segunda-feira, 27 de abril de 2015

RECLAMO

 Fragmento de melancolia hesitante
bailando na envolvente métrica de afectos,
ora abruptos
ora serenos,
ora cantantes
ora dolentes.

Cansaço desta vida de maré mansa.

Reclamo o turbilhão da aurora,
o excesso dos sentidos,
o sabor dos beijos adiados,
o suor almiscarado dos corpos partilhados.

Reclamo-te na vereda dos sonhos,
na construção dos dias
e na desconstrução das noites.

Reclamo-te a ti, tinta na minha pele feita tela,
deleite do olhar,
alimento dos sentidos,
fome em contra-mão
esperando a noite que começa.


©Graça Costa

                                                                           loui jover