segunda-feira, 27 de junho de 2016

COMO SE TIVESSEM BOCA

“ HÁ Palavras que nos beijam como se tivessem boca”,
na nudez da pele em chamas.

Coloridas, pastel ou grafite,
desenhadas neste corpo, tela;
neste corpo, poema,
neste corpo, matriz,
neste corpo agonizante,
abandonado à mercê das tuas mãos.

Palavras abandonadas
à mercê do teu carinho,
entregues à mercê da nostalgia
ou à loucura dos teus beijos.

Bendito este corpo que sente.
Bendito o arrepio da pele.
Bendita a troca de olhares que tudo diz.

Embrulhados em silêncio, assim ficamos
inventando palavras novas,
melodiosas,
insensatas,
incongruentes,
apaixonadas,
prenhes de desejo,
alfabeto da paixão.

Connosco…
ah, connosco ficará
a nostalgia da criação.


©Graça Costa
imagem da web