quinta-feira, 11 de maio de 2017

FAÇAM SIlÊNCIO

Façam silêncio...
Vejam o poema que nasce
naquela boca carnuda
como morango silvestre em pasto verde.
Vejam a forma como se move,
como insinua o beijo sem o dar,
como inflige dor sem tocar,
como aguça a fome sem falar.
Vejam como as palavras são excessivas,
perante uma gota de suor
descendo pelo peito,
para morrer subtilmente onde a vida começa.
Sintam a magia de uma alma consumida pelo fogo de paixão
libertando-se das amarras
para com ela escrever a melodia de um refrão.
Sintam…
mas façam silêncio
que a obra nasce sem ser pedida,
e o sabor das palavras
é o tempero colorido do silêncio,
com que pintamos as telas da vida.

©Graça Costa
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