sexta-feira, 26 de maio de 2017

MEMÓRIAS

Trazia estampado no rosto 
o sorriso dos dias claros.

Nos olhos o brilho sereno dos tempos
em que um olhar, ainda que subtil, bastava
para gravar o momento nas paredes da eternidade.

Palavra semi ditas, 
ou apenas sussurradas,
faziam dançar o coração,
como joaninhas num campo de malmequeres.

Lanche partilhados no lancil dos passeios,
tinham o esplendor de jantares à luz de velas.

Desses tempos,
em que era feliz e não sabia,
tenho armazenadas saudades,
de lugares, gentes e gestos
de aromas, fantasias, afectos.

Desses tempos,
guardo a memoria do coração descompassado,
o sabor do beijo nunca dado
o olhar travesso do seduzido, sedutor,
o querer e o não querer ,
o desejo e o pavor de o ter.

Memórias,
tesouros guardados na gaveta do sentir,
amoras silvestres salpicadas de chocolate negro
que saboreio…
de quando em vez,
apenas porque quero.


©Graça Costa
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