e tenho receio de errar.

Gostava de poder dizer-te que o desejo que sinto
tem a magia de uma manhã clara,
mas nunca fui manhã e não sei definir essa magia.

Gostava de poder dizer-te que a felicidade é eterna,
mas sei que não é.

Apenas sei que as palavras que escrevo
são letras pintadas com o coração,
e embrulhadas no cetim dos afectos
com que teço a malha dos dias,
os vividos
e os apenas sonhados.

Por isso não te digo o amor que sinto.

Deixo que o descubras
e que o digas por mim.


©Graça Costa


HÁ UMA VOZ

Há uma voz cá dentro
que me dita o poema,
que me conduz a saudade da mão e do olhar
do toque,
da entrega,
da fome
e da paixão.

Há uma voz cá dentro
que me conduz o sonho
e um sonho
que me conduz a ti.

A ti...
meu amor e meu chão,
meu refúgio e minha paixão.

Há uma voz cá dentro
que me encanta e me desencanta
me acolhe e me repele
numa catadupa de afectos
rolando num turbilhão.

Há uma voz cá dentro
que me dita o poema
e o poema...
não és tu nem sou eu...
somos nós,
eternamente Nós.

©Graça Costa



                                                                    Loui Jover

HOJE

Hoje acordei cheia de palavras.
Passaram a noite a dançar-me no corpo,
a enlear-se-me nos cabelos
mantendo-me os sentidos alerta
e as emoções ao rubro.
Na boca bailava-me um sorriso traquina.
e os olhos eram faróis na escuridão.
Com eles, desenhei cenários que a boca cala
e a memória guarda nas gavetas dos sonhos.
Hoje acordei cheia de palavras.
Tenho-as no bolso,
adormecidas,
à espera do despertar.
©Graça Costa


quarta-feira, 23 de março de 2016

HOJE PRECISO

Hoje preciso de pérolas a lamber-me a pele.

Preciso da sua suavidade serena 
e da sua leveza selvagem e doce.

Preciso do arrepio do seu toque frio
e de sentir, como aquecem quando me beijam o corpo.

Hoje preciso de pérolas.

Com elas, vou inventar histórias,
orações e fantasias,
melodias e poemas
carícias sem nome nem voz
magia,
ternura,
paixão.

Apenas as pérolas e eu,
esperando o teu regresso.


©Graça Costa


ATÉ TI

Com a poeira da espera
enfrentei o corpo nu transcendente de afectos.

Que amante é esta
que te espera em súplica,
quase prece?

Que viver é este
prenhe de desejo,
alma na voz
e pele em chamas ?

Aguardo,
com o corpo raiado de estrelas
e o olhar crivado no entardecer
na esperança que me mereça.

No fio da noite,
a brisa impele-me o voo.

Não sei se fique se ouse.

Lá longe sinto o ritmo compassado de ti,
que num sussurro hipnótico me chama.

Tremo na antecipação de te ter,
e de sorriso em riste,
caminho até ti...

©Graça Costa

                                                                          Mekhz

terça-feira, 22 de março de 2016

SUDDENLY


Suddenly
you're melting eyes
struck me like a hurricane.

Feel naked...
felt good
almost if someone
was painting my body with a silky brush.

Your eyes struck me
and I stopped breathing.
Your hands reached me,
and all of became
a brand new spring
flourishing in my skin.

Your eyes became my eyes
my skin,
your skin,
and our passion
a perfume of surrender.

The day turned night,
but in our world
an eternal dawn was the only witness.


©Graça Costa




RETRATO DE UMA PRIMAVERA ANUNCIADA

Olhos de mirtilo,
boca de romã
pele de damasco,
sabor de amora, jasmim, hortelã e canela.

Deleite para os sentidos,
só de olhar
mata sede,
mas chama a fome,
aguça desejos inconfessáveis.

Imagino-a
com a sua paleta de cores, sorrisos e aromas,
com a sua gaiatice sensual,
chamando por alguém
apenas com o olhar.

No seu dossel de veludo e cetim,
despida dos encantos frutados,
pele serena e marfinada
mergulhando,  suave e leve no mundo dos sonhos.

Sonhos sonhados, decantados,
filtrados pela magia
do amor em construção.

Com ela guarda os segredos da pele
que fala a língua dos amanhã sem hora marcada.

Linguagem subtil...
com um toque de canela.


©Graça Costa


ABRAÇA-ME


Abraça-me como se tudo estivesse no princípio
e os teus dedos tocassem a minha pele pela primeira vez.

Apura os sentidos e decora-me o cheiro e o sabor.

Lavra-me o corpo de terra orvalhada
e planta-me a chuva no rosto
e na pele as sementes da paixão.

Depois espera…
reapra como o teu olhar se insinua,
perante o banquete de aromas, texturas e sabores
que o meu corpo te oferece.

Sacia-te neste campo de frutos silvestres
neste mar de coral
nesta fonte de água fresca.

Ou então...
abraça-me apenas.


©Graça Costa
foto - Internet


segunda-feira, 21 de março de 2016

POESIA

21 de Março - dia Mundial da Poesia - a minha singela e pessoal homenagem.

POESIA
Quem és tu a quem chamam poesia?
De quem és filha?
De quem és mãe?
Que genes trazes contigo para seres assim,
tão única,
tão bela,
tão prenhe de sonhos
memórias
lagrimas,
amores e paixões ?
Quem és tu que me rasgaste os sentidos
e num rendilhado de mel e dor
me obrigas a deixar cair no papel
estas palavras
e a outras
e tantas outras que sinto
mas ainda não ouso falar ?
Não te conheço o rosto
mas sinto-te a alma nos dedos,
o perfume na pele em chamas
o feitiço do querer e não querer,
as amarras e o não conseguir esquecer.
Não te conheço,
amiga,
amante,
irmã,
só sei que te trago na pele
e que sem ti fico nua
como recém -nascido sem cama.
©Graça Costa


sexta-feira, 18 de março de 2016

NÃO ESPERES

Não esperes pela madrugada para me amares.
Não esperes pelo amanhecer para me contemplares.
Não esperes pelo entardecer para me sorrires.

Não esperes, porque podem não chegar.
Não esperes porque não és dono do tempo
e o destino pode ter planos diferentes dos teus.

Não esperes...

Ama-me o mais que puderes
sempre que puderes,
onde puderes.

Sorri-me. como se não houvesse amanhã
e o sol morasse na minha pele.

Beija-me a pele com a ternura do amanhecer.

Toca-me com a magia das tempestades em alto mar,
fascinantes, furiosas, inconstantes, majestosas.

Mas nunca te esqueças.
Não esperes...
que o amanhã é incerto
e agora tens-me por perto
toda afecto
toda luz
toda tua.

Não esperes...




©Graça Costa



SENTE-ME

Percorre-me as ruas do corpo como se fosse a tua cidade.
Descobre os pormenores do lamento.
Embarca no destino que negas,
mas não podes evitar.

Sente-me…
Envolve-te no calor da pele
nos gemidos que  noite cala
mas a maresia consente
e ousa sorrir ao desconhecido
que te chama.

Ouve-me por entre o silêncio e o grito
aprende comigo o sentir sem palavras.

Inventemos uma língua nova,
serena e fluída como o brilho do olhar,
após o amor partilhado
na mudança da maré.

©Graça Costa 



quinta-feira, 17 de março de 2016

REINVENTING LOVE


If I were a snowflake
I would pray to melt on your lips.

If I were a summer breeze
I would try to touch your skin and make you shiver.

If I were a raindrop
I would like to fall down your body
in slow motion and see you smile.

And if I were tenderness
I would cover your being with warm kisses and endless caresses.

But...
I'm just me...
the one who loves you
no matter what
no matter where.

The one you discovered on the autumn of life
and who challenged you to reinvent love
like in a perpetual summer.


©Graça Costa


O BEIJO

Quase sem aviso
o beijo aconteceu.

Como poema calado
cresceu lentamente,
maré mansa,
que vira fogo
ateado pela urgência do desejo.

Perdido na ponta do medo
surgiu assustado
mas logo se agigantou
explorando os sentidos
com mestria de escultor
e delicadeza de tela pintada a pastel.

Colou-me na pele pigmentos carmim,
sugou-me a alma e o sentir,
tornou-me amante insuspeita
de dias calmos e noites errantes
em que apenas o desejo tem voz.

E do beijo nasceu a entrega
e da entrega, a melodia dos corpos em chama...
poema vivo,
salpicado por gotas de mar,
em tons de êxtase .

© Graça Costa

NAQUELA NOITE

Na penumbra apenas os contornos de ti
e o respirar lento e compassado de um sono,
profundo como o mar
e leve como brisa de verão.
A teu lado,
aquela a quem roubaram o sono
e que no torpor do cansaço
te bebe a calma com um sorriso.
Contemplo-te na penumbra
e no teu rosto vejo paz.
No vai e vem do teu peito,
o colo para o meu embalo
onírico,
terno,
pueril.
Percorro-te com o olhar,
o sorriso denuncia –te o prazer.
Despertas…
Como pétalas de estio
rumo ao amanhecer
cobres-me o corpo com beijos
e a noite…
ah...a noite estendeu-nos o manto do sentir.
©Graça Costa

                                                           Andrew Gonzalez

PELE

Pele…
Nada como o toque aveludado da pele,
a forma como se arrepia ante a caricia,
como responde ao beijo lento e rastejante,
à língua quente e húmida,
ao gemido ,
ao arfar do desejo incandescente,
à súplica do olhar.

Pele…
Tela de paixões inquietas,
magia serena em noites calmas
ou feiticeira  dos dias que nascem sem porquê.

Pele, poema
Pele, canção
Pele, sinfonia de Outono em pleno verão.

Pele em espera.
Pele em escuta.
Pele sedenta da água das tuas mãos.

Pequena gota de orvalho...
alimento da flor da madrugada.


©Graça Costa


quarta-feira, 16 de março de 2016

FIM DE TARDE


Aquele fim de tarde trazia consigo
promessas de morangos silvestres em calda de açúcar
deslizando pelo meu corpo.

Vi-o chegar com  brilho no olhar e o sorriso da espera.

Nas mãos o formigueiro do desejo guardado
e na ponta dos dedos,
gritos surdos gritando liberdade.

Sentiu-lhe a maresia nos cabelos,
o aroma da terra
e a tormenta do mar em dia de tempestade.

Sorriu-lhe e também ela se deixou envolver
abençoando o silêncio que tudo diz.

É que naquele fim de tarde
que trazia consigo promessas de morangos silvestres em calda de açúcar,
fez-se magia,
bailado,
sinfonia,
e nem uma palavra se ouviu,
naquele fim de tarde que adormecia.

A noite veio
lambuzada de amor.

Discreta curvou-se,
e quase chorou.


©Graça Costa












TANGO DE UMA NOTA SÓ

Sereno o aroma da tarde envolveu-lhe os sentidos.
Gentil, quase sensual,
acariciou-me o rosto e dançou-me no corpo
como tango de uma nota só.
Magia nesta tarde de inverno,
antecâmara da primavera que se adivinha.
©Graça Costa


NA MINHA PELE

Ontem vesti-me de noite para me esconder da escuridão.
Hoje, apenas de pele para me perder na tua mão.

E quando a alvorada romper a noite
e a pele continuar pele
a tua mão será para ela cama,
com sabor a penas,
alfazema e dossel.

Fica.
Embala-me o sono,
toca-me o rosto em tom de abandono
mas fica.
Fica.
porque a pele chama
e o corpo reclama,
a tua pele na minha pele.


©Graça Costa




terça-feira, 15 de março de 2016

NA PONTA DOS DEDOS


Acordei com as mãos entrelaçadas nas tuas
e parei de respirar só para te sentir.

Nesse encontro de pele e alma
senti a magia de um amanhecer sem pressas
e deixei-me levar pelo embalo da brisa que lá fora batia o compasso do dia.

Das tuas mãos nasceu a descoberta do encontro,
a vibração emergente da paixão
visível no delicado tactear da pele,
na subtileza do toque,
no gemido terno,
na fome do beijo,
no previsível êxtase.

Tudo bebi , com a calma do amanhecer
e descobri que por vezes,
o amor começa…
na ponta dos dedos.

©Graça Costa





AT LAST


With an upraised kiss
and skin in flames you arrived.

On your look a pleading of bruised flesh
a muffled sob of absence
and an highway to the sweetness of caresses.

The absence of your hands suffocates me.
It makes my days hurt
and marked in gray and northerly wind tones.
I almost feel you
although I can’t see you yet.

The grey becomes lighter
illuminating my body just to guide your path.

With an upraised kiss
and skin in flames you arrived.

On the room's corner
just a hunger moan
before the feast of bodies and souls
guiding stars of unrestrained passions
and eternal nights.


©Graça Costa


segunda-feira, 14 de março de 2016

AMANTES SEM TEMPO

Partiste,
deixando-me um desejo tardio no corpo.
O, até logo, sussurrado
deixou no ar um aroma de promessas
e no olhar uma paixão por cumprir.

No beijo,
ficaram as palavras por dizer
na pele as carícias por sentir
e na alma o amor revisitado
que a noite sempre me traz.

Foi então que a magia aconteceu,
e o dia fez-se noite
somente para eu te ter.

Senti-te chegar
e sorri.

Soltei o corpo
e deslizei para o horizonte selvagem,
onde os sonhos ganham voz
pelas mãos dos amantes sem tempo.

©Graça Costa 



QUASE...

Tem noites em que sinto um toque no rosto,
quase suplica,
quase dor,
quase beijo,
quase amor.

Nessas  noites sou brisa,
calma,
ternura,
alma,
conforto,
aconchego,
que o acordar não rouba
nem o dia desfaz.

Nessas noites
as horas passam como brisa em tarde calma.
O sono reclama abraço.
Recebo o dia com um sorriso na alma
e no olhar as memórias que me alimentam os sonhos


©Graça Costa


                                                            Kristine Brookshire

O OLHAR


Existem olhares hipnóticos
com uma serenidade tão fluída
que parece envolver-nos o corpo e os sentidos.

Nesses dias,
consigo sentir a leveza das searas
envoltas na brisa das marés
e consigo sentir o pulsar da vida através da beleza daquele olhar.

Nesses dia
a plenitude do Ser
esmaga-me,
mas não sinto dor alguma.
Antes,
paz e entrega total,
sem reservas,
a ti e a esse olhar.


©Graça Costa



sábado, 12 de março de 2016

DESEJO



                        Vem morrer vivendo nos meus braços
                       Preenche com meu colo teus espaços
                       Do avesso do meu ser, faz o teu sim
                       Vem renascer de amor dentro de mim

                       Grita o aroma do desejo em flor
                       Perde-te nesta pele em cor
                       Pensa nas sombras de gemidos vãos
                       E faz dos meus lábios as tuas mãos
                     
                       Dá-me o teu beijo para que eu afague
                       Dá-me os teus olhos para que eu me afogue
                       Teu pensamento onde a minha alma cabe
                       E que o meu corpo no teu corpo acabe.

                        ©Graça Costa 



sexta-feira, 11 de março de 2016

SE UM DIA

Se um dia eu for mar
embrulho o teu olhar numa onda
para te ter sempre no peito.

Se um dia eu for lago,
que o teu corpo fique sedento
e mergulhes por mim dentro
até te saciares.

Se um dia eu for chuva
presa numa nuvem de papel,
peço ao olhar lágrimas doces
para que as bebas ao anoitecer.

Mas se um dia eu for palavra,
peço que os teus dedos sejam as letras
com que se escreve a paixão.

Aí , misturo tudo
saudade,
ternura,
desejo,
loucura,
a com toda a certeza
um dia serei ...
Amor.

©Graça Costa

                                                      Loui Jover

DOEM-ME AS PALAVRAS

Doem-me as palavras como feridas abertas.
Gritam.
Gemem.
Sussurram.
Reclamam.

Queimam-me o peito e afogam-me o olhar.

Sinto a alma jorrando lava,
escorrendo lenta e penosamente pelo mesmo peito,
onde momentos antes os teus lábios descansavam
e o teu corpo se derretia no meu.

Doem-me as palavras como feridas abertas.
Por isso as partilho
na voragem dos dias inquietos
e na esperança que alguém as faça suas.

Olha…
Vê como os olhos soletram a dor do sentir.

Vê como te chamam,
a ti,
balsâmico amante
de corpos e letras.

Vem,
lambe-me as feridas
para que as palavras renasçam
entre as flores e o arvoredo da paixão.


©Graça Costa





ENTARDECER

O entardecer insinua-se na mágica languidez dos tons
e nos aromas carregados de esperanças.
Os sentidos envolvem-se numa dança lenta de sons, cores, emoções e calma.
Prenúncio de noite,
envolto na maciez de um beijo ainda morno.
O entardecer insinua-se na perene calma da planície
e beija-me a pele num convite à entrega sem reservas.
Fecho os olhos
e bebo horizonte como quem bebe a vida no trinar do pássaro
que voa para longe,
à procura de um novo entardecer.
Tu habitas por lá...
©Graça Costa