sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

GRITO MUDO

Abraço o silêncio
na esperança de soltar o grito aprisionado no peito.
No rosto,
o martelar lancinante do vento suão,
carregado de memórias,
dores, saudades e glórias.

Abraço o silêncio
na esperança de soltar o grito aprisionado no peito;
na esperança de lavar a alma com a chuva trazida
por aquele vento profético.

Mas não...
a prece não tem resposta.

O silêncio ensurdece,
mas o grito...
ah, o grito teima em ficar
gravado no peito como tatuagem.

Ouço o crepitar do lume.
Lembra os lamentos de uma alma ferida
tal qual, como naquele dia, em que o grito emudeceu.


©Graça Costa
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