sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

A GUERREIRA

Cai a noite e tudo se transforma.
A guerreira vira pássaro,
flor,
princesa, ou arlequim,
misto de flor e de seda,
azul, prateada, carmim.

Bendita a cumplicidade da noite que tudo permite.
Sonho,
fantasia, dança,
brisa, sal, maresia, festim.

Do descanso da guerreira
agora lua, feiticeira, amante,
emerge a magia da palavra dita apenas com o olhar;
o convite da chama que arde sem se notar.

E o imprevisto acontece,
como acontece o Amor em dias incertos.

Doce a noite em que me deito
com o cansaço na pele e a ternura na voz.

Efémera noite, eu sei…
mas tão cheia de sonhos por cumprir.

A ela me entrego
com a nudez mais terna
e faço do seu abraço ,
uma homenagem ao dia que promete.


©Graça Costa
imagem da Web

 

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

O MEU AMOR

O meu amor,
tem mãos de silêncio rompendo a aurora.
Traz na pele a brisa do vento
e no olhar a promessa de dias calmos.

O meu amor,
traz a saudade na ponta dos dedos
e a ternura nos lábios de dor.
A mim se oferece como em oração,
despojado de tudo,
fruta madura por colher.

O meu amor,
traz colado na pele
o grito da paixão contida
e no peito o desespero da partilha.
O meu amor,
dorme no meu peito.
Bebo-lhe o semblante
e parto com ele com asas no pés,
em busca de outras paisagens
em que mesmo nua,
me sinta vestida
de paixão e de esperança.

©Graça Costa
imagem- Klimt

 

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

PORQUÊ ?

Porque é que quando ponho a alma a falar, ela chora ?
Chora lágrimas diamante.
Invisíveis e preciosas
como seiva de vidas vividas e por viver.

Tem dias em que a alma chora, sorrindo
e as suas lágrimas adornam-me o colo, como pérolas.

Com elas construo colares ou túnicas,
vestidos, canções, tantos mundos…
jogos de prazer e ternura,
prenúncios de fim de tarde inventados,
dentro do peito encerrados.

Porque choras alma?
Porque te inquietas?
Porque lágrima é vida.
Lágrima é arte e poesia,
inquietação repentista,
emoção,
abraço, silêncio, calma,
vento uivo ou furação.

Não sei porque choras alma,
mas no meu egoísmo brando
te peço…
chora um pouco mais,
por favor…


©Graça Costa
imagem da web

 

À DESCOBERTA DO AMOR

Parto à descoberta do amor,
com a curiosidade infantil
do desconhecido que ainda há em mim.

Perdi o medo do amor
porque amar é simplicidade.

Deixo fluir os sentidos,
dou se tiver vontade,
quando tiver vontade,
e recebo com carinho
a mão estendida,
a doçura de pele
o beijo lento e sedutor.

Saboreio sem pressas,
a fusão dos corpos que se dissolvem
em maresia e poemas
nas noites rubras de rigorosa invernia.
Saboreio sem pressas
e contemplo o esplendor
do amor que acontece.

©Graça Costa

domingo, 4 de fevereiro de 2018

PALAVRAS

Passeiam-me pelo corpo as palavras.
Como mãos nuas e rugosas
de quem trabalha a terra sem luvas,
emborracham-se na tela do meu corpo feito papel,
feito cinza
ou feito mar.
Recheando os afetos de verbos,
adjectivos,
pronomes e interjeições,
como amantes experientes eu e as palavras brincamos;
Fantasiamos
Exploramos,
Gozamos
Rimos e choramos
Ou simplesmente contemplamos.
Há algo de profundamente sensual nas palavras,
na forma de as saborear,
trincar,
adivinhar,
na forma como as damos,
ou insinuamos,
na insensatez do quase
que não chega a ser verbo.
Passeiam-me no corpo as palavras…
Uns dias pedra,
outras cinzel.
Uns dias fome,
outros dias…
mel.
©Graça Costa


quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

DONT GIVE UP

Dont give up dreaming your dreamings
even if someone tells you
dreams are colorful
and yours are colourless.

Dont give up.
Shades of grey can be beautiful
black and white
make beautiful shadow canvas
and your dreams are just as great as everyones elses
Because they are
your dreams.

Don’t give up…
Keep on…
Battles are tough
Days can be rough
but theres always a flower
bursting from a rock.

It might be you.

 ©Graça Costa
 
 

O JARDIM


Quando era criança, olhava-me ao espelho e via um jardim.
Não um jardim exuberante, certinho, estonteante de tão belo, mas um pedaço de terra virgem à espera da semente, da rega, do cuidado diário, da paciência.
Olhava-me ao espelho e via um jardim.
Olhava-o com a bondade de quem erra e estava disposto a crescer; com a ternura de quem afagava a pele da terra e nela se fundia como gota de orvalho pela manhã.

Jardins não nascem prontos.
Precisam tempo, paciência, cuidado, insistência, persistência.
Precisam de Amor, mas também de espaço.

O meu jardim tinha sede de afecto – precisava do sol dos olhos de quem me amava, do abraço firme, de se sentir querido.

Por vezes também precisava de solidão, porque é nela que que nos encontramos, que descobrimos a nossa essência, fazendo as perguntas que têm que ser feitas.  É nesse aparente enorme vazio da solidão que o projecto de nós se esboça e começa a tomar forma.

Aprendi cedo que muito do que sou uma mescla do que fui construindo dentro de mim e do que a vida me deu, no contacto/ aprendizagem com os outros.

Ninguém é feliz sozinho e por isso, devagar, lentamente fui semeando no jardim que era e sou , outras flores, outras arvores, outros arbustos. Fui arrancando as ervas daninhas, ordenando os canteiros, percebendo como tinha que os organizar para tirar o melhor de cada um e não abafar o esplendor de nenhum, ousando experimentar outros aromas.

Cresci. Continuo a crescer, porque a isso me obrigo e porque o jardim continua a precisar ser cuidado, regado, apreciado, diariamente.

Às vezes visto-o de festa; outras de saudade; às vezes nostalgia, outras, amizade.
Agora tem pele de jardim de inverno. As flores dormem o sono de beleza que a primavera irá despertar. Dormem e merecem esse repouso reparador.
Estou nua, exposta, mas isso não me perturba.

O ciclo é mesmo assim… 
Por isso afago com gratidão o acordar e o sentir do pulsar da vida em cada amanhecer.

©Graça Costa
imagem da web
 
 

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

ALMA MINHA


Porque teimas Alma?
Porque teimas em querer saber
as razões da dor,
as cores do Amor,
as nuances da paixão?
 
Porque teimas Alma,
em gravar na pele
os instantes sem nome,
polidos pelo tanto querer voltar a senti-los ?

Porque teimas, Alma ?
Porque afagas o coração de memórias
e os dias por sonhos por inventar?

Alma minha.
Tão guerreira e tão frágil.
Tão fogosa e tão dócil.
Pluma de afectos,
cansados, discretos,
atentos, incompletos,
sempre em busca do que há-de ser
quando te tiver por perto.

 ©Graça Costa

 

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

FAROL

Tem dias em que o vento me sopra na pele o calor da tua voz.
Entoa cânticos serenos,
como sereno o teu toque
liberto de mágoas e dores,
quase magia
brisa sem chão.

Nesses dias quero que venhas
e me tornes  prisioneira dos teus lábios.

Vem e envolve-me na noite que desperta,
sê meu farol
o meu guia
de caminhos incertos
escondidos na maresia.

Vem, 
que o frio aperta
e a fome tem o teu nome
escrito na coberta.

©Graça Costa
















 

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

JUST FEEL


Look at me

as if you were seeing me for the first time.

Touch my skin

and feel again the warm pleasurable shiver

you felt that day.

Close your eyes

and follow my voice.

No questions asked.

No judgements.

Just do as I say

and feel.

Feel the smoothness of the body,

the warmth of the words,

the desire growing slowly,

as a feather floating down the river.

Stay still my love.

Let me dress your naked body with my skin.

Let me draw the sunset on your chest

with my lips.

Let me,

Let me just feel.

By the time you become breathless.

spell my name to the wind

and let yourself

melt in me

like dew at summer dawn.

 
©Graça Costa
imagem do Pinterest