quarta-feira, 24 de maio de 2017

A GUERREIRA

Tinha a alma fustigada
pelas lembranças de uma paixão sem memórias.

Naquele imaginário insólito
jamais se apercebera do imenso manto de solidão
em que envolvera a sua vida.

Dia a dia, ia trocando as máscaras
com que enfrentava os olhares se se cruzavam com os seus,
vivendo sem viver,
qual espectro de luz de vela
sujeito à emotividade da brisa.

Tinha a alma fustigada por lembranças em marca d’agua,
e sofria…

Precisava sentir a chuva nos cabelos,
o sol no rosto,
reinventar-se
e como página em branco,
recomeçar.

Um dia ousou viver e tirou a tirou a máscara.

Guardou-a no armário,
e com a displicência de guerreira em véspera de batalha
acendeu um fósforo,
virou a costas,
sorriu
e ficou a ouvir o crepitar das chamas.



©Graça Costa
imagem da web - autor desconhecido