sexta-feira, 2 de junho de 2017

A CURVA DO FIM DA TARDE

Esperei por ti na curva da tarde
como por ti esperou a fome do sentir.

Imaginei-te a romper a neblina
lentamente,
em slow motion,
saboreando cada passo que te trazia até mim.

Fechei os olhos e centrei-me nos sons,
no restolho que quebrava debaixo dos teus pés.

Mais  perto,
cada vez mais perto.

Não via , mas sentia o teu olhar preso no meu corpo
libertando-o de tudo o que te separava da minha pele.

E a pele sorria…
o olhar vidrava
o corpo gemia no silêncio da estrada.

Por fim senti-te chegar,
resposta à suplica muda que te pedia o olhar.

Arrepio de alma na curva da tarde.
Deitei-me no teu colo e deixei-me voar.

©Graça Costa
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