sexta-feira, 28 de abril de 2017

A ESPERA

Presa à saudade esperei a noite
em que o teu peito seria cama para o meu descanso.
Vesti-me de festa, com fios de ausência
e no esplendor da nudez
entreguei o corpo à brisa
que te traria até mim.
A brisa veio,
carregada de silêncios e presságios febris,
ao mesmo tempo que o sol morria
pintando o céu de vermelho sangue,
receios e sussurros magoados.
Quis sorrir, mas o sorriso morreu-me na garganta.

Só os olhos falavam
e diziam tudo o que eu não queira ouvir.
Fechei-os, em prece
e do fundo do Ser, gritei à noite
que te trouxesse até mim.
Sonhando acordada, escrevi na pele
um daqueles diálogos só nossos,
em que da magia dos corpos nasce sinfonia.
Esperei…
E só eu sei se vieste.

© Graça Costa
imagem Casey Baugh