segunda-feira, 1 de outubro de 2018

A GUERREIRA

Cai a noite e tudo se transforma.

A guerreira vira pássaro,
flor,
princesa, ou arlequim,
misto de flor e de seda,
azul, prateada, carmim.

Bendita a cumplicidade da noite que tudo permite.
Sonho,
fantasia, dança,
brisa, sal, maresia, festim.

Do descanso da guerreira
agora lua, feiticeira, amante,
emerge a magia da palavra dita apenas com o olhar;
o convite da chama que arde sem se notar.

E o imprevisto acontece,
como acontece o Amor em dias incertos.

Doce a noite em que me deito
com o cansaço na pele e a ternura na voz.

Efémera noite, eu sei…
mas tão cheia de sonhos por cumprir.
A ela me entrego
com a nudez mais terna
e faço do seu abraço ,
uma homenagem ao dia que promete.


©Graça Costa
imagem do Pinterest

                                               

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

URGÊNCIA

Digam-me como conter a urgência ?
O que fazer quando sentes a pele rebentar de emoções,
e as palavras a borboletearem-te na cabeça,
incessantes,
intensas,
frenéticas ?
Digam-me como conter a urgência de ternura ?
Como pedir, sem pedir
lábios carnudos e sedentos de beijos
carícias, lamentos,
paixão,
a emoção do dar e receber
que antes de ser já se sente?
Digam-se, como viver sem sentir?
Porque não sei e não quero,
ser espectro errante sem alma
imagem de gente, mas não Pessoa.
Digam-me como conter a urgência de amar,
para que eu a acorrente no peito
e o mar não a leve com a mudança da maré.

©Graça Costa
imagem do Pinterest


quarta-feira, 26 de setembro de 2018

SONHA

Quantas vezes digo a mim mesma:
Voa…
Voa mais alto,
ousa,
perde-te na imensidão do azul.
Conquista a lua
apenas com o desejo de querer abraça-la.

Faz pulseiras de pérolas com lágrimas,
colares com suspiros,
nuvens com solidão,
bailados com pétalas de estrelas
paraísos para o coração.

Sonhar é isto…
mais alto, 
mais longe, 
mais forte,
sozinha ou pela tua mão.

É ter a ternura na ponta dos dedos.
É colocar o Sentir a galope, 
num puro sangue lusitano;
é levar a imaginação para a vastidão do mar,
e usá-lo como tela 
para reescrever a história. 

No fim,
talvez a história não seja de encantar…

Mas o que é que isso importa,
se o importante mesmo
é a ousadia do Sonho

©Graça Costa
imagem do Pinterest


terça-feira, 25 de setembro de 2018

PEDAÇOS D'ALMA

Olho-me no espelho e vejo o cansaço, a dor, o desalento.
No corpo, as cicatrizes,
os sinais da luta inglória e insane,
em busca de um melhor amanhã que tarda em chegar.


Procuro no olhar, a esperança,
nas mãos estendidas o recado silencioso,
o resgate de um abraço,
alimento para o dia que começa.
Assim me visto de crepúsculo e chama,
de candura e lama
de ousadia, fome e fantasia.
Oleira de mim,
construo o que as mãos permitem e a pele aceita
sabendo que a obra visível
e a sonhada, sentida,
raramente são comparáveis.
Aquilo que para uns será sol,
para outros será nevoeiro, vento e maresia.


Vejo-me a cores, a grafitte ou a pastel.
Como me vêm os outros?
Não sei…
Não sei se quero saber.
Sou como sou...
Ainda que ferida guardo a beleza da dor
e o esplendor da dádiva,

ofereço a candura do abraço e a plenitude do ser.
Assim sou…

Inteira,
porque não sei ser de outro modo.
Assim me dou...
A quem tiver Alma para me sentir.

©Graça Costa




DÁDIVA

Bom quando o sorriso se solta dos lábios
e voa directo aos teus olhos.
Bom quando o beijo ganha asas
e mesmo ao de leve
consegue arrancar-te, arrepio d’alma.
Bom quando do toque da pele nasce o rendilhado da paixão,
da brisa,
a canção,
do raio de sol
a fusão dos corpos
quentes e suados como monções.
Bela a troca de olhares
que todas as línguas entendem.
Belas as palavras sussurradas ao luar,
cúmplices de noites eternas,
penetrando a aurora.
Contigo,
a suave textura do amanhecer
tem brilho de diamante
e odor de vida acabada de florir.
Contigo sou mar e chama
harmonia,
temperança,
flor do campo
luz de luar.
Contigo,
contemplo os dias
em que a saudade descansa
e visto-me de maresia
apenas para te ver sorrir.
 
©Graça Costa
imagem : Raluca Vulcan
 
 

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

SOL DE OUTONO

Gosto tanto do sol de outono.
 
Como chocolate aveludado,
aquece sem queimar,
e adoça os dias com a calma serena de uma nuvem de algodão
ou como o olhar de amantes em momento de cansaço após o êxtase.
 
Gosto especialmente daqueles momentos ao entardecer
em que fecho os olhos e deixo-me levar
numa viagem sem destino,
nas asas de um sonho inventado,
pequenino,
só meu.
 
Enquanto o construo deixo a Alma planar
para lá do horizonte,
para lá de tudo,
para lá de mim
e o sorriso que me invade,
suporta a certeza
de que nas asas dos sonhos,
o limite...
ah, o limite
nem sei se existe.
 
©Graça Costa
foto da web
 


 

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

ABRAÇA-ME APENAS

A brisa beija-me o corpo
com a suavidade de solista
em orquestra de anjos.

Da melodia,
soltam-se os sons dos sonhos
num amanhecer dourado 
e quando o sol desponta bebendo o orvalho,
sinto na pele o arrepio de acordar envolta no teu abraço.

Lá fora,
o sol de inverno,
frio e cortante,
contrasta com o calor
de um verão inventado
à medida deste sonho
criado a quatro mãos.

Por momentos,
retenho e perfeição da eternidade
e quero ficar,
só ficar.

Não…
não digas nada…
Abraça-me apenas…          

A brisa beija-me o corpo
com a suavidade de solista
em orquestra de anjos.

Da melodia,
soltam-se os sons dos sonhos
num amanhecer dourado 
e quando o sol desponta bebendo o orvalho,
sinto na pele o arrepio de acordar envolta no teu abraço.

Lá fora,
o sol de inverno,
frio e cortante,
contrasta com o calor
de um verão inventado
à medida deste sonho
criado a quatro mãos.

Por momentos,
retenho e perfeição da eternidade
e quero ficar,
só ficar.

Não…
não digas nada…
Abraça-me apenas…          

©Graça Costa
Imagem do Pinterest


domingo, 16 de setembro de 2018

OLHOU-O

Olhou-o,
e sentiu a aura cálida do amor a inundar-lhe o corpo, como se estivesse a tocar-lhe a pele pela primeira vez.

Terna a lembrança daquilo que foi,
sereno o desejo daquilo que ainda podia ser.

Olhou-o,
e a pele falou,
como se pintada pelos dedos da paixão,
sibilando aromas de terra e mar
e os segredos partilhados na fusão dos corpos ao amanhecer.

Olhou-o,
e agradeceu ao acaso do destino
aquele segundo de eternidade
em que o coração se inquietou
perante a imensidão do amor que nascia.

© Graça Costa
Imagem da web



quarta-feira, 5 de setembro de 2018

A PINCEL

Desenho a pincel os dias que passo sem ti,
para que a dor não mate
mas apenas arranhe.

Para que o sal dos olhos descanse em maré de calmaria,
e a ausência seja luz e não maresia,
alimento, farol,
fonte de luz,
alquimia.

Desenho a pincel os dias que passo sem ti,
porque em cada acordar recebo uma tela em branco
ávida de paisagens e sonhos
carícias e afectos.

Nela me perco como criança em loja de brinquedos.

Contemplo a pureza do dia que me entra nos olhos
agarro no pincel da vida,
visto-me de brisa , sol ou temporal
óleo, aguarela ou pastel
e na voragem do tempo que passa,
mergulho na obra que nasce.

Desenho a pincel os dias que passo sem ti,
porque as cerdas sabem o teu nome.

Assim te tenho por inteiro e cada pincelada,
em cada sussurro, lágrima ou gargalhada.  
        
E assim,
da distância se faz presença,
da dor… magia,
da saudade…força,
do  Viver,
arte, fantasia,
poema.

©Graça Costa
imagem do Pinterest



BOLINA

Tem dias em que me sinto
como pena que caiu em folha à bolina.

Doce expectativa…

Qual o caminho ?
Por onde me leva a brisa?
Que aventuras me esperam ?
Que perigos?
Que desafios ?

Tem dias assim…
em que acordo em suspenso
perante o dia que desponta.

Sinto o sol na pele
e tremo.
A brisa no rosto
e sorrio.
O apelo dos afectos
e suspiro.
A tortura da tua ausência
e sonho.

Como a pena em folha à bolina
entoo ao vento a prece que me leve até ti.

Então, talvez…
apenas talvez,
consiga saciar a sede que a noite matou
e com a aurora...
renasceu.


©Graça Costa
imagem da web