quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

NA CURVA DO AMANHECER

Na curva do amanhecer senti-te chegar.
Trazias na pele aromas distantes
e no olhar marcas de saudade
acumuladas como cansaço.

Contigo vinham também
as memórias dos dias calmos
em que nos perdíamos das horas
e renascíamos em minutos.

Senti-te chegar
e o mar dos olhos inundou-me o sentir.

No peito, o coração batia forte
e no descompasso da dor
gemia o lamento da noite.

Senti-te chegar na curva do amanhecer
e tu sentiste o beijo a florir-te na pele.
Deste-me a saudade
e eu dei-me a ti
por completo
ali mesmo
na curva do amanhecer.

©Graça Costa