quinta-feira, 11 de agosto de 2016

CONTINUAR

Aquela fusão de céu e mar
trazia-lhe uma espécie de paz
qual mantilha de felpo dos tempos de infância
macia,
 aromática,
pontilhada de afectos.

Naquele horizonte
passeavam pedaços de si...
primeiros passos,
primeiros risos,
sons,
cheiros,
matizes de outros verões,
ou talvez de outras vidas.

Havia naquela fusão de mar e terra
um quê de verdade,
um quê de ternura,
um quê de emoção,
que me humedecia o olhar,
serenamente.

Naquela paleta de tons de azul
descansava o olhar
sempre que se sentia só.

Por isso voltava,
repetidamente voltava,
e naquela fusão de céu e mar
bebia de um trago,
a coragem para continuar.


©Graça Costa