terça-feira, 26 de abril de 2016

NÃO ME QUEIRAS

Não me queiras sem a minha alma desassossegada,
sem os meus medos e as minhas dúvidas.
Não me queiras sem o mar dos olhos
com as suas marés
ora mansas , ora inóspitas
ora alegres, ora tristes,
intensas ou suaves, como espuma na areia da praia.
Não me queiras sem o brilho no olhar
ao ver um filme,
ler um livro,
escutar uma música
ou simplesmente ao revisitar as memórias
de ontem e de outrora.
Não me querias sem as personagens que visto
quando a vida me corrói por dentro e fantasio a dor.
Não me queiras sem os sonhos que teço por entre as palavras
que me escorrem dos dedos prenhes de ternura e saudade,
daquilo que sou, que fui, ou podia ter sido.
Não me queiras sem as minhas rugas e cicatrizes
porque são elas que me iluminam o Ser
e me fazem sorrir,
quando me encontro com a mulher que sou.
Se me conseguires amar assim,
terá valido a pena
e quando chegar ao fim da estrada,
olharei para trás
e talvez...
talvez possa partir sorrindo.

©Graça Costa