quarta-feira, 11 de novembro de 2015

ESPERO-TE

Deixaste-me na boca um sabor a espanto
e na pele a súplica do desejo inacabado,
a fome do mais que o dia levou.

Deixaste-me no olhar um sopro de maré viva,
uma tempestade de afectos incontidos
clamando pela noite
ou tão só pelo som dos teus passos na escuridão.

O dia passa,
lento e soturno
mas dentro de mim bate o sol
e, com lábios de silêncio
e o paraíso no olhar
deixo o fogo envolver-me
na espera do tanto que te quero.

No horizonte o dia cai,
deixando no ar promessas guardadas
no ontem que não chegou a ser.

Espero-te,
para que me abraces onde a solidão termina
e me envolvas no sereno tormento
do amor partilhado


©Graça Costa




terça-feira, 10 de novembro de 2015

QUANDO

Esperando por ti, ali fiquei
bebendo a sombra da tarde
que serenamente me trazia ecos de noites sem sono,
em que corpos e almas fluem sem rede
até ao êxtase dos sentidos.

Esperando por ti
o tempo deixou de ser tempo,
apenas espera,
tormento,
memória,
lamento.

Ali fiquei
oferendo-me à sombra da tarde,
ao calor doce e sereno do seu abraço,
na certeza de que a noite embala a dor.

E quando, finalmente
o teu corpo se colar ao meu
no silêncio ritmado pelo bater do coração,
a magia vai acontecer...
pelas nossas mãos.

©Graça Costa


                                                                     agnes-cecile




CORPO EM ESPERA

Surgiu-me da penumbra uma sensação de luz,
um calor terno e manso
de  lábios lambendo-me o rosto.

Iluminou-se-me  a alma
e um sorriso insinuou-se-me no olhar.

Depois foram os dedos.

Como brisa de verão,
ainda com aroma a fim de primavera,
viraram carícia nua,
repleta de magia e de promessas.

Um silêncio mágico invadiu a manhã.

O meu corpo virou pauta de musica inacabada
pintado pela paleta da aurora.

Corpo expectante,
luminoso,
ardente
deitado na penumbra do dia que amanhecia,
sedento dos teus dedos,
sedento de ti...


© Graça Costa

                                                                      Steve Hanks 

FUSÃO

Transporta-me nos teus sonhos
como se eu fosse brisa.
Saboreia-me como se fosse mel.
Liberta-te dos medos
e deixa que o espanto de um novo sentir
te invada o corpo,
o olhar
e o querer.

Transporta-me nos teus sonhos
como se eu fosse mar
e tu maresia;
como se fosse noite
e tu luar;como se o meu corpo fosse página em branco
e tu , tinta fresca para me escrever.

Transporta-me nos teus sonhos
e atreve-te a deixar o sonho acontecer.

Que a magia nasça
dos teus lábios na minha pele
e da fusão dos corpos
na fogueira lenta do amanhecer.

©Graça Costa


segunda-feira, 9 de novembro de 2015

NA PENUMBRA DO DIA

Surgiu-me da penumbra esta sensação de luz
este calor terno e manso
de uns lábios lambendo-me o rosto.

Iluminou-se-me  a alma e um sorriso
nasceu-me no olhar.

Depois foram os dedos…
Como brisa de verão,
ainda com aroma a fim de primavera
viraram carícia nua ,
repleta de promessas.

Um silêncio mágico invadiu a manhã.

O meu corpo virou pauta de musica inacabada pintado pela paleta da aurora,
expectante,
luminoso,
sedento da orquestra dançante
saindo da penumbra do dia que amanhecia.


© Graça Costa



domingo, 8 de novembro de 2015

BRINCADEIRA

A manhã acordou cedo
e mandei-a embora.

Era cedo, demasiado cedo para me soltar de ti.

Demasiado cedo para ter a solidão por companhia
e a dor da perda como ferida aberta sufocando-me o peito.

Rebelde fiz-lhe frente.
Olhei-a nos olhos e esbofeteei-lhe a ousadia de vir sem ser pedida.

A manhã acordou cedo
mas mandei-a embora.

Fechei as cortinas…
voltei a cobrir-me com o manto da noite
enrosquei-me no calor do teu abraço
e voltei a dormir,
como criança depois de comer.

Agora acordei…
Lá fora o sol já dorme
mas dentro de mim brilha como diamante.

Tu estás a meu lado…
e eu enganei a manhã.


©Graça Costa


sábado, 7 de novembro de 2015

SENTIR

Quantas tonalidades de mar abarcam os meus olhos?

Quantas pinceladas de céu encontro nos teus?

Quanto areal dourado exposto à brisa das tuas mãos encontras na minha pele?

Olho-te e vejo uma lua cheia vibrante,
um sol endiabrado lambendo-me o rosto,
uma fonte de água fresca estendendo-me os braços.

Olho-me e vejo-me nua como tela em branco,
musa dos teus olhos
melodia para os teus beijos.

Quantas tonalidades tem o amor que fazemos na penumbra dos dias?

Para quê saber,
se é no sentir que a alma tece...


©Graça Costa


DOEM-ME AS PALAVRAS

Doem-me as palavras como feridas abertas.
Gritam.
Gemem.
Sussurram.
Reclamam.

Queimam-me o peito e afogam-me o olhar.

Sinto a alma jorrando lava,
escorrendo lenta e penosamente pelo mesmo peito,
onde momentos antes os teus lábios descansavam
e o teu corpo se derretia no meu.

Doem-me as palavras como feridas abertas.
Por isso as partilho
na voragem dos dias inquietos
e na esperança que alguém as faça suas.

Olha…
Vê como os olhos soletram a dor do sentir.

Vê como te chamam,
a ti,
balsâmico amante
de corpos e letras.

Vem,
lambe-me as feridas
para que as palavras renasçam
entre as flores e o arvoredo da paixão.


©Graça Costa


                                                                 kim sung jin  

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

A TELA DO TEU SONHO


Anda…

Vamos nas asas do vento
ao encontro dos sonhos guardados
na palma da imaginação.

Não te deixes enredar na dor.
Foge da bruma dos dias sem luz
frios como escarpas afiadas
e procura…

Procura dentro de ti os aromas perdidos nas memórias
e os sorrisos tecidos no bilro dos momentos guardados.

Anda…
Vem comigo viajar nas asas do vento.
Pede ajuda à brisa,
deixa que os raios de sol te envolvam o sentir
e que a dor te caia dos olhos como chuva branda e serena.

Anda…
Vamos voar para lá do horizonte
inventar um mundo só nosso
em que os dedos sejam pinceis
aguarelados pelo olhar da ternura.

Anda…
que tempo escasseia e o desejo é fome por saciar.
Toma a minha pele como tela para o teu sonho
e pinta a noite,
com as cores do teu olhar.


©Graça Costa

                                                                Danny o connor.

ANOITECE

O dia vai morrendo no horizonte
e esta voz que me atravessa o peito, descansa.

No sussurro do entardecer que  anoitece,
o meu mundo és tu
e a antecipação do que juntos inventamos.

Naquele espaço tempo
de magia e loucura,
transbordam marés de afectos.

Nesses momentos,
que seja eu a seiva dos teus gemidos roucos,
a saudade do que ainda vives
e a promessa de ternuras por inventar.

Anoitece
e esta voz que me atravessa
deixa de ser voz e passa a ser apenas corpo,
apenas pele
apenas...nós!

©Graça Costa