segunda-feira, 24 de setembro de 2018

SOL DE OUTONO

Gosto tanto do sol de outono.
 
Como chocolate aveludado,
aquece sem queimar,
e adoça os dias com a calma serena de uma nuvem de algodão
ou como o olhar de amantes em momento de cansaço após o êxtase.
 
Gosto especialmente daqueles momentos ao entardecer
em que fecho os olhos e deixo-me levar
numa viagem sem destino,
nas asas de um sonho inventado,
pequenino,
só meu.
 
Enquanto o construo deixo a Alma planar
para lá do horizonte,
para lá de tudo,
para lá de mim
e o sorriso que me invade,
suporta a certeza
de que nas asas dos sonhos,
o limite...
ah, o limite
nem sei se existe.
 
©Graça Costa
foto da web
 


 

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

ABRAÇA-ME APENAS

A brisa beija-me o corpo
com a suavidade de solista
em orquestra de anjos.

Da melodia,
soltam-se os sons dos sonhos
num amanhecer dourado 
e quando o sol desponta bebendo o orvalho,
sinto na pele o arrepio de acordar envolta no teu abraço.

Lá fora,
o sol de inverno,
frio e cortante,
contrasta com o calor
de um verão inventado
à medida deste sonho
criado a quatro mãos.

Por momentos,
retenho e perfeição da eternidade
e quero ficar,
só ficar.

Não…
não digas nada…
Abraça-me apenas…          

A brisa beija-me o corpo
com a suavidade de solista
em orquestra de anjos.

Da melodia,
soltam-se os sons dos sonhos
num amanhecer dourado 
e quando o sol desponta bebendo o orvalho,
sinto na pele o arrepio de acordar envolta no teu abraço.

Lá fora,
o sol de inverno,
frio e cortante,
contrasta com o calor
de um verão inventado
à medida deste sonho
criado a quatro mãos.

Por momentos,
retenho e perfeição da eternidade
e quero ficar,
só ficar.

Não…
não digas nada…
Abraça-me apenas…          

©Graça Costa
Imagem do Pinterest


domingo, 16 de setembro de 2018

OLHOU-O

Olhou-o,
e sentiu a aura cálida do amor a inundar-lhe o corpo, como se estivesse a tocar-lhe a pele pela primeira vez.

Terna a lembrança daquilo que foi,
sereno o desejo daquilo que ainda podia ser.

Olhou-o,
e a pele falou,
como se pintada pelos dedos da paixão,
sibilando aromas de terra e mar
e os segredos partilhados na fusão dos corpos ao amanhecer.

Olhou-o,
e agradeceu ao acaso do destino
aquele segundo de eternidade
em que o coração se inquietou
perante a imensidão do amor que nascia.

© Graça Costa
Imagem da web



quarta-feira, 5 de setembro de 2018

A PINCEL

Desenho a pincel os dias que passo sem ti,
para que a dor não mate
mas apenas arranhe.

Para que o sal dos olhos descanse em maré de calmaria,
e a ausência seja luz e não maresia,
alimento, farol,
fonte de luz,
alquimia.

Desenho a pincel os dias que passo sem ti,
porque em cada acordar recebo uma tela em branco
ávida de paisagens e sonhos
carícias e afectos.

Nela me perco como criança em loja de brinquedos.

Contemplo a pureza do dia que me entra nos olhos
agarro no pincel da vida,
visto-me de brisa , sol ou temporal
óleo, aguarela ou pastel
e na voragem do tempo que passa,
mergulho na obra que nasce.

Desenho a pincel os dias que passo sem ti,
porque as cerdas sabem o teu nome.

Assim te tenho por inteiro e cada pincelada,
em cada sussurro, lágrima ou gargalhada.  
        
E assim,
da distância se faz presença,
da dor… magia,
da saudade…força,
do  Viver,
arte, fantasia,
poema.

©Graça Costa
imagem do Pinterest



BOLINA

Tem dias em que me sinto
como pena que caiu em folha à bolina.

Doce expectativa…

Qual o caminho ?
Por onde me leva a brisa?
Que aventuras me esperam ?
Que perigos?
Que desafios ?

Tem dias assim…
em que acordo em suspenso
perante o dia que desponta.

Sinto o sol na pele
e tremo.
A brisa no rosto
e sorrio.
O apelo dos afectos
e suspiro.
A tortura da tua ausência
e sonho.

Como a pena em folha à bolina
entoo ao vento a prece que me leve até ti.

Então, talvez…
apenas talvez,
consiga saciar a sede que a noite matou
e com a aurora...
renasceu.


©Graça Costa
imagem da web


terça-feira, 4 de setembro de 2018

DOEM-ME AS PALAVRAS

Doem-me as palavras como feridas abertas.
Gritam.
Gemem.
Sussurram.
Reclamam.

Queimam-me o peito e afogam-me o olhar.

Sinto a alma jorrando lava,
escorrendo lenta e penosamente pelo mesmo peito,
onde momentos antes os teus lábios descansavam
e o teu corpo se derretia no meu.

Doem-me as palavras como feridas abertas.
Por isso as partilho
na voragem dos dias inquietos
e na esperança que alguém as faça suas.

Olha…
Vê como os olhos soletram a dor do sentir.

Vê como te chamam,
a ti,
balsâmico amante
de corpos e letras.

Vem,
lambe-me as feridas
para que as palavras renasçam
entre as flores e o arvoredo da paixão.


©Graça Costa
arte : janet rogers


O OLHAR NÃO MENTE


O olhar não mente
para os que têm a alma lavada para o saber ler.

Cristalino.
Sussurrante.
Chora.
Ri.
Gargalha.
Emociona-se.
Fala…
Enamora-se das palavras que não diz.

Reserva-as
como cobertura de bolo
que usa depois
de forma espartana
ou num excesso delirante
conforme o sorriso cresça,
sereno e suave
ou exuberante e sonoro,
como clarão de relâmpago numa trovoada de verão.

Adoro a subtileza dos sorrisos e dos olhares.
Enigmáticos,
sensuais,
misteriosos
brincalhões.

Sorrisos...
antologia de afectos
mesmo que tristes.

© Graça Costa



segunda-feira, 3 de setembro de 2018

CORPO POEMA

No teu corpo desenho poemas cantados .
A cada toque, a pele responde com um grito surdo,
meio gemido,
meio lamento
meio sussurro
meio tormento.

A cada beijo, reinvento-te,
reinvento-me,
saboreio-te como saboreio o poema,
letra a letra,
palavra a palavra,
rima a rima
ou rima nenhuma
mas lenta e suavemente como tango dançado ao luar.

Depois, volto e ler-te
e afago lentamente as palavras que te acendem a paixão.
e que te prendem a mim.

A ti me colo, meu poema
meio escrito,
por vezes gemido,
outras sussurrado,
e assim adormeço,
sem saber se durmo
ou apenas descanso
nesse teu colo feito cama,
só para me receber.

©Graça Costa
imagem retirada da web


PAZ

Dá-me a tua mão
Sente-lhe a textura
o calor,
o aroma e a ternura do abraço.
Depois vamos.
Deixa que te leve
para além dos sentidos
para lá da saudade.
Deixa que te leve
para aquele lugar calmo
onde a dor não nasce
e o amor não morre.
Para aquele lugar terno
onde o corpo não tem nome
e o afecto tem forma de dedos,
de ternura,
e beijos
e pele em chamas.
Depois…
Depois fiquemos assim,
na magia do entardecer,
lambendo as palavras com que nos despimos,
e que estas cubram o horizonte
com a magia da esperança,
como sonhos de paz
embrulhados em sono de criança.

©Graça Costa




domingo, 2 de setembro de 2018

SENTINDO O POEMA

Sinto a poesia a nascer-me na pele,
a iluminar-me o olhar ,
a queimar-me o sentir.

Sinto o poema
desflorando a madrugada rumo aos meus dedos,
com a alma
o suor
e o sangue
de um alfabeto por inventar.

Emoções e afectos,
palavras, ora quentes e serenas
ora lamentos , gemidos
quase prece,
quase dor
envolvem-me os dedos e o olhar.

Sinto a poesia a crescer-me na pele.
Toco-a ao de leve
e torno-a minha.
Salpico-a com o meu perfume de amante inquieta
e de alma aberta,
partimos ambas ao encontro dos dias,
por ora, apenas sonhados.


©Graça Costa
arte : Jennifer Yoswa