quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

DOS MEUS OLHOS

Falavam uma língua estranha aqueles olhos...
ora esmeralda
ora avelã azeitona de Elvas.
Falavam de afectos esquecidos,
memorias adormecidas,
sonhos perdidos nos confins da memória.

Talvez fosse medo...
medo de falar e não serem entendidos,
medo de gritar e serem acorrentados,
medo de sussurrar e ninguém ouvir...

Falavam, por isso aquela língua estranha,
a dos que ousam ter no peito
um coração que bate ao ritmo da neve numa noite de inverno,
dos que usam a melodia do amor
para soletrar as palavras que aqueles olhos falam,
mesmo quando dos lábios só ouvimos,
o embalo do silêncio.


©Graça Costa