segunda-feira, 25 de maio de 2015

ESPERANDO O LUAR

Por entre a maresia da aurora
um atrevido raio de sol  acariciou-lhe o rosto.
Era doce
como doce o algodão em dia de feira
e sereno,
como brisa em campo de trigo.

Beijou-a com ternura infantil e subtil desejo de amante
mas nem assim conseguiu despertá-la.

Decidiu agigantar-se e como mantinha de lã cobriu-lhe o corpo nú.
Ouviu-a gemer baixinho e um sorriso ténue aflorar-lhe os lábios.
Sorriu também e numa loucura talvez insana atreveu-se de novo.

Deitou-se a seu lado
e soprou-lhe suavemente ao ouvido os desejos do corpo e as angústias da alma.

Olhou aqueles olhos ainda fechados mas já inquietos
e uma lágrima travessa caiu-lhe do rosto.
Lágrima triste,
ou lágrima de esperança;
gota de mel tombada em regaço manso
que de espanto se abriu num olhar intenso
de esmeralda por lapidar.

Cruzaram-se então
olhos e corpos
sorrisos e lágrimas
anseios e sonhos.

E nessa mescla de emoções e afectos
vividos ou por decifrar,
deitaram fora as palavras
fundiram-se num abraço
e assim ficaram,
esperando o luar.


©Graça Costa




ACOLHE-ME

Acolhe-me no teu corpo
como se fosses berço para o meu descanso.

Embriaga-me de carícias e palavras soltas
doces, mesmo que sem sentido.

Coloca no tom da tua voz 
a musica das almas cansadas,
e acolhe-me no teu corpo
como se fosses mar 
e eu maré,
como se fosses onda
morrendo na praia 
e eu a praia para te receber.

Acolhe-me,
que eu a ti me dou
sem medos nem reservas,
corpo aberto ao encontro de almas
que só o amor ternura percebe.

©Graça Costa





sexta-feira, 22 de maio de 2015

SENTE-ME

Percorre-me as ruas do corpo como se fosse a tua cidade.
Descobre os pormenores do lamento.
Embarca no destino que negas,
mas não podes nem queres evitar.

Sente-me…
Envolve-te no calor da pele
nos gemidos que  noite cala e a maresia consente.
Ousa sorrir ao desconhecido
que te chama e perde-te neste meu corpo feito mar para te receber.

Ouve-me por entre o silêncio e o grito.
Aprende comigo o sentir sem palavras.

Inventemos uma língua nova,
serena e fluida como o brilho do olhar,
após o amor partilhado
na mudança da maré.


©Graça Costa


QUEM ?


Quem me roubou o sonho?
O sonho que só de ser sonhado já era vida.
Aquele que me envolvia nos dias frios de inverno
e me saciava a sede no verão?

Quem me roubou o sonho delicado
como teia de aranha coberta de orvalho,
vivido nas noites em que acordada, te contemplava o dormir ?

Quem me roubou a melodia de embalo,
aquela, cujo primeiro compasso
era viagem, 
magia,
sorriso, 
rendição?

Quem me roubou o sorriso
e o brilho do olhar,
quando humedecia os lábios
num prenuncio de beijo,
que só de sonhado já era fusão de pele ?

Não sei quem foi o ladrão furtivo…
mas sei que foi em vão.

Agarro nestas mãos, no tempo e no querer
e o sonho sonhado, em vão roubado,
vai renascer...
com o esplendor de um fim de tarde à beira mar.

 ©Graça Costa


quinta-feira, 21 de maio de 2015

COLO

Acolhe-me no teu corpo
como se fosses berço para o meu descanso.

Embriaga-me de carícias e palavras soltas
doces, mesmo que sem sentido.

Coloca no tom da tua voz
a musica das almas cansadas
e acolhe-me no teu corpo
como se fosses mar
e eu maré,
como se fosses onda
morrendo na praia
e eu a praia para te receber.

Acolhe-me
que eu a ti me dou
sem medos nem reservas
corpo aberto ao encontro de almas
que só a ternura percebe.


©Graça Costa




quarta-feira, 20 de maio de 2015

RECOMEÇOS


Os seus olhos eram oceanos de perda, mágoa e dor.
A pele cheirava a macio…
fragrância triste mas serena,
quase complacente
misto de canela e maresia
com um leve toque de saudade.

Por vezes abre as comportas da alma
deixando no ar o odor de feridas esfregadas com sal.

É uma dor forte,
penetrante,
honesta
com uma melancolia hesitante
e uma métrica envolvente
quase colo
ou flor de beijo.

Olhou-se no espelho…
Contemplou os seus olhos de perda, mágoa e dor.
Com carinho de mãe, guardou-os na memória …
Fechou-os …
e atreveu-se a renascer.


©Graça Costa


terça-feira, 19 de maio de 2015

A THOUGHT


Her mouth seemed a luxurious red strawberry.
Tasted like heaven,
like love freshly made still running in her veins
and caressing her skin.

From her lips
drops of tenderness
slipped through her body
gently
slowly like a butterfly wave
till gently die
in the memories of feeling.

©Graça Costa








OUSADIA


Ousara eu ser sol para te afagar o rosto.
Ser lágrima para te escorregar na pele.
Ser mar para te envolver na maré.

Ousara eu ser terra
para te plantar um sorriso nos lábios
quente como fim de tarde
aconchego da noite
celebração de amantes no esteio da vida.

Ousara eu ser maresia
ternura
fantasia
ladra dos teus abraços
em turbilhões profusos de  afectos.

Ousara eu Ser
e morreria plena de mim
no teu olhar…


©Graça Costa


domingo, 17 de maio de 2015

DEIXA-ME

Deixa-me percorrer-te o perfil
até que os meus olhos parem
naquele exacto local
onde nasce o sorriso
quando o prazer nos consome o ser.

Deixa-me varrer-te o corpo
com estes dedos feitos mar,
lançar-te um brilho no rosto
e começar a sonhar.

Deixa que o mundo pare lá fora
e o nosso comece
como madrugada desflorando a noite.

Lenta,
serena e doce amante
silenciosa cumplice
dos sonhos que juntos criamos
e da magia da fusão dos nosso corpos
para lá da noite
para la de nós.

Deixa que amanheça
e a noite volte a reclamar o horizonte
mas fica...
que o tempo é curto
e ainda temos tanto para nos dar.

©Graça Costa




sexta-feira, 15 de maio de 2015

NA TUA NOITE

Segurei a noite pelas pontas
e tornei-a minha.
Com ela tapei o teu corpo
tremente de afectos
e do calor das manhãs.

Dos meus dedos fiz luz
e da minha pele palavra.

Escrevi na noite
o poema dos dias claros
até sentir o teu corpo sorrir
como que embalado
pela textura,
pela magia,
pela candura que dos meus dedos nascia,
serene,
perene,
nua,
plena.

Segurei a noite pelas pontas
e tornei-a minha,
só para te dar...

©Graça Costa