quarta-feira, 12 de agosto de 2015

QUANDO

Quando no teu corpo me dissolvo
encontro sabores inesperados.
Menta, canela
pimenta, chocolate,
hortenses e rosas carmim.

Neles viajo
vagabunda de mim
imersa no êxtase que a tua pele me estende.

Não sei se fuja ou se arrisque ficar.
Talvez ouse desafiar os limites desse corpo que conheço e desconheço,
que me chama e me recusa.

Quando no teu corpo me dissolvo
o corpo deixa de ser corpo.
Apenas a magia do sentir
toma conta do momento,
que de tanto ser Luz
se torna lamento,
tortura,
maré de sentidos
fundidos no tempo.

©Graça Costa

                                                                   Maria Morales

DEIXA

Deixa
que a noite invada o horizonte das memórias
e os dias sejam de eternos recomeços
ainda que errantes e incertos.

Deixa
que os teus passos
sigam as minhas pegadas
e que a paixão seja a melodia
dos caminhos por inventar.

Deixa
que o meu corpo seja tela virgem
para o arrojo dos sentidos
e que consigas ler nos meus olhos
as cartas que te escrevo sem palavras.

Deixa-me correr ao teu encontro
com a certeza que de sabes,
exactamente como tocar-me o corpo
e a alma sentir-se beijada.
com a certeza de que basta um olhar
para te sentir dentro de mim,
meu pintor  de corpos e telas,
de paixões incertas
e momentos eternos,
gravados em segundos.


©Graça Costa



                                                                           Zest

O MEU AMOR

O meu amor,
tem mãos de silêncio rompendo a aurora.
Traz na pele a brisa do vento
e no olhar a promessa de dias calmos.

O meu amor,
traz a saudade na ponta dos dedos
e a ternura nos lábios de dor.
a mim se oferece como em oração,
despojado de tudo,
fruta madura por colher.

O meu amor,
traz colado na pele
o grito da paixão contida
e no peito o desespero da partilha.

O meu amor,
dorme no meu peito.
Bebo-lhe o semblante
e parto com ele com asas no pés,
em busca de outras paisagens
em que mesmo nua,
me sinta vestida
de paixão e de esperança.


©Graça Costa

                                                                   Tecio Rowska.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

EM DIRECÇÃO AO TEU ABRAÇO

Doces, os sulcos marcados na pele trigueira;
Rugas de esperança,
plantadas pelos caminhos da dor
cansaço e maresia.

Lá longe,
no horizonte da memória
o brilho ténue de um sorriso travesso
agarrado ao  verde cristalino de um olhar perdido em sonhos de criança.

Nesse rosto quase esquecido
revisito o caminho que me levou a ti.

Na beleza sinuosa dessas rugas
volto a percorrer os sons da descoberta,
os cheiros a salva e maresia guardados no peito,
quais tesouros silvestres.

Semicerro os olhos
e deixo-me envolver pelos aromas da vida.

Depois,na placidez da tarde
enrosco-me no por do sol;
acaricio o rosto com pétalas de luz
e no aconchego do sonho,
deixo-me ir…
em direcção ao teu abraço.


©Graça Costa


FLUTUO

Flutuo...
no teu sorriso,
no teu corpo,
na tua pele.

Flutuo na fusão de aromas secretos
que na serenidade da noite
se desdobram em melodias de ternura e paixão.

Nos teus olhos me dissolvo,
ao teu corpo me entrego,
liberta e nua,
prisioneira dos sentidos
que me impelem para ti.

Flutuo,
nas noite e dias
em que na urgência de ti,
desenho no tempo
a divina tortura da entrega.

Apenas corpo,
apenas pele,
apenas nós...

©Graça Costa

                                                                Anna Dittmann

DREAMING...OR MAYBE NOT

 Slept peacefully
and the wind blew me your name.

At once, the skin came alive.
the look became bright and colorful
and the harbinger of the coming
filled the room.

Slept peacefully
and I did not want to break the magic of waiting.

Closed my eyes ...
filled the time of smells and sounds...
of your laughter
of your perfume.

I hung in the senses the urgency of desire,
on the lips, the hunger,
in the look, the desire
and I waited...
because waiting is tender and sweet
when I'm waiting for you.


©Graça Costa


segunda-feira, 10 de agosto de 2015

NÃO SEI

Não se sou eu
ou qualquer outro ser em mim,
que te sussurra com a voz do vento,
te aquece a pele com a luz do sol
ou te ilumina com a magia da lua.

Não sei se sou eu
ou qualquer outro ser em mim,
que te ama ao ritmo do bater do coração,
te cobre de prazer
com a leveza do toque da pele,
ao ritmo dos lábios
e da intensidade do olhar.

Não sei se sou eu
ou qualquer outro ser em mim,
que se transforma em luz
cada vez que os nosso olhos se cruzam,
que se dissolve em ti
cada vez que os nossos corpos se fundem
num amanhã sem principio nem fim,
mas pleno de vida...
tão cheio de nós.

Não sei...
mas sei que quero.

©Graça Costa


                                                                Ewelina Ladzinska

domingo, 9 de agosto de 2015

O BEIJO


Gosto do beijo que não dei...
do beijo imaginado,
desenhado nos contornos da mente.
Sinto-lhe o cheiro e o sabor,
a textura, o calor.

Insinuante o beijo que não dei.

Mágico,
como tudo o que é sonho
ainda por nascer.


©Graça Costa

                                                                  Andrei Protsouk

OUTRAS PALAVRAS


Trago caladas no peito
palavras que não conheço,
afectos sem nome
como amoras maduras prontas a colher.

Nesta imensidão de mim,
escondidas nos cantos recônditos da alma,
tenho guardadas, como tesouros,
estas palavras ainda por inventar.

Fujo para aquele mar que só eu vejo.

Hipnótico e sedutor conduz-me a ti
e neste bailado de ondas e marés
em que docemente descobres o meu corpo,
nascem-me claras e cristalinas
estas palavras em forma de sorriso.

Soltam-se da garganta numa língua que desconheço,
com a transparência de diamantes ao luar
e a delicadeza de abraços infantis.

Dancemos então…
embebidos no néctar deste tango
agora inventado,
e deixemos que o amor aconteça…

Hoje,
amanhã´
outro dia,
aqui…
ou em qualquer anel,
de um qualquer Saturno distante.


©Graça Costa



sexta-feira, 7 de agosto de 2015

MURMÚRIOS DA PELE

 Escuta.
Mergulha no silêncio e escuta o teu corpo que te fala.

Ouve o clamor da tua pele,
a toada triste das suas cicatrizes
quando lhes afagas o contorno da dor.

Ousa e ouve também a sua fome, os seus desejos,
a alquimia dos sentidos que a pele reclama.

Embrenha-te no silêncio da noite
e ouve como ela, ora chora, ora  canta
ora implora, ora dá,
entoando melodias ainda por inventar.

Sem pressas, observa cada curva, cada poro, cada marca.
Sente a dança dos sentidos
e deixa-a ser pele de outra pele

Ouve,
deixa-me ser dona do teu sentir,
fundir-me na tua pele,
murmurar-te desejos de equinócios distantes,
enlouquecer de ternura,
explodir de prazer no teu ouvido.

Deixa-me explorar o limite do sentir
devagar,
serenamente,
como quem declama um poema soletrado a meia voz.

Murmúrios da pele,
sede….
desafio,
banquete de almas unidas
pela bebedeira de sentidos inquietos.


©Graça Costa