sexta-feira, 23 de junho de 2017

POESIA

Quem és tu a quem chamam poesia?
De quem és filha?
De quem és mãe?
Que trazes contigo para seres assim
tão única,
tão bela,
tão prenhe de sonhos
memórias
lagrimas,
amores e paixões ?
Quem és tu que me rasgaste os sentidos
e num rendilhado de mel e espinhos
me obrigas a deixar cair no papel
estas palavras
e outras
e tantas outras que sinto,
mas ainda não ouso falar ?
Não te conheço o rosto
mas sinto-te a alma nos dedos,
o perfume na pele em chamas
o feitiço do querer e não querer,
as amarras e o não conseguir esquecer.
Não te conheço,
amiga,
amante ,
irmã,
mas sei que te trago na pele,
e que sem ti fico nua,
como recém - nascido sem cama.
©Graça Costa


quinta-feira, 22 de junho de 2017

CREPÚSCULO

Carregava o crepúsculo no olhar,
quase fardo,
quase dor,
quase esperança.

Como numa melodia de saudade,
sussurrava palavras de silêncio
envoltas em lágrimas,
e seu corpo ondulava
como numa quase perfeita
imagem de oração.

Ela carregava o crepúsculo no olhar
mas, quando sentiu o apelo da noite,
deixou o corpo flutuar
como uma pena ao sabor da corrente.

Deslizou para o colo daquele anjo,
com os braços de ternura e pele de cetim
e ali ficou, saboreando o dia que adormecia

Cansaço.
Era tanto cansaço,
que as estrelas brilharam mais forte,
apenas para lhe  iluminar o sono.


©Graça Costa
imagem da web


quarta-feira, 21 de junho de 2017

URGÊNCIA

Digam-me como conter a urgência ?
O que fazer quando sentes a pele rebentar de emoções,
e as palavras a borboletearem-te na cabeça,
incessantes,
intensas,
frenéticas ?
Digam-me como conter a urgência de ternura ?
Como pedir, sem pedir
lábios carnudos e sedentos de beijos
carícias, lamentos,
paixão,
a emoção do dar e receber
que antes de ser já se sente?
Digam-se, como viver sem sentir?
Porque não sei e não quero,
ser espectro errante sem alma
imagem de gente, mas não Pessoa.
Digam-me como conter a urgência de amar,
para que eu a acorrente no peito
e o mar não a leve com a mudança da maré.

©Graça Costa


LET

Let your skin be my road to heaven.
Let your lips be my dream to wonderland.
Let your body be the alphabet of love in disguise
of laughter,
of whispers,
of shivers,
of surrender.

My body is your shelter.
My touch the seed of love.
My eyes cross rough frontiers
just to caress your soul.

Take me,
to that place where streets have no name;
to that magic place that changes when we make love.
The sun shines stronger,
the rain is sweeter
and time stops
just to let us dream.

Take me
for I'm longing to your touch.


©Graça Costa


terça-feira, 20 de junho de 2017

TALVEZ

Talvez chame saudade,
à lágrima teimosa espreitando no canto do olho.

Talvez chame tristeza,
àquele olhar perdido nos horizontes da memoria.

Talvez chame ternura,
ao toque da pele ou à doçura de um beijo.

Talvez chame magia,
à delicadeza subtil com que embalo as palavras
só para vos fazer sorrir.

Talvez o sonho ganhe asas
e vos faça partir,
numa viagem sem rota
rumo a um qualquer amanhecer.

Talvez estas palavras ganhem vida
só porque sim…
porque tem que ser.




© Graça Costa


quarta-feira, 7 de junho de 2017

REENCONTRO


Tinha-te perdido nos escombros da alma
e no meio da dor esqueci o teu semblante.
De ti apenas restou
o brilho dos teus olhos quando me vias,
a forma como sorriam quando me amavas no silêncio da tarde
e o aroma tão nosso quando virávamos um.
Tinha-te perdido nos escombros da alma,
mas a alma tem muitas marés
e numa delas veio a tua mão estendida.
Reconheci-te pelo toque da pele…
Não precisei de palavras,
nem de explicações…
Só da tua pele na minha pele.
Não precisei de mais nada…
fechei o olhos e limitei-me a sentir
a intensa grandeza da paixão
renascida dos escombros da alma.

©Graça Costa 
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terça-feira, 6 de junho de 2017

DESEJO

Na sombra do fim da tarde
apeteces-me...
Desfaço-me do cansaço do dia,
fio a fio,
floco a floco,
qual melodia de embalo
derramado pela encosta da vida que passa.

Desfruto do entardecer
e espero...

Ao longe o som dos teus passos
vibrantes como desejo
ecoando na sombra do fim da tarde,
latejando
dentro de mim.



©Graça Costa.
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domingo, 4 de junho de 2017

ESPERANDO POR TI

Vestida lua e de espanto esperei por ti.

De sentidos e emoções em riste,
esperei que o vento te trouxesse ate mim
e a maresia fosse o timbre do amor na tua voz.

Envolta em sonhos e sussurros imaginados,
senti o arrepio da pele,
o brilho do olhar,
o sorriso a insinuar-se no rosto
tão cheio de expetativas quanto de enganos.

No entanto…esperei,
presa naquele fragmento de paraíso só meu,
que só tu sentes,
só tu vês,
só tu consegues tornar teu
apenas com a forma como me olhas.

Por ti espero,
neste dossel de noites eternas
embriagado de afectos,
onde a alma ganha voz
como um fado  gemido em êxtase e lamento.

Instantes de magia,
servidos em taças de ternura ;
fusão de pele,
melodias de outono tocadas a quatro mãos.




©Graça Costa
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sexta-feira, 2 de junho de 2017

A CURVA DO FIM DA TARDE

Esperei por ti na curva da tarde
como por ti esperou a fome do sentir.

Imaginei-te a romper a neblina
lentamente,
em slow motion,
saboreando cada passo que te trazia até mim.

Fechei os olhos e centrei-me nos sons,
no restolho que quebrava debaixo dos teus pés.

Mais  perto,
cada vez mais perto.

Não via , mas sentia o teu olhar preso no meu corpo
libertando-o de tudo o que te separava da minha pele.

E a pele sorria…
o olhar vidrava
o corpo gemia no silêncio da estrada.

Por fim senti-te chegar,
resposta à suplica muda que te pedia o olhar.

Arrepio de alma na curva da tarde.
Deitei-me no teu colo e deixei-me voar.

©Graça Costa
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EVASÃO

Deixou cair o olhar num vazio impreciso
meio loucura, meio mar,
frágil como um corpo nu ao romper da aurora,
após mais uma noite entre pesadelo e sonho.

Enleou os olhos na paisagem,
e deixou-os vaguear
perdidos no horizonte
em passos incertos,
como se o dia que raiava trouxesse prenúncio de morte.

Banhada em nostalgia,
truncada pela saudade de uma amor que nunca foi chão,
passeou pela orla do mar,
deixando a espuma das ondas tocar-me o corpo
como se fossem mãos.

Fechou os olhos, fingiu sentir o êxtase do amor por fazer
e fez-se maré levada pelo nevoeiro.

O coração dizia-lhe que estava muito para além da saudade
e o que sentia não tinha nome.

Serenidade, nostalgia,
amor, paixão, magia ?

Lançou tudo às ondas
e na orla da praia esperou
o que o mar lhe traria de volta.

Esperou …
e imaginou que nome lhe daria.

©Graça Costa
foto da web - autor desconhecido