sexta-feira, 23 de junho de 2017

POESIA

Quem és tu a quem chamam poesia?
De quem és filha?
De quem és mãe?
Que trazes contigo para seres assim
tão única,
tão bela,
tão prenhe de sonhos
memórias
lagrimas,
amores e paixões ?
Quem és tu que me rasgaste os sentidos
e num rendilhado de mel e espinhos
me obrigas a deixar cair no papel
estas palavras
e outras
e tantas outras que sinto,
mas ainda não ouso falar ?
Não te conheço o rosto
mas sinto-te a alma nos dedos,
o perfume na pele em chamas
o feitiço do querer e não querer,
as amarras e o não conseguir esquecer.
Não te conheço,
amiga,
amante ,
irmã,
mas sei que te trago na pele,
e que sem ti fico nua,
como recém - nascido sem cama.
©Graça Costa


quinta-feira, 22 de junho de 2017

CREPÚSCULO

Carregava o crepúsculo no olhar,
quase fardo,
quase dor,
quase esperança.

Como numa melodia de saudade,
sussurrava palavras de silêncio
envoltas em lágrimas,
e seu corpo ondulava
como numa quase perfeita
imagem de oração.

Ela carregava o crepúsculo no olhar
mas, quando sentiu o apelo da noite,
deixou o corpo flutuar
como uma pena ao sabor da corrente.

Deslizou para o colo daquele anjo,
com os braços de ternura e pele de cetim
e ali ficou, saboreando o dia que adormecia

Cansaço.
Era tanto cansaço,
que as estrelas brilharam mais forte,
apenas para lhe  iluminar o sono.


©Graça Costa
imagem da web


quarta-feira, 21 de junho de 2017

URGÊNCIA

Digam-me como conter a urgência ?
O que fazer quando sentes a pele rebentar de emoções,
e as palavras a borboletearem-te na cabeça,
incessantes,
intensas,
frenéticas ?
Digam-me como conter a urgência de ternura ?
Como pedir, sem pedir
lábios carnudos e sedentos de beijos
carícias, lamentos,
paixão,
a emoção do dar e receber
que antes de ser já se sente?
Digam-se, como viver sem sentir?
Porque não sei e não quero,
ser espectro errante sem alma
imagem de gente, mas não Pessoa.
Digam-me como conter a urgência de amar,
para que eu a acorrente no peito
e o mar não a leve com a mudança da maré.

©Graça Costa


LET

Let your skin be my road to heaven.
Let your lips be my dream to wonderland.
Let your body be the alphabet of love in disguise
of laughter,
of whispers,
of shivers,
of surrender.

My body is your shelter.
My touch the seed of love.
My eyes cross rough frontiers
just to caress your soul.

Take me,
to that place where streets have no name;
to that magic place that changes when we make love.
The sun shines stronger,
the rain is sweeter
and time stops
just to let us dream.

Take me
for I'm longing to your touch.


©Graça Costa


terça-feira, 20 de junho de 2017

TALVEZ

Talvez chame saudade,
à lágrima teimosa espreitando no canto do olho.

Talvez chame tristeza,
àquele olhar perdido nos horizontes da memoria.

Talvez chame ternura,
ao toque da pele ou à doçura de um beijo.

Talvez chame magia,
à delicadeza subtil com que embalo as palavras
só para vos fazer sorrir.

Talvez o sonho ganhe asas
e vos faça partir,
numa viagem sem rota
rumo a um qualquer amanhecer.

Talvez estas palavras ganhem vida
só porque sim…
porque tem que ser.




© Graça Costa


quarta-feira, 7 de junho de 2017

REENCONTRO


Tinha-te perdido nos escombros da alma
e no meio da dor esqueci o teu semblante.
De ti apenas restou
o brilho dos teus olhos quando me vias,
a forma como sorriam quando me amavas no silêncio da tarde
e o aroma tão nosso quando virávamos um.
Tinha-te perdido nos escombros da alma,
mas a alma tem muitas marés
e numa delas veio a tua mão estendida.
Reconheci-te pelo toque da pele…
Não precisei de palavras,
nem de explicações…
Só da tua pele na minha pele.
Não precisei de mais nada…
fechei o olhos e limitei-me a sentir
a intensa grandeza da paixão
renascida dos escombros da alma.

©Graça Costa 
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terça-feira, 6 de junho de 2017

DESEJO

Na sombra do fim da tarde
apeteces-me...
Desfaço-me do cansaço do dia,
fio a fio,
floco a floco,
qual melodia de embalo
derramado pela encosta da vida que passa.

Desfruto do entardecer
e espero...

Ao longe o som dos teus passos
vibrantes como desejo
ecoando na sombra do fim da tarde,
latejando
dentro de mim.



©Graça Costa.
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domingo, 4 de junho de 2017

ESPERANDO POR TI

Vestida lua e de espanto esperei por ti.

De sentidos e emoções em riste,
esperei que o vento te trouxesse ate mim
e a maresia fosse o timbre do amor na tua voz.

Envolta em sonhos e sussurros imaginados,
senti o arrepio da pele,
o brilho do olhar,
o sorriso a insinuar-se no rosto
tão cheio de expetativas quanto de enganos.

No entanto…esperei,
presa naquele fragmento de paraíso só meu,
que só tu sentes,
só tu vês,
só tu consegues tornar teu
apenas com a forma como me olhas.

Por ti espero,
neste dossel de noites eternas
embriagado de afectos,
onde a alma ganha voz
como um fado  gemido em êxtase e lamento.

Instantes de magia,
servidos em taças de ternura ;
fusão de pele,
melodias de outono tocadas a quatro mãos.




©Graça Costa
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sexta-feira, 2 de junho de 2017

A CURVA DO FIM DA TARDE

Esperei por ti na curva da tarde
como por ti esperou a fome do sentir.

Imaginei-te a romper a neblina
lentamente,
em slow motion,
saboreando cada passo que te trazia até mim.

Fechei os olhos e centrei-me nos sons,
no restolho que quebrava debaixo dos teus pés.

Mais  perto,
cada vez mais perto.

Não via , mas sentia o teu olhar preso no meu corpo
libertando-o de tudo o que te separava da minha pele.

E a pele sorria…
o olhar vidrava
o corpo gemia no silêncio da estrada.

Por fim senti-te chegar,
resposta à suplica muda que te pedia o olhar.

Arrepio de alma na curva da tarde.
Deitei-me no teu colo e deixei-me voar.

©Graça Costa
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EVASÃO

Deixou cair o olhar num vazio impreciso
meio loucura, meio mar,
frágil como um corpo nu ao romper da aurora,
após mais uma noite entre pesadelo e sonho.

Enleou os olhos na paisagem,
e deixou-os vaguear
perdidos no horizonte
em passos incertos,
como se o dia que raiava trouxesse prenúncio de morte.

Banhada em nostalgia,
truncada pela saudade de uma amor que nunca foi chão,
passeou pela orla do mar,
deixando a espuma das ondas tocar-me o corpo
como se fossem mãos.

Fechou os olhos, fingiu sentir o êxtase do amor por fazer
e fez-se maré levada pelo nevoeiro.

O coração dizia-lhe que estava muito para além da saudade
e o que sentia não tinha nome.

Serenidade, nostalgia,
amor, paixão, magia ?

Lançou tudo às ondas
e na orla da praia esperou
o que o mar lhe traria de volta.

Esperou …
e imaginou que nome lhe daria.

©Graça Costa
foto da web - autor desconhecido




quarta-feira, 31 de maio de 2017

VERTIGEM

Vertigem...

Alquimia de afectos.
Sentidos incandescentes,
profusão estonteante de aromas e sabores.


Depois o silêncio,
o deleite do saboreio nos teus olhos almiscarados
em busca dos meus.

E novamente o toque da pele.
E novamente a magia,
e o mistério da descoberta de ti.

Vertigem...
sede,
magia,
paixão.

Imensidão de eternidade.
Ternura serena na fusão dos corpos,
em chama lenta.

©Graça Costa
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segunda-feira, 29 de maio de 2017

MY BODY

My body,
white page in your hands,
kiss to uncertain lips,
sometimes gentle,
sometimes urgent.

My body,
of a sweet texture,
cotton,
linen,
satin,
challenge I offer you,
fully,
for you to lose
and find yourself.

My body,
yours,
for you to enjoy,
to flavour,
to feed you,
and feed me.

Indulge my hunger of needing you,
and bind on my skin,
the urgency of new beginnings

© Graça Costa
image from
 Ines Araújo


domingo, 28 de maio de 2017

MISTÉRIOS DA PELE

Aguarela de pele,
rugosa
macia
doce
amargurada;
branca
rosada
gritando alarmada.

Solidão de pele na noite aninhada,
braço estendido
voz abafada,
lágrima quente
alma disfarçada.

Mas solta-se a voz
na nudez da noite,
e a pele sorri 
ao vento abraçada
num sorriso meio louco.

Enverga um vestido
esculpido a cinzel
grito de veludo,
carícia
poema,
ou apenas
pele
em textura plena.


©Graça Costa
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sábado, 27 de maio de 2017

DEPOIS

Trazia o outono nos cabelos
e um prado de erva fresca no olhar.

Caminhava como se trouxesse o luar nos pés,
iluminando o caminho
e semeando sorrisos.

O corpo nu,
convidava ao deleite de noites de verão
embaladas por brisa suave
e choro de guitarras.

Entreguei-me ao entardecer,
como se pudesse parar o tempo
e quase em súplica, sussurrei o teu nome ao vento.

Foi então que chegaste
e me cobriste o corpo de beijos
com a fome dos dias longos
e das noites por inventar.

Dei-me de novo
como da primeira vez,
sem medos nem lamentos,
toda alma,
todo corpo,
toda luz.

Depois veio a magia dos nossos corpos em chama,
o milagre da fusão
a exaustão.

Enrolei-me no teu corpo de mel
e deixei o sono levar-me
até ao mundo doce dos sonhos e das memórias.

Sereno o sono depois do amor...


©Graça Costa
imagem da web



sexta-feira, 26 de maio de 2017

MEMÓRIAS

Trazia estampado no rosto 
o sorriso dos dias claros.

Nos olhos o brilho sereno dos tempos
em que um olhar, ainda que subtil, bastava
para gravar o momento nas paredes da eternidade.

Palavra semi ditas, 
ou apenas sussurradas,
faziam dançar o coração,
como joaninhas num campo de malmequeres.

Lanche partilhados no lancil dos passeios,
tinham o esplendor de jantares à luz de velas.

Desses tempos,
em que era feliz e não sabia,
tenho armazenadas saudades,
de lugares, gentes e gestos
de aromas, fantasias, afectos.

Desses tempos,
guardo a memoria do coração descompassado,
o sabor do beijo nunca dado
o olhar travesso do seduzido, sedutor,
o querer e o não querer ,
o desejo e o pavor de o ter.

Memórias,
tesouros guardados na gaveta do sentir,
amoras silvestres salpicadas de chocolate negro
que saboreio…
de quando em vez,
apenas porque quero.


©Graça Costa
imagem da web


quarta-feira, 24 de maio de 2017

A GUERREIRA

Tinha a alma fustigada
pelas lembranças de uma paixão sem memórias.

Naquele imaginário insólito
jamais se apercebera do imenso manto de solidão
em que envolvera a sua vida.

Dia a dia, ia trocando as máscaras
com que enfrentava os olhares se se cruzavam com os seus,
vivendo sem viver,
qual espectro de luz de vela
sujeito à emotividade da brisa.

Tinha a alma fustigada por lembranças em marca d’agua,
e sofria…

Precisava sentir a chuva nos cabelos,
o sol no rosto,
reinventar-se
e como página em branco,
recomeçar.

Um dia ousou viver e tirou a tirou a máscara.

Guardou-a no armário,
e com a displicência de guerreira em véspera de batalha
acendeu um fósforo,
virou a costas,
sorriu
e ficou a ouvir o crepitar das chamas.



©Graça Costa
imagem da web - autor desconhecido


segunda-feira, 22 de maio de 2017

GOSTAVA DE TE DIZER - dedicado ao meu filho mais novo num dia especial

Gostava de poder dizer-te
que o amor que sinto é do tamanho do universo,
mas não posso...
O universo pode ser demasiado pequeno e tenho receio de errar.
Gostava de poder dizer-te que o desejo que sinto
tem a magia de uma manhã clara,
mas nunca fui manhã e não sei definir essa magia.
Gostava de poder dizer-te que a felicidade é eterna,
mas sei que não é...
tal como sei que as palavras que escrevo
são apenas letras pintadas de emoção
e embrulhadas de cetim.
Por isso não te digo o amor que sinto.
Deixo que o descubras
e que o digas por mim.
©Graça Costa

E ele disse...
Obrigada filho.


sábado, 20 de maio de 2017

NOITE

Vesti-me de noite para me perder na escuridão.
Nela encontrei a paz que o dia me roubou.
Doce noite, que me embriaga os sentidos e me ilumina o olhar.
De ti me alimento,
e contigo fico
até que me embales o sono com o teu beijo de mãe,
ou carícia de amante.


©Graça Costa
foto da web, sem autor identificado


PROMISE ME

Promise me
you'll paint the horizon
with september colours
and autumn scents.

Dress me
with red golden leaves
and make dance in your arms
as if I was a newborn bird who lost its mother.

Promise me
you'll be
my shelter
and my home,
my lover, and my friend.

Stay inside me,
forever and always,
because without you,
days are grey
and nights are pale.

Stay...
Because melodies of surrender
are made at nightfall
and those miracles only happen
when soulmates like us
are around.


©Graça Costa
imagem da web


SE UM DIA

Se um dia eu for lago,
que o teu corpo fique sedento
e mergulhes por mim dentro,
até te saciares.

Se um dia eu for chuva
presa numa nuvem de papel,
peço ao olhar lágrimas doces
para que as bebas ao anoitecer.

Mas se um dia eu for palavra,
peço que os teus dedos sejam as letras
com que se escreve a paixão.

Aí , misturo tudo
saudade,
ternura,
desejo,
loucura,
a com toda a certeza
um dia, serei...
Amor.


©Graça Costa
imagem da web


quarta-feira, 17 de maio de 2017

MEU CORPO

Meu corpo,
página em branco nas tuas mãos,
beijo para lábios incertos,
ora meigos,
ora urgentes.
Meu corpo,
tela de textura suave,
algodão,
linho,
cetim,
desafio que te ofereço,
por inteiro,
para que nele te percas
e te encontres.
Meu corpo,
teu,
para que desfrutes,
saboreies,
te alimentes,
me alimentes,
me sacies a fome de te querer
e me coles na pele,
a urgência do recomeço.

©Graça Costa
imagem da web

terça-feira, 16 de maio de 2017

BEIJO

Imaginou-o adocicado,
lento
morno
perdido.
Desenhou-o perfeito
macio
envolvente
como pluma na brisa.
Sentiu-o carente
faminto,
desconcertado,
medroso.
Acariciou-o
contra o peito
molhou os lábios
e num impulso quase infantil,
matou-lhe a sede de mel.
Mudou-lhe a vida
aquele beijo
que hoje tem lar,
lhe ilumina o olhar
e se repete
a cada instante
em que o recorda.
Imaginou-o.
Desenhou-o.
Acariciou-o,
Bebeu-o com a calma e a ternura dos amantes em pressa.
Ah...aquele beijo tem história escrita na memória dos dias.
Eterno.
Mágico.
Nosso.

©Graça Costa
imagem da Web



segunda-feira, 15 de maio de 2017

QUASE



Incomoda-me o Quase,
a sua inconsistência,
a sua fraqueza, a forma inquieta como se esconde,
o que podia ter sido e não foi.
Incomoda-me o Quase.
Quase fui.
Quase fiz.
Quase consegui.
Quase amei.
Que quase é este que nos tolhe o sentir,
e rouba a plenitude do Querer.
Incomoda-me o Quase
e por quase me sufocar
descarto-o do meu sentir.
Quero a plenitude do todo,
o excesso da entrega,
a loucura do desejo,
a quase morte do êxtase.
Quero, não ter medo de sentir
não ter medo de ousar
ter alma e corpo e pele
para ser e para dar.
Incomoda-me o Quase...
Quase, não é suficiente .

©Graça Costa
foto: FStudio - Tomar


quinta-feira, 11 de maio de 2017

FAÇAM SIlÊNCIO

Façam silêncio...
Vejam o poema que nasce
naquela boca carnuda
como morango silvestre em pasto verde.
Vejam a forma como se move,
como insinua o beijo sem o dar,
como inflige dor sem tocar,
como aguça a fome sem falar.
Vejam como as palavras são excessivas,
perante uma gota de suor
descendo pelo peito,
para morrer subtilmente onde a vida começa.
Sintam a magia de uma alma consumida pelo fogo de paixão
libertando-se das amarras
para com ela escrever a melodia de um refrão.
Sintam…
mas façam silêncio
que a obra nasce sem ser pedida,
e o sabor das palavras
é o tempero colorido do silêncio,
com que pintamos as telas da vida.

©Graça Costa
imagem da web


quarta-feira, 10 de maio de 2017

HIPNOSE


A noite estendeu-lhe um manto das promessas embutidas no olhar.
Felina e serena como a mansidão do entardecer,
contemplou o namoro sensual
daquela pequena e frágil nuvem com o raio de sol.

A linha do horizonte testemunhava a doçura daquela nuvem
derretendo-se no embalo do raio de sol que fugia.

Hipnótica a beleza do momento;
quase tela,
quase fome,
inspiração de amantes presos no desejo da noite,
embriagados pela imensidão do olhar.

Da noite se alimentaram,
sussurraram desejos e promessas,
saciaram sentidos,
romperam regras,
limites,
convenções.

Como nuvem ou raio de sol
esperaram o romper da aurora
e na fusão dos corpos partiram,
resgatados pelo silêncio
em direcção ao mundo incandescente dos sonhos.


©Graça Costa
imagem - francoise de-felice


terça-feira, 9 de maio de 2017

WEARINESS

In your eyes
I can see unwritten poems
that live inside me.

In your hands I can feel
the spell of passion
and the cry for life.

With your touch
dawns are brighter
and nights are warmer.

With your love
words are unneeded.

Read my lips,
drink my skin,
melt in me,
surrender…
surrender,
give me whispers and low moans
cry with extasis
and then,
let weariness catch our naked bodies
and hope sleep finds a shortcut to our haven.


©Graça Costa
imagem da web


PROCURO

Procuro nos teus braços de luz
o calor que me foge do peito.
Enrosco-me em novelo
e bebo o calor da pele
como chá de jasmim adoçado com o mel da vida.
Procuro a doçura do beijo
a ternura do abraço,
o sabor do amor partilhado.
Procuro,
porque na procura me acho,
na procura me reinvento
cresço,
dou e recebo
luto e conquisto.
Por tudo isto, talvez,
apenas talvez,
mereça o calor do teu abraços.

©Graça Costa
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quarta-feira, 3 de maio de 2017

PRECE

Doce a noite quando me enrosco nos teus braços.
Em paz,
a pele murmura melodias de terras distantes,
e a paixão flutua por campos silvestres,
qual ave do paraíso.
Doce,
o toque dos teus dedos,
a textura quente, húmida e suave dos teus lábios
percorrendo o meu corpo como marés.
Vem, noite.
Vem testemunhar a magia destes corpos,
que de tanto se amarem se tornaram maresia.
Vê como se mesclam com as estrelas
e sussurram ao amanhecer.
Vem.
Ouve o seu lamento,
o desespero da perda,
e pede ao vento que anda por perto
que lhes conceda o milagre,
dos eternos começos.
©Graça Costa
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terça-feira, 2 de maio de 2017

SOMENTE

Pena,
brisa,
arrepio,
sussurro.
O que eu sou
quando os teus lábios tocam a minha pele?
Não sei.
Não ligo.
Só quero sentir
a melodia da paixão a atravessar-me o corpo,
crescendo como tempestade em dias de verão,
quente como raios de sol,
doce como sonhos,
memórias, ou palavras
faladas ao ouvido pelo amanhecer.
O que eu sou,
quando o amor fala mais alto que sentidos?
Quando os olhos amaciam as palavras não ditas?
Quando os dias são bênçãos
de expectativa e esperança,
medo, melancolia
e a magia indescritível
de viver na ponta dos teus dedos?
Não sei.
Não ligo.
Só quero sentir.
©Graça Costa


segunda-feira, 1 de maio de 2017

AMA-ME

Ao longe
a sombra de um corpo nu invadia o espaço de promessas.

Sabia o teu olhar preso em mim
e derretia-me por dentro,
antes mesmo do sabor do beijo
ou do toque suave dos dedos.

Sentia, mas não pedia nada.
Alimentava o sonho
com suaves movimentos do corpo,
como que dançando,
num convite subtil a devaneios e sonhos
vividos ou ainda por viver.

Sinto-te os passos
flutuando em direcção ao meu abraço.

Sinto-te,
mas não te quero ver...
apenas sentir,
abandonar-me em ti
qual naufrago em porto seguro.

Ama-me.

Liberta-te dos medos do amanhã que pode não vir
e ama-me,
até que a noite ceda
ao cansaço dos sentidos.

 ©Graça Costa
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OUSAR

Quantas vezes digo a mim mesma:
Voa…
Voa mais alto,
ousa,
perde-te na imensidão do azul.

Conquista a lua
apenas com o desejo de querer abraça-la.

Faz pulseiras de pérolas com lágrimas,
brincos com suspiros
beijos com solidão,
bailados com pétalas de estrelas,
paraísos para o coração.

Sonhar é isto…
mais alto,
mais longe,
mais forte,
sozinha ou na tua mão.

É ter a ternura na ponta dos dedos,
colocar o Sentir a galope na brisa que passa,
é levar a imaginação para a vastidão do mar,
e usá-lo como tela
para reescrever a história.

No fim,
talvez a história não seja de encantar…
mas isso que importa,
se o importante mesmo é sonhar
ousar sentir,
ousar…ousar.


©Graça Costa
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sábado, 29 de abril de 2017

SEM AVISO

Quase sem aviso,
o beijo aconteceu.
Como poema cantado,
cresceu lentamente,
maré mansa que vira fogo
pela urgência do desejo.
Perdido na ponta do medo
surgiu assustado,
mas logo se agigantou
explorando os sentidos
com mestria de escultor
e delicadeza de tela pintada a pastel.
Colou-me na pele pigmentos carmim,
sugou-me a alma, o corpo e o sentir,´
tornou-me amante insuspeita
de dias calmos e noites errantes,
Do beijo, nasceu a entrega,
e da entrega a melodia dos corpos em chama,
poema vivo,
salpicado por gotas de mar,
em tons de êxtase .
© Graça Costa
Imagem da web




sexta-feira, 28 de abril de 2017

O BEIJO

Beijas-me como o escultor
que acaricia o barro
para nele se fundir
devagar
como o entardecer.

Nas tuas mãos sou terra
mar e ar,
elementos em fusão
sem pressas,
sem lamentos.

Nas tuas mãos respiro
ao ritmo dos dedos
com que me envolves
e neles me derreto
como orvalho ao amanhecer.

Mais tarde,
agarro a cumplicidade da noite,
A ela ofereço os murmúrios que
no torpor da paixão
 arrancas do mais fundo de mim.

Saboreio o desejo
que pressinto os teus olhos
e colo-me a ti num beijo quente,
longo,
lento,
porque há beijos mais profundos do que o mar.


©Graça Costa
Imagem - Gustave Klimt


A ESPERA

Presa à saudade esperei a noite
em que o teu peito seria cama para o meu descanso.
Vesti-me de festa, com fios de ausência
e no esplendor da nudez
entreguei o corpo à brisa
que te traria até mim.
A brisa veio,
carregada de silêncios e presságios febris,
ao mesmo tempo que o sol morria
pintando o céu de vermelho sangue,
receios e sussurros magoados.
Quis sorrir, mas o sorriso morreu-me na garganta.

Só os olhos falavam
e diziam tudo o que eu não queira ouvir.
Fechei-os, em prece
e do fundo do Ser, gritei à noite
que te trouxesse até mim.
Sonhando acordada, escrevi na pele
um daqueles diálogos só nossos,
em que da magia dos corpos nasce sinfonia.
Esperei…
E só eu sei se vieste.

© Graça Costa
imagem Casey Baugh





segunda-feira, 24 de abril de 2017

PARADISE


Loving you
is my subtle understanding of paradise.

Skin on skin,
touch of souls.
shiny lips
after a lifetime kiss.

Paradise is right here,
and its ours to take
if we have the guts to keep on
with nos ifs and no regrets.

Just love.
Just feel.
Just believe.


©Graça Costa
imagem da web


ESCREVO-TE

Escrevo-te
porque as palavras não chegam para o que sinto…
são pequenas e banais
gastas,
supérfluas ,
incoerentes, frugais
e eu preciso delas fortes,
intensas, enormes,
eruptivas,
terapêuticas,
balsâmicas.
Escrevo-te porque as palavras que tenho para ti não têm nome.
Trago-as embaladas no peito,
presas na garganta,
gravadas na pele,
como gotas de suor após a tenaz luta do amor.
Escrevo-te com a alma nas mãos
esperando que me estendas as tuas.
Que me agarres ,
que me envolvas,
que me penetres os sentidos
com a emoção da aurora rompendo o dia.
Escrevo-te,
porque os meus olhos estão mudos
e a boca grita silêncios vários.
Só estas mãos insistem em riscar o papel
na implacável dança de aromas e sons com que construo os dias.
Escrevo-te para que me recordes assim,
despida de tudo,
despida de mim,
barro nas tuas mãos,
mosto por fermentar,
inacabada,
em espera...
©Graça Costa


sexta-feira, 21 de abril de 2017

OS SONHOS E O EU CRIANÇA

Os sonhos que sonho contigo,
têm cores ainda por inventar.

Não lhes consigo dar nome,
nem quero que ninguém lhos dê.

São minhas as cores dos sonhos.
São livres para voar,
levar-me para além dos sonhos
cantar,
calar, ousar
brincar.

Com eles nasço e renasço
invento-me e reinvento-me.
Por vezes não tenho espaço
e guardo-os nas asas do vento.

Peço-lhe segredo e sorrimos
na cumpicidade marota
de quem sabe que o vento cala
tudo aquilo que a gente sonha.

Fiquemos então assim,
guardando as cores dos sonhos
que um dia hei-de pintar contigo
naquela tela,
daquele sonho...

Sabes qual?
Eu sei que sabes…

©Graça Costa
imagem da web