sexta-feira, 13 de julho de 2018

WITHIN THE STORM


Lets make love as the tempest sings
and may the taste of our kisses fly
in the wings of dawn
throughout the day.

Lets play with time
dance with the playing song
of the rain against the window
as your fingers burn my skin
and your lips swallow my being.

Lets be poetry writers with no words
and as the tempest sings
may the silence of our bodies melting  in one another
with no guilt
and no worries
be the perfect portrait of peace
within the storm of life.

 ©Graça Costa
IMAGEM DO PINTEREST
 
 

MINHA ALMA POR TI LIBERTA


Existe nos seres quebrados pela vida
um quê de humano que me comove.

 Uma centelha de luz
 uma lágrima de esperança
 uma doce amargura na voz…

Não sei como definir
mas sei que sinto.

 A pele estremece.
 O mar dos olhos transborda.
 A maré de afectos esmaga-se contra a comporta do sentir
 e pede liberdade para agir.

E eu vou…impelida não sei porque energia…mas vou.
E acreditem…

Quanta magia descubro nos seres quebrados pela vida…
Quanta força me dão sem o saberem…
Quão grata fico à sua dádiva.

Quantas vezes te agradeço nas minhas preces,
a ti,
Ser quebrado pela vida
mais humano, generoso e verdadeiro
que muitos que por mim passam a toda a hora.

Agradeço-te…
em nome da minha alma por ti liberta.


©Graça Costa
imagem da web
 
 

quarta-feira, 27 de junho de 2018

PERDIDA

Andei perdida na vereda dos sonhos
sem saber se era sonho
ou alguma alquimia sem nome que me prendia a eles.

Por um não sei quê de esperança,
ficava e pedia para ser verdade.
Que o teu nome fosse a música que o coração pedia.
Que o teu beijo fosse o alimento que a minha pele queria.
Que a tua voz fosse o doce arrepio que me invadia o ser
e me fazia sorrir.

Perdida na vereda dos sonhos foi tanto a vida vivida
como a sonhada.

 Nela, construí futuros por inventar,
vontades indomadas de te ter,
silêncios rasgando a solidão,
abraços famintos, carregados de amor.

Foi tanto o sentir,
tão profunda ternura,
tão doces as memórias,
que dei comigo sem vontade de voltar.

Na quietude do abraço, fiquei,
com a alma em chamas e o coração a transbordar.

Depois acordei,
e o mar dos olhos tinha o teu nome.

©Graça Costa
arte : Max Gasparini

 

terça-feira, 26 de junho de 2018

SAUDADE

Imersa em silêncio e sombra espero por ti.
Espero que recordes o meu aroma
e que ele te conduza até mim na escuridão da noite.
Sentada nas memórias da dor, tento sufocar a tua ausência.

Imersa no silêncio rogo que me encontres.
 Que ainda te lembres do caminho,
 que o teu corpo se abandone ao torpor dos passos
 e o instinto da fome te conduza à lembrança
 dos dias em que vinhas de sorriso aberto
 e sede nos olhos.

 Saudades…
do calor do teu abraço,
dos beijos entrecortados de lágrimas e gemidos,
dos dias noites e das noites dia
das horas que passavam em segundos
e dos segundos que pareciam a eternidade.

Imersa no silêncio da noite, espero.
Espero, mas não desespero,
porque se o destino não te trouxer de volta a mim,
tenho tudo o que vivi
e o que vivi foi tanto !!!


©Graça Costa
Imagem da web
 
 

sábado, 9 de junho de 2018

ESCUTA

Escuta.
Mergulha no silêncio e escuta o corpo que te fala.

Ouve o clamor da pele,
e a toada triste das suas cicatrizes
quando lhes afagas o contorno da dor.

Ousa e ouve também a sua fome,
os seus desejos,
e a alquimia dos sentidos que a pele reclama.

Embrenha-te no silêncio da noite
e ouve como ela,
ora chora, ora canta
ora implora, ora dá,
no embalo de melodias por inventar.

Sem pressas,
observa cada curva,
cada poro,
cada marca.

Sente a dança dos sentidos
e deixa-te ser pele de outra pele.

Ouve e ousa
ser dona do seu sentir,
fundir-te na sua pele,
murmurar-lhe desejos de equinócios distantes,
enlouquecer de ternura,
explodir de prazer no seu ouvido.

Deixa-me explorar o limite do sentir
devagar,
serenamente,
como quem declama um poema soletrado a meia voz.

Murmúrios da pele,
sede….
desafio,
banquete de almas unidas
pela bebedeira de sentidos inquietos.

©Graça Costa


segunda-feira, 4 de junho de 2018

SE ESTES DEDOS TIVESSEM VOZ


 Se estes dedos tivessem voz
 seria de vento e de mar,
 seria de brisa e de trautear o teu corpo,
 com gemidos de mel
 e ternura de flores sem tempo nem estação.

 Se estes dedos tivessem voz
 suplicariam por violinos, harpas,
 e lençóis de cetim orvalhados pelo teu perfume.
 Suplicariam por pinceis e aguarelas para te pintar o perfil
 e nele gravar o sentir do amanhecer nos teus braços.

 Se estes dedos tivessem voz
 gritariam pela tua presença dentro de mim,
 pelo teu olhar preso no meu,
 navegante eterno de paraísos inventados
 e rotas por descobrir.

 Se estes dedos tivessem voz
 o amanhã estaria escrito.
 O entardecer teria a melodia de uma sinfonia tocada a quatro mãos
 e a noite traria consigo a magia dos rios
 plena de afectos e desafios,
 aberta para nos receber.

Caminhemos então…
e ouçamos,
que os dedos falam a língua dos amantes .


©Graça Costa
imagem da web
 

 

sexta-feira, 1 de junho de 2018

PRECISO DE TEMPO

Preciso de tempo para te construir dentro de mim.
Preciso de tempo para colorir a esperança.

De ti,
recebi as tintas
com as cores da paixão
e as tonalidades do amor sem tempo.

  Recebi, também os pincéis,
dedos em forma de ternura
trazendo luz e calor
à escuridão dos dias incertos.

Agora...
agora preciso de tempo.
Tenho este corpo tela
suplicante de vida,
gemendo a dor da tua ausência.
Tenho também as memórias
das carícias prenhes de cor e fantasia.

Preciso de tempo
para te construir dentro de mim,
e depois deixar fluir o amor
que um encontro improvável tornou certeza,
ternura,
porto seguro,
paixão
eternamente inacabada
pelas nossas mãos.

©Graça Costa

CREPÚSCULO

Carregava o crepúsculo no olhar,
quase fardo,
quase dor,...
quase esperança.


Como numa melodia de saudade,
sussurrava palavras de silêncio
envoltas em lágrimas,
e seu corpo ondulava
como numa quase perfeita
imagem de oração.

Ela carregava o crepúsculo no olhar
mas, quando sentiu o apelo da noite,
deixou o corpo flutuar
como uma pena ao sabor da corrente.

Deslizou para o colo daquele anjo,
com os braços de ternura e pele de cetim
e ali ficou, saboreando o dia que adormecia.

Cansaço.
Era tanto cansaço,
que as estrelas brilharam mais forte,
apenas para lhe iluminar o sono.


©Graça Costa
imagem da web


 

quarta-feira, 9 de maio de 2018

VOU

Com a poeira da espera
enfrentei o corpo nu transcendente de afectos.

Que amante é esta
que o amante espera em súplica,
quase prece.

Que viver é este
prenhe de desejo,
alma na voz
e pele em chamas.

Aguardo,
com o corpo raiado de estrelas em dor
e o olhar crivado de esperança
pelo entardecer que me mereça.

No fio da noite
a brisa impele-me o voo.

Não sei se fique se ouse.
Lá longe sinto o ritmo compassado de ti,
que num sussurro hipnótico me chama.

Tremo na antecipação de te ter,
e de sorriso em riste,
vou ...

©Graça Costa
imagem da web


 

RECEITA PARA UMA VIDA ROUBADA


Um dia roubaram-me a vida e eu não percebi.
 Entrei no hipnótico caminho da dor
 com a leveza de uma bailarina em pontas,
 sem ver que, com o passar dos dias,
 os pés, tal como a vida começavam a sangrar.

Depois, parei e pensei :
 um dia esta dor ainda me vai ser útil
 e deixei-a engrossar, como torrente de lava encosta abaixo.

No desamparo do silêncio das noites em branco,
 alimentei a ira e o desencanto;
 derramei as lágrimas caladas durante os dias que corriam velozes,
 como velozes nasciam as marcas no rosto e os fios de prata no cabelo.

Depois, um dia cresci.
 Libertei a ira e resgatei do fundo de mim o efémero sentir dos humanos.
 Despertei do torpor de uma alma esfiampada
 e lenta mas persistentemente
 lancei-me na reconstrução de mim.

 Hoje, sou barro moldado por mãos hábeis, serenas e ternas.
 Na plasticidade dos dias,
 cresço e renasço com cada janela de esperança que abro.
 Junto-lhes alguma estravagância guardada no ventre da saudade,
 adiciono uma pitada de desejo,
 e deles retiro
 o meu pão,
 o meu mel,
 o sal com que tempero o tempo que resta.

©Graça Costa
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