quarta-feira, 16 de março de 2016

FIM DE TARDE


Aquele fim de tarde trazia consigo
promessas de morangos silvestres em calda de açúcar
deslizando pelo meu corpo.

Vi-o chegar com  brilho no olhar e o sorriso da espera.

Nas mãos o formigueiro do desejo guardado
e na ponta dos dedos,
gritos surdos gritando liberdade.

Sentiu-lhe a maresia nos cabelos,
o aroma da terra
e a tormenta do mar em dia de tempestade.

Sorriu-lhe e também ela se deixou envolver
abençoando o silêncio que tudo diz.

É que naquele fim de tarde
que trazia consigo promessas de morangos silvestres em calda de açúcar,
fez-se magia,
bailado,
sinfonia,
e nem uma palavra se ouviu,
naquele fim de tarde que adormecia.

A noite veio
lambuzada de amor.

Discreta curvou-se,
e quase chorou.


©Graça Costa