quarta-feira, 10 de agosto de 2016

A ESPERA

ESPERA

Presa à saudade esperei  a noite
e o teu peito feito cama para o meu descanso.

Vesti-me de festa, com fios de ausência
e no esplendor da nudez  
entreguei o corpo à brisa
que te traria até mim.

A brisa veio,
carregada de silêncios e presságios febris,
ao mesmo tempo que o sol morria
pintando o céu de vermelho sangue,
receios e sussurros magoados.

Quis sorrir, mas o sorriso morreu-me na garganta.
Só os olhos falaram,
dizendo tudo o que eu não queira ouvir.

Fechei-os os olhos
e quase em prece,
sussurrei à noite
que te trouxesse até mim.

Em  tom de lamento ,
escrevi na pele
um daqueles diálogos só nossos
em que a magia dos corpos
se transforma em melodia.

Depois esperei…
e só eu sei se vieste.


© Graça Costa