Com a poeira da espera
enfrentei o corpo nu transcendente de afectos.
Que amante é esta
que o amante espera em súplica,
quase prece.
Que viver é este
prenhe de desejo,
alma na voz
e pele em chamas.
Aguardo,
com o corpo raiado de estrelas em dor
e o olhar crivado de esperança
pelo entardecer que me mereça.
No fio da noite
a brisa impele-me o voo.
Não sei se fique se ouse.
Lá longe sinto o ritmo compassado de ti,
que num sussurro hipnótico me chama.
Tremo na antecipação de te ter,
e de sorriso em riste,
vou ...
quarta-feira, 9 de maio de 2018
RECEITA PARA UMA VIDA ROUBADA
Um dia roubaram-me a vida e eu não percebi.
Entrei no hipnótico
caminho da dorcom a leveza de uma bailarina em pontas,
sem ver que, com o passar dos dias,
os pés, tal como a vida começavam a sangrar.
Depois, parei e pensei :
um dia esta dor ainda
me vai ser útile deixei-a engrossar, como torrente de lava encosta abaixo.
No desamparo do silêncio das noites em branco,
alimentei a ira e o
desencanto;derramei as lágrimas caladas durante os dias que corriam velozes,
como velozes nasciam as marcas no rosto e os fios de prata no cabelo.
Depois, um dia cresci.
Libertei a ira e
resgatei do fundo de mim o efémero sentir dos humanos.Despertei do torpor de uma alma esfiampada
e lenta mas persistentemente
lancei-me na reconstrução de mim.
cresço e renasço com cada janela de esperança que abro.
Junto-lhes alguma estravagância guardada no ventre da saudade,
adiciono uma pitada de desejo,
e deles retiro
o meu pão,
o meu mel,
o sal com que tempero o tempo que resta.
©Graça Costa
imagem da webquinta-feira, 12 de abril de 2018
NA PONTA DOS DEDOS
Acordei com as mãos entrelaçadas nas tuas
e parei de respirar só para te sentir.
Nesse encontro de pele e alma
senti a magia de um amanhecer sem pressase deixei-me levar pelo embalo da brisa que lá fora batia o compasso do dia.
Das tuas mãos nasceu a descoberta do encontro,
a vibração emergente da paixãovisível no delicado tatear da pele,
na subtileza do toque,
no gemido terno,
na fome do beijo,
no previsível êxtase.
Tudo bebi,
com a calma do amanhecere descobri que por vezes,
o amor começa…
na ponta dos dedos.
©Graça Costa
desenho - Amadeo de Souza Cardoso
terça-feira, 10 de abril de 2018
DONT GIVE UP
Dont give up
dreaming your dreamings
even if
someone tells you
dreams are
colorful
and yours
are colourless.
Dont give
up.
Shades of
grey can be beautiful
black and
white
make
beautiful shadow canvas
and your
dreams are just as great as everyones elses
Because they
are
your dreams.
Don’t give
up…
Keep on…
Battles are
tough
Days can be
rough
but theres
always a flower
bursting
from a rock.
It might be
you.
©Graça Costa
Image - Kitty Jujube
SONHOS ROUBADOS
O dia acordou sinuoso e inquieto.
Pairava no ar um quê de mistério
e o horizonte trazia nos dedos
promessas de ternura,
Distintamente ouviu o silêncio dos teus passos.
Vinhas a caminho,
para reinventar o sonho roubado,
Pairava no ar um quê de mistério
e o horizonte trazia nos dedos
promessas de ternura,
em gomos de romã
e ramos de violetas.
e ramos de violetas.
Havia no ar uma serenidade etérea,
como se aquele dia trouxesse no rosto,
a magia de sonhos roubados.
como se aquele dia trouxesse no rosto,
a magia de sonhos roubados.
Nos olhos, o espanto
pela profusão de aromas e sons que vinham de longe,
mas que pareciam sair de dentro de si.
pela profusão de aromas e sons que vinham de longe,
mas que pareciam sair de dentro de si.
Depressa percebeu que o seu tempo
e o seu corpo se haviam fundido naquele dia,
em que a primavera nascia
calma e serena por entre a maresia.
e o seu corpo se haviam fundido naquele dia,
em que a primavera nascia
calma e serena por entre a maresia.
Fechou os olhos e sorriu
ao sentir o raio de sol que lhe inundava o rosto.
Mordeu os lábios com sabor de romã,
vestiu-se de violetas
vestiu-se de violetas
e esperou.
Distintamente ouviu o silêncio dos teus passos.
Vinhas a caminho,
para reinventar o sonho roubado,
e ela esperou.
Esperou e sorriu
porque para ela , tu eras
o horizonte da esperança
que ao longe nascia.
que ao longe nascia.
©Graça Costa
imagem da web
quarta-feira, 4 de abril de 2018
MANHÃ DE PRIMAVERA
Como o dia está tão feio, deixo-vos um aroma primaveril em jeito de poema, com desejos de bom dia.
No amanhecer que desponta,...
sou pássaro livre
sou fonte
sorriso aberto
espuma do vento.
Sou tudo isso
e o que mais queiras.
Por ti acordo,
contigo me deito,
desejo na pele,
ternura no olhar.
No amanhecer que desponta
navego, serena como espuma do mar
e na fluidez dos sentidos
deixo-me enamorar pela maresia,
dos teus dedos na minha pele.
Fecho os olhos e sinto o teu toque.
Deleite dos fins de tarde
em que flutuamos rumo ao anoitecer
que por ora apenas é sonho.
Ferve-me a pele e sorrio…
Antecipação do prazer,
numa manhã de primavera.
©Graça Costa
No amanhecer que desponta,...
sou pássaro livre
sou fonte
sorriso aberto
espuma do vento.
Sou tudo isso
e o que mais queiras.
Por ti acordo,
contigo me deito,
desejo na pele,
ternura no olhar.
No amanhecer que desponta
navego, serena como espuma do mar
e na fluidez dos sentidos
deixo-me enamorar pela maresia,
dos teus dedos na minha pele.
Fecho os olhos e sinto o teu toque.
Deleite dos fins de tarde
em que flutuamos rumo ao anoitecer
que por ora apenas é sonho.
Ferve-me a pele e sorrio…
Antecipação do prazer,
numa manhã de primavera.
©Graça Costa
imagem da web
terça-feira, 3 de abril de 2018
NOS BRAÇOS DA MADRUGADA
Embriagada
de insónia
enamorei-me da madrugada.
Pedi-lhe uma manhã clara,
com raios de sol vibrantes
salpicados de brisa
e aroma de mar.
o cheiro da pele molhada,
pela textura do beijo,
o som cálido e quente da tua voz.
deixei que as lágrimas lavassem a saudade
e deixei-me levar …
adormeci nos braços da madrugada
e neles te revisitei.
e os ecos de ti que no olhar gravei.
alquimia de sentidos,
guardados na pele
e no mar dos sonhos,
agora calmos.
enamorei-me da madrugada.
Pedi-lhe uma manhã clara,
com raios de sol vibrantes
salpicados de brisa
e aroma de mar.
Pedi-lhe também
o calor do teu corpo,
a ternura do
abraço,o cheiro da pele molhada,
pela textura do beijo,
o som cálido e quente da tua voz.
Enrosquei-me
na tua ausência
que de tão
presente se fez dor,deixei que as lágrimas lavassem a saudade
e deixei-me levar …
O sono
venceu a batalha dos sentidos.
Exausta,adormeci nos braços da madrugada
e neles te revisitei.
Desse dia
feito noite,
guardo os
sonhos que inventeie os ecos de ti que no olhar gravei.
Tesouros
d´alma,
aromas de
infinito,alquimia de sentidos,
guardados na pele
e no mar dos sonhos,
agora calmos.
©Graça Costa
imagem da web
segunda-feira, 2 de abril de 2018
COMO DA PRIMEIRA VEZ
Olhou-o e sentiu
a aura cálida do amor
a penetrar-lhe a pele,...
como se o estivesse a ver pela primeira vez.
a aura cálida do amor
a penetrar-lhe a pele,...
como se o estivesse a ver pela primeira vez.
Terna a lembrança
daquilo que foi.
Sereno o desejo
daquilo que ainda podia vir a ser.
Olhou-o
e a pele falou
como se pintada pelos dedos da paixão,
sibilando aromas de terra e mar,
revelando segredos partilhados
na fusão dos corpos
ao amanhecer.
Olhou-o
e agradeceu o acaso do destino,
aquele segundo de eternidade
em que o coração se inquietou,
perante a imensidão
do amor que nascia.
©Graça Costa
daquilo que foi.
Sereno o desejo
daquilo que ainda podia vir a ser.
Olhou-o
e a pele falou
como se pintada pelos dedos da paixão,
sibilando aromas de terra e mar,
revelando segredos partilhados
na fusão dos corpos
ao amanhecer.
Olhou-o
e agradeceu o acaso do destino,
aquele segundo de eternidade
em que o coração se inquietou,
perante a imensidão
do amor que nascia.
©Graça Costa
domingo, 25 de março de 2018
CONVERSANDO COM O SILÊNCIO
Existe no silêncio
um luar de nuvens mansas
uma alma secreta
de murmúrios vestida.
de murmúrios vestida.
uma doçura tamanha,
que só de o prever já me embalo
no seu sentir.
Só quem conversa com o silêncio
tem alma para sentir o poema
que antes de o ser já dança na retina,
penetra a pele com a intensidade de um beijo
e desperta a fome
do amor vivido em firmamentos distantes.
do amor vivido em firmamentos distantes.
Oxalá a noite me doure os sentidos,
me crave na pele a vontade de me dar
e que o canto da minha voz,
não seja voz
não seja voz
mas pele…
sedenta de outra pele.
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