segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

A ESPERA

Deixaste-me na boca um sabor a espanto,
na pele a súplica do desejo inacabado,
e a fome de mais que o dia levou.

Deixaste-me no olhar um sopro de maré viva,
uma tempestade de afectos incontidos
clamando pela noite
ou apenas pelo som dos teus passos na escuridão.

O dia passou,
lento e soturno,
mas dentro de mim,
sempre o sol
com os seus lábios de silêncio
e o paraíso no olhar,
envolvendo-me no fogo da espera
do tanto que te quero.

Depois o dia caiu no horizonte
deixando no ar promessas guardadas
no ontem que não chegou a ser.

Esperei-te.
Esperei o teu abraço
e naquele quê de dia em que a solidão termina.

Deixei-me envolver no rendilhado 
dos dias sonhados antes do amanhecer
em que os teus braços são cama
e o meu corpo
poema
pintado pelo teu olhar
colado no meu.

 ©Graça Costa
desenho - David Walker
 
 

NA TUA PELE

Tão bom,

Acordar e ter o teu rosto

A sorrir para os meus olhos

Estender os braços

E ter a tua pele

A abraçar a minha pele.

Fechar os olhos

e ter os teus lábios

sussurrando paraísos distantes

aqui tão perto.

 

Tão bom,

entrar no corredor do dia que começa

e encontrar o abraço dos teus olhos

a guiar-me o caminho,

a luz do teu sorriso

a incendiar a aurora.

 

Sinto o amor

no livro da tua pele

e nela a tentação de ficar

assim

saboreando casa silaba,

cada pronome

cada interjeição

escondida nesse corpo que se me entende

em oferenda surda.

 

Porque cada dia na tua pele

é sempre uma primeira vez

Fico…

saciada

por ora,

antecipando nova pagina

da tua pele em mim.

 

©Graça Costa
 
 

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

DEPOIS

Trazia o outono nos cabelos
e um prado de erva fresca no olhar...

Caminhava como se trouxesse o luar nos pés,
iluminando o caminho
e semeando sorrisos.

O corpo nu,
convidava ao deleite de noites de verão
embaladas por brisa suave
e choro de guitarras.

Entreguei-me ao entardecer,
como se pudesse parar o tempo
e sussurrei o teu nome ao vento.

Foi então que chegaste
e me cobriste o corpo de beijos
com a fome dos dias longos
e das noites por inventar.

Dei-me de novo
como da primeira vez,
sem medos nem dúvidas,
toda alma,
todo corpo,
toda luz.

Depois da explosão dos nossos corpos em chama,
enrolei-me no teu corpo de mel
e deixei o sono levar-me
até ao mundo dos sonhos e das memórias.

Sereno o sono depois do amor...

©Graça Costa
imagem da web




 

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

SONHAR

Quantas vezes digo a mim mesma:
Voa…
Voa mais alto,
ousa,
perde-te na imensidão do azul.
Conquista a lua
apenas com o desejo de querer abraça-la.

Faz pulseiras de pérolas com lágrimas,
colares com suspiros,
nuvens com solidão,
bailados com pétalas de estrelas
paraísos para o coração.

Sonhar é isto…
mais alto,
mais longe,
mais forte,
sozinha ou pela tua mão.

É ter a ternura na ponta dos dedos.
É colocar o Sentir a galope,
num puro sangue lusitano;
é levar a imaginação para a vastidão do mar,
e usá-lo como tela
para reescrever a história.

No fim,
talvez a história não seja de encantar…

Mas o que é que isso importa,
se o importante mesmo
é a ousadia do Sonho

©Graça Costa
 
 

terça-feira, 7 de novembro de 2017

MELANCOLIA

O mar dos olhos transbordou
mas não eram lágrimas que lhe escorriam pela pele.

Cada gota vertia afectos à tanto guardados em cama de orvalho e mel.

Talvez por isso o seu choro não fosse pranto
mas antes chuva de embalo,
suave e melancólico como brisa na seara.

O mar dos olhos transbordou mas ela sorriu.

Sorriu com um sorriso tão doce
como beijo roubado na penumbra do sentir.

Sentiu a maré vir ao seu encontro
e recebeu-a com silêncio de amantes em espera.

Saboreou-a…
e com ela alimentou a alma naquele dia.

©Graça Costa


 

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

CAVALGANDO O DIA

Hoje o dia acordou com o sol na voz,
o esplendor dos aromas primaveris
e a ousadia de promessas por cumprir.
 
Serviu-me gomos de magia
envoltos em aromas febris,
despertando-me a fome de ter
a tua pele na minha pele.

Cavalguei o dia e voei com ele
sacudindo o medo e a amargura das horas que passo sem ti.

Não sei o que fazer a esta urgência de amar
a este doce recordar
sem nome nem idade
mas a que chamo saudade.

A tarde vai caindo
terna e sonolenta como um abraço.
Observo-a com o brilho nos olhos
para iluminar a noite
e o caminho que te traga até mim.

Vem…
temos promessas por cumprir…

© Graça Costa
imagem da web

 

terça-feira, 31 de outubro de 2017

AMAR

Profético,
o sopro poderoso da fome
serpenteia-me o corpo envolto na bruma,
lacónico,
esfíngico,
quase prece
quase súplica.


Numa emergência de afectos por saciar,
procuro no teu olhar
a promessa da abundância
neste meu corpo feito terra lavrada.

Profético,
o Inverno de sementeiras
feitas pela tua mão.

Profética,
a linguagem universal do Amor,
quando arrancada das profundezas do SER.

Esteio do caos
perante o esplendor da vida
que começa a chegar ao amanhã.

© Graça Costa
tela de Federico Bebber





 

FREEDOM

 
 
 
 
 
 

REENCONTRO

Hoje lancei as mágoas
ao vento que passava por perto.

Fechei a porta.
Mergulhei no silêncio em busca de mim,
sabendo que me encontraria
nos pedaços de ti
que tenho guardados no peito.

Bebi o aroma da tua pele,
lavei a alma com memorias do teu olhar,
saciei-me no teu corpo imaginado
e deixei que a serenidade dos afectos
me envolvesse a pele
em chama lenta,
como lentos os teus beijos,
quais arrepios de morte com sorriso nos lábios.

Hoje lancei as mágoas
ao vento que passava por perto.

Vesti-me de brisa,
e no encantamento da noite deixei-me voar
em direcção ao teu abraço.

©Graça Costa
imagem da web

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

GUERREIRA

Cai a noite e tudo se transforma.
A guerreira vira pássaro,
flor,
princesa, ou arlequim,
misto de flor e de seda,
azul, prateada, carmim.

Bendita a cumplicidade da noite que tudo permite.
Sonho,
fantasia, dança,
brisa, sal, maresia, festim.

Do descanso da guerreira
agora lua, feiticeira, amante,
emerge a magia da palavra dita apenas com o olhar;
o convite da chama que arde sem se notar.

E o imprevisto acontece,
como acontece o Amor em dias incertos.

Doce a noite em que me deito
com o cansaço na pele e a ternura na voz.

Efémera noite, eu sei…
mas tão cheia de sonhos por cumprir.

A ela me entrego
com a nudez mais terna
e faço do seu abraço ,
uma homenagem ao dia que promete.


©Graça Costa
imagem da Web