segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

FIM DE TARDE

Fim de tarde.
Sensação estranha de perda
como se do dia
restasse apenas o lento arrastar das horas.

Nem uma chama,
nem um sorriso,
nem uma nuvem em forma de pássaro a convidar ao sonho.

Fim de tarde inóspito,
avarento
preguiçoso
sem cor,
sem vida,
sem chama.

Procuro nos recantos da memória
a causa de dias assim.

Será tristeza?
Saudade?
Nostalgia da tua ausência?

Apressa-te fim de tarde...
abraça o sol e corre para lá do horizonte.

Deixa que do leste ou oeste distante
a noite venha com seus passos de dança lenta e insinuante.

Deixa-me fechar os olhos e adivinhar-te o chegar.
Deixa-me antecipar o calor da tua boca e o toque da tua pele.

Deixa-me agora ser triste
mas plantar o brilho no olhar.

A noite é já ali...
e tu estás a chegar.


©Graça Costa