sábado, 27 de fevereiro de 2016

PINCELADAS


Trago na pele
pinceladas de Agosto
tatuadas pelos teus beijos .

Na boca,
o sabor a Maio
e paisagens de Outono a brotar-me dos olhos.

Moldados pela brisa
passeiam-me pelo rosto
sorrisos rasgados de memórias
escritas nos sulcos das rugas adocicadas.
.
Dos sonhos com travo a canela,
guardo a textura dos dias enleada nos teus braços,
quando o futuro era uma tela em branco
e a vida,
um diálogo sem palavras de corpos cansados.

Trago na pele pinceladas de Agosto,
peço ao Inverno que termine a tela
e sorrio ao ver-te chegar.

Até já


©Graça Costa


DEIXA

Deixa
que a noite invada o horizonte das memórias
e os dias sejam de eternos recomeços
ainda que errantes e incertos.

Deixa
que os teus passos
sigam as minhas pegadas
e que a paixão seja a melodia
dos caminhos por inventar.

Deixa
que o meu corpo seja tela virgem
para o arrojo dos sentidos
e que consigas ler nos meus olhos
as castas que te escrevo sem palavras.

Deixa-me correr ao teu encontro
com a certeza que de sabes,
exactamente como tocar-me o corpo
e a alma sentir-se beijada.
com a certeza de que basta um olhar
para te sentir dentro de mim,
meu pintor  de corpos e telas,
de paixões incertas
e momentos eternos,
gravados em segundos.


©Graça Costa


sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

HERE I AM

Here I am,
crushed in the desire of who I am
and of what remained after you;
curled up on the wail of hope
who died before being sea.

Here I am,
with the thirst on the edge of skin
and hidden hunger in reason that is no longer there.

Story unwritten, although dreamed,
unlived, yet already felt,
designed at dawn deflowering the night.

Here I am in this passage of me
in this search of us
and of each tomorrow we invented,
on every  morning.

Here I am,
in the splendor of nudity in late afternoon
waiting for the magic touch,
of your skin,
on my skin.


© Graça Costa



FÉNIX

Se eu pudesse ser mar,
inundaria o teu chão com a força das marés.

Se eu pudesse ser lua,
faria um espelho de luz para te iluminar o ser.

Se eu pudesse ser chuva,
seria alimento de pura seiva no teu corpo.

Se eu pudesse ser fogo,
envolver-te-ia  num aconchego eterno.

Da fusão dos elementos,
renasceria,
qual fénix,
qual miragem de outonos silvestres
onde morte e renascimento se mesclam,
em cada amanhecer.


© Graça Costa




MAR DA VIDA

Espartanas as gotas de orvalho acariciavam-lhe o rosto,
antecipando um solarengo dia de outono.
Contudo, a sua alma estava negra,
como negro estava o futuro,
como negra a mão que lhe oprimia as palavras.

Palavras dolorosas e doentes,
que lhe dançavam enfurecidas nos horizontes da memoria
e na fonte dos sonhos.

Sentiu-se insegura,
quase patética,
numa fragilidade infantil
em que não se reconhecia.

Como pérolas
ou mesmo diamantes
recolheu as gotas de orvalho,
uma a uma,
quase a medo
e ante aquela pureza vestal
vislumbrou  a alquimia da vida.

Juntou o sal dos olhos
ao sussurro da alma aflita,
mais o grito de quem está a parir um pequeno deus
ao qual juntou um outro grito de esperança.

Ténue esperança,
mas ainda assim, esperança.

Juntou ao olhar e aos sentidos a paleta de cores do universo
e junto ao lago,
agora feito mar,
largou o negro,
como quem larga uma capa surrada e gasta pelo tempo e pela dor.

Depois,
envergando apenas a subtil beleza da nudez acabada de parir
encontrou a razão,
a razão de ser,
a razão de estar ali,
a razão de ser quem era.

E porque a razão tinha razão,
deu a si mesma a oportunidade de renascer.

Mergulhou naquele mar
salgado como a vida,
doce como um beijo,
revolto como a paixão,
misterioso como o milagre do ritmo sereno das marés
e navegou,
usando a rota do sonho
plantada no interior de si.


©Graça Costa


quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

FOME

Sinto na pele a fome do teu abraço;
o calor das palavras ditas entre o beijo e o outro beijo,
entre o sussurro e o grito,
entre o olhar e o sorriso
entre a entrega e a solidão.

Fome também das palavras...
das ditas e das por dizer;
das sentidas e das gritadas
das largadas ao vento e das presas nos raios de sol,
das gemidas e das inventadas,
pérolas displicentes,
esperando o momento.

Gosto desta fome e alimento-a de mais fome,
pois é da dor que nasce o poema,
e do poema nasce a paixão
com que pinto os dias que passo sem ti.

Pincel ou grafite,
aguarela ou esquisso,
pouco importa.

A fome tem muitas cores...


© Graça Costa

                                                        Sarah Elizabeth Lakey


SE

Se a chuva te lamber o rosto,
despe-te de tudo o que é dor,
das angustias,
dos temores,
dos sonhos adiados ,
da fúria,
do desencanto,
despe a roupa,
despe a alma,
e no esplendor da nudez
recebe as gotas da chuva,
como pérolas
no teu corpo.

Depois.
dá-as a beber
qual elixir de esperança,
num amanhã
por inventar.


© Graça Costa
imagem da web


DOS MEUS OLHOS

Falavam uma língua estranha aqueles olhos...
ora esmeralda
ora avelã azeitona de Elvas.
Falavam de afectos esquecidos,
memorias adormecidas,
sonhos perdidos nos confins da memória.

Talvez fosse medo...
medo de falar e não serem entendidos,
medo de gritar e serem acorrentados,
medo de sussurrar e ninguém ouvir...

Falavam, por isso aquela língua estranha,
a dos que ousam ter no peito
um coração que bate ao ritmo da neve numa noite de inverno,
dos que usam a melodia do amor
para soletrar as palavras que aqueles olhos falam,
mesmo quando dos lábios só ouvimos,
o embalo do silêncio.


©Graça Costa


quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

VONTADE

Existe no silêncio
um luar de nuvens mansas
uma alma secreta de murmúrios vestida
uma doçura tamanha,
que só de o prever já me embalo
do seu sentir.

Só quem conversa com o silêncio
tem alma para sentir o poema
que antes de o ser já dança na retina
já penetra a pele com a intensidade de um beijo
e desperta a fome do amor vivido em firmamentos distantes.

Oxalá a noite me doure os sentidos,
me crave na pele a vontade de me dar
e que o canto da minha voz, não seja voz
mas pele…
sedenta de outra pele.


©Graça Costa

                                                             Solly Smook

DESTINY


I knew we were bound
long before we met.
Deep inside I felt your love
as a feather caressing my soul
and your voice whispering
smoothly in my skin
an unwritten song
floating in time
waiting for our embrace.

I knew we were bound
long before we met.
Fate put you in my path
in the most unexpected way
when days were grey
and nights were stormy.
You came and I was frightened.
Still, I've let you in...
bath myself me in your scent
and allow sparkles of happiness
to enlighten the room.

Love flew
like tides in summer nights
and I …
I did surrender to your smile.


©Graça Costa


GOSTAVA DE TE DIZER

Gostava de poder dizer-te 
que o amor que sinto é do tamanho do universo,
mas não posso...
O universo pode ser demasiado pequeno e tenho receio de errar.
Gostava de poder dizer-te que o desejo que sinto
tem a magia de uma manhã clara,
mas nunca fui manhã e não sei definir essa magia.
Gostava de poder dizer-te que a felicidade é eterna,
mas sei que não é...
tal como sei que as palavras que escrevo
são apenas letras pintadas de emoção embrulhadas de cetim.
Por isso não te digo o amor que sinto.
Deixo que o descubras
e que o digas por mim.

©Graça Costa


terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

FELICIDADE

Da felicidade já interiorizei
a sua fragilidade,
assimilei a subtileza do seu toque,
a ternura da sua chama,
a suavidade do seu abraço,
a efemeridade do seu amanhecer.

Feito isto,
dela apenas posso desejar,
que dure o suficiente
para se tornar memória.

©Graça Costa




SEM AVISO

Quase sem aviso
o beijo aconteceu.

Como poema calado
cresceu lentamente,
maré mansa,
que vira fogo
ateado pela urgência do desejo.

Perdido na ponta do medo
surgiu assustado
mas logo se agigantou
explorando os sentidos
com mestria de escultor
e delicadeza de tela pintada a pastel.

Colou-me na pele pigmentos carmim,
sugou-me a alma e o sentir,
tornou-me amante insuspeita
de dias calmos e noites errantes
em que apenas o desejo tem voz.

E do beijo nasceu a entrega
e da entrega, a melodia dos corpos em chama...
poema vivo,
salpicado por gotas de mar,
em tons de êxtase .

© Graça Costa

                                                           Matteo Arfanotti

IMPROVÁVEL

Frio, cinzento e chuvoso
o dia trazia consigo o prenuncio de tristeza.

Frios e tristes
também os olhares dos transeuntes
que abraçados em si mesmos
pareciam querer guardar para a eternidade
uma réstia de calor ou de esperança num pequeno raio de sol.

No ar, uma aura de estranheza
sufocada pelo vento bruto,
agreste,
mandão.

Naquele dia que acordou frio e triste
nada fazia prever
que o horizonte do fim da tarde
fosse envolvido
por aquele quente, delicado e hipnótico calor.

E foi então que o improvável aconteceu.

O dia transmutou-se,
através do simples olhar de uma Mulher.


©Graça Costa


segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

NO TEU OLHAR

Encontrei um perfume de poesia no teu olhar.

Sem saber como defini-lo
estendi-lhe o sorriso e bebi-o,
lentamente,
em silêncio,
como ritual sagrado.

Saboreei cada trago
com a dolência da paixão imprevista.

Deixei-me levar pelo arrepio da eternidade do momento.

Encontrei um perfume de poesia no teu olhar.

Vieste sem aviso mas com a força de uma maré viva
e eu recebi-te com a ternura de uma onda a beijar a areia.

Sem saber como te responder,
vesti-me de lua
coloquei nos cabelos pétalas de orvalho
e dei-me ao teu olhar em oferenda.

Depois anoiteceu…
e a noite é cúmplice de amantes inquietos.


©Graça Costa
imagem retirada do Pinterest


ROTA DO SONHO

Percorre-me o corpo como se fosse mar
e toca-me a alma como se fosses brisa.

Desperta-me os sentidos e torna-me tua.
Bebe-me.
Saboreia-me.

Entranha-me na tua pele
e nessa mescla do tudo e do nada
de excessos e devaneios,
façamos da noite uma melodia de afectos
languida e suave como o amor que termina e recomeça,
como maré
sem cessar.

E quando o cansaço for maior que o desejo
saibamos morrer…
entrelaçados,
exaustos pelo prazer vivido e pelo que há-de vir
quando o brilho do olhar
voltar a incendiar-nos a pele.

©Graça Costa
imagem da web





sábado, 20 de fevereiro de 2016

FICA

Bebe-me os sentidos
como se fosses brisa e eu fosse mar.

Saboreia-me a pele
como se fosse mel
e derrete-te nos meus olhos.

Deixa que a madrugada me inunde o Ser
e o dia surja com a serenidade de uma melodia primaveril.

Deixa...
mas fica,
que o corpo pede e a alma exige
a perene entrega dos corpos em chama.

Deixa-te ficar no meu corpo feito luz,
no meu peito feito cama
e quando o sono vier...
dorme...
mas fica dentro de mim

©Graça Costa


                                                                 Dorina Costras

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

A LITTLE PIECE OF HEAVEN

I taste a little piece of heaven
each time your lips travel around my skin.

I taste a little piece of heaven
each time you touch me
and my body becomes a violin,
a piano,
a full orchestra,
or only a whisper
lost in the room.

I taste a little piece of heaven
each time I close my eyes
and let my soul fly
throughout the warmth of your embrace.

Our love is heaven in slices,
an open book with empty sheets
for us to draw,
all new world to discover.

All we have to do is believe
that soulmates ate meant to be
and that miracles need to be fed
to keep on sparkling.


©Graça Costa


CONTIGO

Bom quando o sorriso se solta dos lábios
e voa directo aos teus olhos.

Bom quando o beijo ganha asas e mesmo ao de leve
consegue arrancar-te um arrepio da alma.

Bom quando do toque da pele nasce o rendilhado da paixão,
da brisa, a canção,
do raio de sol, a fusão dos corpos,
quentes e suados como monções.

Bela a troca de olhares que o universo entende.
Belas as palavras sussurradas ao luar,
cúmplices de noites eternas.

Contigo, 
a branda textura do amanhecer
tem brilho de diamante
e o odor de vida acabada de florir.

Contigo sou mar e chama
harmonia e desengano,
flor do campo e arvoredo
alma irrequieta,
sossego

Assim fico
bebendo os dias bordados a pincel
em que o meu corpo é tela
e o teu
tinta fresca penetrando a aurora.



©Graça Costa



AMIGO

Amigo,
pedaço de mim que dou a guardar,
espero que o faças com carinho de irmão
e nas horas de dor
possa sentir o calor da tua mão.

Que o não há longe nem distância
não seja mito mas verdade
e que as frases feitas
tenham recheio de ternura partilhada.

Amigo,
pele da minha pele
voz da minha voz
sorriso dos meus olhos,
lembra-me nas tuas preces
recorda-me na tua paleta de sonhos,
toma-me nos teus braços
e se eu chorar
chora comigo ou enxuga-me as lágrimas.

Amigo,
quem és tu?

Não sei sequer se existes...
mas gosto da construção
que fiz de ti,
de como te desenhei
dos aromas com que te envolvi
e como te tenho guardado,
qual tesouro no baú das memórias
que talvez nunca tenham chegado a ser dia.


© Graça Costa

                                                             Amanda Cass...

OUSADIA

Ousara eu ser sol para te afagar o rosto.
Ser lágrima para te escorregar na pele.
Ser mar para te envolver na maré.

Ousara eu ser terra
para te plantar um sorriso nos lábios
sereno e suave como fim de tarde,
aconchego da noite,
celebração de amantes no esteio da vida.

Ousara eu ser maresia,
ternura,
fantasia,
ladra dos teus abraços
no turbilhão profuso dos  afectos.

Ousara eu Ser
e morreria plena de mim
no teu olhar…


©Graça Costa

                                                                      Esther Bayer 

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

O BEIJO


No dedilhar do piano
imaginei o beijo,
doce,
carnudo,
sumarento como amora madura
degustada à beira do mar.

Fechei os olhos
e no embalo das notas
o beijo ganhou forma,
límpida e cristalina como gota de orvalho
no despontar do amanhecer.

Com o beijo nasceu o sorriso,
e com o sorriso o abraço
e com o abraço o enlaço.

Sereno e algo travesso estampou-se no rosto
percorrendo o corpo,
com a inocência
de uma primeira vez.

© Graça Costa






NA MINHA PELE

Ontem vesti-me de noite para me esconder da escuridão.
Hoje, apenas de pele para me perder na tua mão.

Quando a alvorada romper a noite
e a pele continuar pele,
que a tua mão será para ela cama
ternura,
afectos em chama.

Fica...
Embala-me o sono
toca-me o rosto em tom de abandono
mas fica...

Fica...
porque a pele chama
e o corpo reclama,
a tua pele
perdida na minha pele.

©Graça Costa


CONTINUAR

Aquela fusão de céu e mar
trazia-lhe uma espécie de paz,
qual mantilha de felpo
macia,
aromática,
pontilhada de maresia e caramelo.
Naquela paisagem sem fim
passeavam pedaços de si.
Primeiros passos,
primeiros risos,
sons,
cheiros,
matizes de outros verões,
outras vidas.
outras canções.
Havia naquele lugar um quê de verdade,
um quê de ternura,
um quê de emoção
que lhe humedecia o olhar e lhe aquecia o coração.
Naquela paleta de tons de azul
descansava sempre que se sentia só.
Por isso voltava,
repetidamente voltava,
e naquela fusão de céu e mar
bebia, de um trago
a coragem para continuar.
©Graça Costa


quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

APENAS

Abraça-me como se tudo estivesse no principio
e os teus dedos tocassem a minha pele pela primeira vez.

Apura os sentidos e decora-me o cheiro e o sabor.

Lavra-me o corpo de terra orvalhada
e planta-me a chuva no rosto
e as sementes da paixão na pele.

Depois espera...
contempla como o teu olhar se insinua,
perante o banquete de aromas, texturas e sabores
que o meu corpo te oferece.

Sacia-te neste campo de frutos silvestres
neste mar de coral
nesta fonte de água fresca.

Ou então...
abraça-me apenas.


©Graça Costa
imagem da web


FEEL ME

Run through the streets of my body
as if it were your town.
Find out the details of regret.
Board on the destination you deny,
but you can't avoid.

Feel me ...
Engage yourself in the heat of the skin,
in the groans that night silences
and the sea breeze consent.
Dare smiling to the unknown who calls you.

Hear me,
between the silence and the shout.
Learn with me speechless feelings.
Lets Invent a new language,
serene and fluid like the glitter look,
after love shared
on the turning of the tide.


©Graça Costa
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AMANHECENDO

O amanhecer trouxe-lhe à retina, memórias dos tempos em que o tempo não tinha tempo e a vida era vivida ao segundo, com a intensidade de um nunca mais.

Sentiu saudades desse tempo, em que tecia o tempo com mãos de amante e olhos de artista;

em que no silêncio da noite compunha a quatro mãos sinfonias com os tons quentes e suaves de outonos dourados e o sono era embalado pelas carícias que só o amor cúmplice reconhece.

Nesse amanhecer, enquanto o sol rasgava a aurora, sentiu o aroma familiar do amor recente e ficou um pouco mais, saboreando o alimento dos sentidos e a magia do dia que nascia.

Beijinho da Graça


©Graça Costa



RETRATO DE UMA PRIMAVERA ANUNCIADA

Olhos de mirtilo,
boca de romã
pele de damasco,
sabor de amora, jasmim, canela e hortelã.

Deleite para os sentidos,
só de olhar
mata sede,
atenua fome,
aguça desejos inconfessáveis.

Imagino-a
com a sua paleta de cores, sorrisos e aromas,
com a sua gaiatice sensual,
chamando por alguém
apenas com o olhar.

No seu dossel de veludo e cetim,
despida dos encantos frutados,
pele serena e marfinada
entra suave e leve no mundo dos sonhos.

Sonhos sonhados,
decantados,
filtrados pela miragem
do amor em construção.

Com ela guarda os segredos da pele
que fala a língua de um amanhã sem hora marcada.

Linguagem subtil...
com um toque de canela.


©Graça Costa


terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

AO OUVIDO DO AMANHECER

Anda…
Vamos inventar um dia novo,
desenhado a aguarela ou a pastel
melodia ou primavera,
doce e mágico como beijo roubado,
nas colinas do sonhos e da imaginação.

Anda…
dá-me a tua mão.

Deixa-me guiar-te neste mundo inventado
em que o corpo ganha voz
magia e sedução.

No teu olhar sinto a urgência das marés,
o marulhar dos afectos, 
a fome por saciar.

Nas palavras por dizer,
pressinto  trilogias escritas a quatro mãos
ao som do crepitar das chamas
e dos corpos suados pela paixão.

Pressinto a madrugada e o calor da tua boca
e assim fico
quieta e nua,
presa no limbo de poemas sussurrados,
ao ouvido do amanhecer.


©Graça Costa



segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

AMA-ME

Ao longe
a sombra de um corpo nu invadia o espaço de promessas.

Sabia o teu olhar preso em mim
e derretia-me por dentro,
antes mesmo do sabor do beijo
ou do toque suave dos dedos.

Sentia, mas não pedia nada.
Alimentava o sonho
com suaves movimentos do corpo,
como que dançando,
num convite subtil a devaneios e sonhos
vividos ou ainda por viver.

Sinto-te os passos
flutuando em direcção ao meu abraço.

Sinto-te,
mas não te quero ver...
apenas sentir,
abandonar-me em ti
qual naufrago em porto seguro.

Ama-me.

Liberta-te dos medos do amanhã que pode não vir
e ama-me,
até que a noite ceda
ao cansaço dos sentidos.

 ©Graça Costa

                                                              HENRY ASENCIO

CONVERSANDO COM O SILÊNCIO

Existe no silêncio
um luar de nuvens mansas
uma alma secreta de murmúrios vestida
uma doçura tamanha,
que só de o prever já me embalo
do seu sentir.

Só quem conversa com o silêncio
tem alma para sentir o poema
que antes de o ser já dança na retina
já penetra a pele com a intensidade de um beijo
e desperta a fome do amor vivido em firmamentos distantes.

Oxalá a noite me doure os sentidos,
me crave na pele a vontade de me dar
e que o canto da minha voz, não seja voz
mas pele…
sedenta de outra pele.


©Graça Costa



AMANTES SEM TEMPO

Partiste,
deixando-me um desejo tardio no corpo.
O, até logo, sussurrado
deixou no ar um aroma de promessas
e no olhar uma paixão por cumprir.

No beijo,
ficaram as palavras por dizer
na pele as carícias por sentir
e na alma o amor revisitado
que a noite sempre me traz.

Foi então que a magia aconteceu,
e o dia fez-se noite
somente para eu te ter.

Senti-te chegar
e sorri.

Soltei o corpo
e deslizei para o horizonte selvagem,
onde os sonhos ganham voz
pelas mãos dos amantes sem tempo.

©Graça Costa 

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

ONCE IN A WHILE

Once in a while I shiver,
my skin surrenders
my heart stops beating,
my eyes enlighten,
my all collapses
and I fell happy as a butterfly smashing its cocoon
and learning to fly.

Those are our moments
when our bodies become tides,
storms and sunsets at the same time.

On those days,
world is a place unknown
and all I ask
is the peace to live it slowly,
to taste it gently,
to become one
over and over  again.

On those days
I just look at you,
take a deep breath
and let the feelings take control.


©Graça Costa


OUVE

Escuta.
Mergulha no silêncio e escuta o corpo que te fala.

Ouve o clamor da pele,
a toada triste das suas cicatrizes
quando lhes afagas o contorno da dor.

Ousa e ouve também a sua fome, os seus desejos,
a alquimia dos sentidos que a pele reclama.

Embrenha-te no silêncio da noite e ouve como ela,
ora chora, ora  canta
ora implora, ora dá,
entoando melodias por inventar.

Sem pressas, 
observa cada curva,
cada poro,
cada marca.
Sente a dança dos sentidos
e deixa-te ser pele de outra pele

Ouve,
deixa-me ser dona do teu sentir,
fundir-me na tua pele,
murmurar-te desejos de equinócios distantes,
enlouquecer de ternura,
explodir de prazer no teu ouvido.

Deixa-me explorar o limite do sentir
devagar,
serenamente,
como quem declama um poema soletrado a meia voz.

Murmúrios da pele,
sede….
desafio,
banquete de almas unidas
pela bebedeira de sentidos inquietos.




©Graça Costa
Charmaine Olivia

FAÇAM SILÊNCIO

Façam silêncio...

Vejam o poema que nasce
naquela boca carnuda
como morango silvestre em pasto verde.

Vejam a forma como se move,
como insinua o beijo sem o dar,
como inflige dor sem tocar,
como aguça a fome sem falar.

Vejam como as palavras são excessivas,
perante uma gota de suor
descendo pelo peito,
para morrer subtilmente onde a vida começa.

Sintam a magia de uma alma consumida pelo fogo de paixão
libertando-se das amarras
para com ela escrever a melodia de um refrão.

Sintam…
mas façam silêncio
que a obra nasce sem ser pedida,
e as  palavras
são apenas o tempero colorido dos sons
com que pintamos as telas da vida.

©Graça Costa


quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

EMERGÊNCIA DOS SENTIDOS

Serena a noite envolve-me o corpo,
tal como os teus dedos me envolvem os sentidos
e os teus beijos me derretem a pele.

Com mestria de poeta dedilhando as palavras,
desfolhas o meu corpo em flor
que vibra e ondula como seara de trigo em fim de verão.

Emergência dos sentidos.
pele em chama,
tortura,
paixão,
abismo do entardecer.

E no final da noite,
quando o cansaço reclamar silêncio,
que o meu corpo seja chão
e o teu chuva,
para que a manhã traga consigo a semente
dos recomeços eternos.


©Graça Costa

                                                                   Virginie Bocaert


MAGIA

A noite acordou-me com os teus dedos bebendo o meu corpo.
Magia serena,
envolta em doçura e ternura extremas.

Fingi que dormia
saboreando o desejo que o teu corpo trazia.

Depois entoei o silêncio
e dele fiz melodia de oferenda.

Dei-me,
sem receio nem reservas,
sem perguntas,
sem anseios.

À madrugada roubei a luz ténue
que me conduziu ao teu abraço.
Às estrelas, o calor para adormecer o cansaço.

A noite acordou-me com os teus dedos bebendo o meu corpo.
Mais tarde,
após a magia dos corpos em chama,
veio sono
e levou-nos aos dois.

Um sorriso ficou suspenso no orvalho da manhã...

©Graça Costa
imagem retirada da web





terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

O SILENCIO DOS SEUS OLHOS

E de repente o silêncio.
Um silêncio tão ensurdecedor como lava de vulcão
descendo a montanha.
O silêncio dos seus olhos
era um livro aberto ao desconhecido,
um memorial de sensações
com as cores quentes e intensas
de um mercado ao ar livre,
de cravo, canela
manjerona e maresia.
O silêncio dos seus olhos
no seu grito surdo e atónito
sibilava liberdade e ousava voar.
Foi então que num certo amanhecer
o grito saltou do peito
e o silêncio dos seus olhos
ganhou voz,
forte e cristalina
como fonte de água fresca
rasgando a madrugada.
Fúria de viver
ecoando no fim da estrada.
©Graça Costa


segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

AMANHÃ


No amanhã que começa a nascer,
quero que saibas que a alfazema do jardim
vibra de aromas e tons de maresia.

Que a lua sorri aos amantes sem tecto
e lhes estende os braços dando-lhes uma cama de afectos,
que os olhos brilham,
ansiosos pelos sonhos ainda por sonhar,
e que a vida rola
como carrossel de risos e lamentos
abraços e tormentos,
tecendo a rede
dos dias calmos
ou de dias de tormentas.

Quando o amanhã surgir no horizonte
talvez esteja nos braços do sono
ou dentro de um sonho com cheiro de alfazema
e tons de jasmim.

Se assim for, estarei sorrindo
porque os braços da lua entenderam-se para mim.
©Graça Costa



sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

CHEGASTE / AT LAST

Chegaste de beijo em riste
e de pele em chama.
No olhar a súplica da carne ferida,
o soluço surdo da ausência,
o caminho aberto à doçura da carícia.

Vem
que me sufoca a agonia da ausência das tuas mãos
e doem-me os dias marcados a tons de cinza e vento norte.

Vem,
que te sinto a presença ainda que não te veja.
Vem,
que que o cinza dos dias tornou-se luz
iluminando o meu corpo guia para o teu caminho.

Chegaste de beijo em riste
e de pele em chama.

No canto da sala apenas o gemido da fome
e sorrisos de festa e dor
ante o banquete de corpos cansados,
estrelas guia de paixões incontidas
e noites eternas.

©Graça Costa


AT LAST

With an upraised kiss
and skin in flames you arrived.

On your look a pleading of bruised flesh
a muffled sob of absence
and an highway to the sweetness of caresses.

The absence of your hands suffocates me.
It makes my days hurt
and marked in gray and northerly wind tones.
I almost feel you
although I cant see you yet.

The grey becomes lighter
iluminating my body just to guide your path.

With an upraised kiss
and skin in flames you arrived.

On the room's corner
just a hunger moan 
before the feast of bodies and souls
guiding stars of unrestrained passions
and eternal nights.

©Graça Costa




                                                         Channig Tatum


quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

URGÊNCIA


Digam-me como conter a urgência ?
O que fazer quando sentes a pele rebentar de emoções,
e as palavras a borboletearem-te na cabeça,
incessantes,
intensas,
frenéticas ?

Digam-me como conter a urgência de ternura ?

Como pedir, sem pedir
lábios carnudos e sedentos de beijos
carícias, lamentos,
paixão,
a emoção do dar e receber
que antes de ser já se sente?

Digam-se, como viver sem sentir?
Porque não sei e não quero,
ser espectro errante sem alma
imagem de gente, mas não pessoa.

Digam-me como conter a urgência de amar
para que eu a acorrente
e o mar não a leve com a maré.


©Graça Costa