quarta-feira, 18 de outubro de 2017

GUERREIRA

Cai a noite e tudo se transforma.
A guerreira vira pássaro,
flor,
princesa, ou arlequim,
misto de flor e de seda,
azul, prateada, carmim.

Bendita a cumplicidade da noite que tudo permite.
Sonho,
fantasia, dança,
brisa, sal, maresia, festim.

Do descanso da guerreira
agora lua, feiticeira, amante,
emerge a magia da palavra dita apenas com o olhar;
o convite da chama que arde sem se notar.

E o imprevisto acontece,
como acontece o Amor em dias incertos.

Doce a noite em que me deito
com o cansaço na pele e a ternura na voz.

Efémera noite, eu sei…
mas tão cheia de sonhos por cumprir.

A ela me entrego
com a nudez mais terna
e faço do seu abraço ,
uma homenagem ao dia que promete.


©Graça Costa
imagem da Web

 

terça-feira, 17 de outubro de 2017

NASCEU

Nos dias seguintes algumas pessoas conseguem fazer balanços.
Eu não. 

Hoje permito-me ser um bocadinho egoísta e reviver, saborear , filtrar e adoçar, ainda mais, tudo o que vivi ontem. É que vocês podem não ter total noção, mas o que vivi ontem, não se explica por palavras - pelo menos por enquanto. 

Nalguns comentários que fiz ao dia de ontem e aos Parabéns e desejos de sucesso que generosamente me foram enviando, fui partilhando o meu sentir.

Hoje, apenas 72 horas depois de um dia profundamente emotivo, apenas consigo dizer-vos - OBRIGADA e mais alguns pequenos nadas.

Desde que o lançamento do livro passou a ser uma realidade e organizá-lo, uma preocupação, a única coisa que me perpassava a mente era : que fosse bonito, que convidasse ao Sonho, que tivesse Luz, que fosse Partilha e Emoção, que envolvesse quem nele quisesse participar, numa aura quase mágica de Paz e Ternura.


Demasiado ambicioso, talvez, admito, mas era isso que o meu coração pedia e modestamente, acho que conseguimos, eu e vocês.


Uma gratidão enorme a todos os que estiveram comigo e ao Município de Tomar pela cedência do espaço pleno de magia e história onde tive o privilégio de lançar este livro / filho de palavras feito.
Espalhei "Fragmentos" e sinto-me hoje mais inteira que nunca - só pode ser magia.


" Há dias que ficam na história da história da gente"...e este ficou, na minha.


Graça





SOU


No amanhecer que desponta,

sou pássaro livre

sou fonte

sorriso aberto

espuma do vento.

Sou tudo isso

e o que mais queiras.

Por ti acordo

contigo me deito,

desejo na pele

ternura no olhar.

No amanhecer que desponta

navego serena como espuma do mar

e na fluidez dos sentidos

deixo-me enamorar pela maresia dos teus dedos na minha pele.

Fecho os olhos e nela sinto o teu toque.

Deleite dos fins de tarde

em que flutuamos rumo ao anoitecer

que por ora apenas é sonho.

Ferve-me a pele e sorrio…

Antecipação do prazer

numa manhã de primavera.

 
©Graça Costa
imagem da web
 
 

 


 

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

ALMA

Tem dias em que pergunto às estrelas
qual a cor da Alma,
qual a sua textura,
o cheiro,
o semblante,
o matiz ?
Imagino-a conforme o sabor dos dias.
Leve ou sombria,
doce ou matizada pelas especiarias do tempo.
No espelho do fim da tarde
contemplo o seu voar,
sinto-a a amarar no peito.
Limpo-a das amarguras e dores,
cubro-a com os cristais estrelados da noite,
embalo-a com carinho de mãe
e com pinceladas fortes, mas serenas,
estendo-lhe o sono
como presente de paz.
©Graça Costa


domingo, 1 de outubro de 2017

SE UM DIA

Se um dia eu for mar
embrulho o teu olhar numa onda
para te ter sempre no peito.

Se um dia eu for lago,
que o teu corpo fique sedento
e mergulhes por mim dentro
até te saciares.

Se um dia eu for chuva
presa numa nuvem de papel,
peço ao olhar lágrimas doces
para que as bebas ao anoitecer.

Mas se um dia eu for palavra,
peço que os teus dedos sejam as letras
com que se escreve a paixão.

Aí , misturo tudo
saudade,
ternura,
desejo,
loucura,
a com toda a certeza
um dia serei ...
Amor.

©Graça Costa



MY BODY

My body,
white page in your hands,
kiss to uncertain lips,
sometimes gentle,
sometimes urgent.

My body,
of a sweet texture,
cotton,
linen,
satin,
challenge I offer you,
fully,
for you to lose
and find yourself.

My body,
yours,
for you to enjoy,
to flavour,
to feed you,
and feed me.

Indulge my hunger of needing you,
and bind on my skin,
the urgency of new beginnings

© Graça Costa
imagem da web

PAZ

Dá-me a tua mão
Sente-lhe a textura
o calor,
o aroma e a ternura do abraço.
Depois vamos.
Deixa que te leve
para além dos sentidos
para lá da saudade.
Deixa que te leve
para aquele lugar calmo
onde a dor não nasce
e o amor não morre.
Para aquele lugar terno
onde o corpo não tem nome
e o afecto tem forma de dedos,
de ternura,
e beijos
e pele em chamas.
Depois…
Depois fiquemos assim,
na magia do entardecer,
lambendo as palavras com que nos despimos,
e que estas cubram o horizonte
com a magia da esperança,
como sonhos de paz
embrulhados em sono de criança.

©Graça Costa


segunda-feira, 25 de setembro de 2017

DA MINHA ESSÊNCIA

Energia e matéria

harmonia de contrários
luz …terra
vento…mar
fogo…maresia.


Assim me sinto
na soma do tempo que passa.

Errante,
na candura dos sonhos.
Guerreira,
na tempestade dos dias.


Vivo no equilíbrio perene
do conceito e do verbo;
do pronome e do advérbio.


No desafio da descoberta,
enfrento o eterno talvez,
o complexo Se…
o carinho,
a paixão,
a emoção da dádiva,
o desabrochar do coração.


Nele me reencontro,
e com ele me reinvento
fugitiva de mim
presa no Ser que sou...
essência,
magia,
doçura,
pó …



©Graça Costa



domingo, 17 de setembro de 2017

OS RIOS DO MEU CORPO

No meu corpo correm rios de afetos partilhados
e outros ainda por desbravar.

Nas suas margens, nenúfares e chorões
abraços e canções,
melodias de outono sereno
estendendo os braços ao por do sol
refletido na placidez das águas.

Nelas, correm também rios de dor
na sua lenta caminhada até ao afluente do rosto.

Aí …desaguam,
transbordam,
rebentam comportas que ninguém vê e só tu sentes,
ecoando no silêncio surdo e melancólico do olhar.

Alguns tornam-se riachos e acabam por secar.
Outros agigantam-se e levam-te na torrente.

Nesses dias o corpo deixa de ser corpo
e passa a ser maré viva,
vento norte
tempestade,
luta,
desespero,
naufrágio.

Assim é a vida
e os corpos que nela vivem.
Nuns dias sol,
noutros trovoada.

Por vezes amor, ternura, paixão.
Outras vezes,
vazio,
quase nada,
ilusão.

Meu corpo,
meu rio…
serpenteando nas veredas do sentir
até ao mar dos teus olhos


©Graça Costa
imagem da web


sexta-feira, 1 de setembro de 2017

PEDAÇOS D'ALMA

Olho-me no espelho e vejo o cansaço, a dor, o desalento.

No corpo, as cicatrizes,
os sinais da luta inglória e insane,
em busca de um melhor amanhã que tarda em chegar.


Procuro no olhar, a esperança,
nas mãos estendidas, o recado silencioso,
o resgate de um abraço,
alimento para o dia que começa.
Assim me visto de crepúsculo e chama,
de candura e lama
de ousadia, fome e fantasia.


Oleira de mim,
construo o que as mãos permitem
e a pele aceita
sabendo que a obra visível
e a sonhada, sentida,
raramente são comparáveis.


Aquilo que para uns será sol,
para outros será nevoeiro, vento e maresia.

Vejo-me a cores, a grafitte ou a pastel.
Como me vêm os outros?
Não sei…
Não sei se quero saber.

Sou como sou...
Ainda que ferida, 
guardo a beleza da dor
e o esplendor da dádiva,

ofereço a candura do abraço
e a plenitude do ser.

Assim sou…
Inteira,
porque não sei ser de outro modo.

Assim me dou...
A quem tiver Alma para me sentir.

©Graça Costa