terça-feira, 10 de abril de 2018

SONHOS ROUBADOS

O dia acordou sinuoso e inquieto.

Pairava no ar um quê de mistério
e o horizonte trazia nos dedos
promessas de ternura,
em gomos de romã
e ramos de violetas.
 
Havia no ar uma serenidade etérea,
como se aquele dia trouxesse no rosto,
a magia de sonhos roubados.
 
Nos olhos, o espanto
pela profusão de aromas e sons que vinham de longe,
mas que pareciam sair de dentro de si.
 
Depressa percebeu que o seu tempo
e o seu corpo se haviam fundido naquele dia,
em que a primavera nascia
calma e serena por entre a maresia.
 
Fechou os olhos e sorriu 
ao sentir o raio de sol que lhe inundava o rosto.
 
Mordeu os lábios com sabor de romã,
vestiu-se de violetas
e esperou.

Distintamente ouviu o silêncio dos teus passos.

Vinhas a caminho,
para reinventar o sonho roubado,
e ela esperou.
Esperou e sorriu
porque para ela , tu eras
o horizonte da esperança
que ao longe nascia.
 
©Graça Costa
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quarta-feira, 4 de abril de 2018

MANHÃ DE PRIMAVERA

Como o dia está tão feio, deixo-vos um aroma primaveril em jeito de poema, com desejos de bom dia.

No amanhecer que desponta,...
sou pássaro livre
sou fonte
sorriso aberto
espuma do vento.

Sou tudo isso
e o que mais queiras.

Por ti acordo,
contigo me deito,
desejo na pele,
ternura no olhar.

No amanhecer que desponta
navego, serena como espuma do mar
e na fluidez dos sentidos
deixo-me enamorar pela maresia,
dos teus dedos na minha pele.

Fecho os olhos e sinto o teu toque.

Deleite dos fins de tarde
em que flutuamos rumo ao anoitecer
que por ora apenas é sonho.

Ferve-me a pele e sorrio…

Antecipação do prazer,
numa manhã de primavera.

©Graça Costa
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terça-feira, 3 de abril de 2018

NOS BRAÇOS DA MADRUGADA

Embriagada de insónia
enamorei-me da madrugada.

Pedi-lhe uma manhã clara,
com raios de sol vibrantes
salpicados de brisa
e aroma de mar.

Pedi-lhe também o calor do teu corpo,
a ternura do abraço,
o cheiro da pele molhada,
pela textura do beijo,
o som cálido e quente da tua voz.

Enrosquei-me na tua ausência
que de tão presente se fez dor,
deixei que as lágrimas lavassem a saudade
e deixei-me levar …

O sono venceu a batalha dos sentidos.
Exausta,
adormeci nos braços da madrugada
e neles te revisitei.

Desse dia feito noite,
guardo os sonhos que inventei
e os ecos de ti que no olhar gravei.

Tesouros d´alma,
aromas de infinito,
alquimia de sentidos,
guardados na pele
e no mar dos sonhos,
agora calmos.


©Graça Costa
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segunda-feira, 2 de abril de 2018

PARAÍSO

Via contornos de paraíso
naquele corpo nu espelhado na aurora...

Promessas adiadas de dança poema.

Visão profética do lamento feito prazer,
que antecede o verbo.

©Graça Costa
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COMO DA PRIMEIRA VEZ

Olhou-o e sentiu
a aura cálida do amor
a penetrar-lhe a pele,...
como se o estivesse a ver pela primeira vez.


Terna a lembrança
daquilo que foi.
Sereno o desejo
daquilo que ainda podia vir a ser.

Olhou-o
e a pele falou
como se pintada pelos dedos da paixão,
sibilando aromas de terra e mar,
revelando segredos partilhados
na fusão dos corpos
ao amanhecer.

Olhou-o
e agradeceu o acaso do destino,
aquele segundo de eternidade
em que o coração se inquietou,
perante a imensidão
do amor que nascia.

©Graça Costa


 

domingo, 25 de março de 2018

CONVERSANDO COM O SILÊNCIO

Existe no silêncio
um luar de nuvens mansas
uma alma secreta
de murmúrios vestida.
uma doçura tamanha,
que só de o prever já me embalo
no seu sentir.

Só quem conversa com o silêncio
tem alma para sentir o poema
que antes de o ser já dança na retina,
penetra a pele com a intensidade de um beijo
e desperta a fome
do amor vivido em firmamentos distantes.

Oxalá a noite me doure os sentidos,
me crave na pele a vontade de me dar
e que o canto da minha voz,
não seja voz
mas pele…
sedenta de outra pele.


©Graça Costa
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sexta-feira, 23 de março de 2018

JUST FEEL

 Look at me
as if you were seeing me for the first time.
Touch my skin
and feel again the warm pleasurable shiver
you felt that day.

Close your eyes
and follow my voice.
No questions asked.
No judgements.
Just do as I say
and feel.

Feel the smoothness of the body,
the warmth of the words,
the desire growing slowly,
as a feather floating down the river.

Stay still my love.
Let me dress your naked body with my skin.
Let me draw the sunset on your chest
with my lips.
Let me...
Let me...
just feel.

By the time you become breathless.
spell my name to the wind
and let yourself
melt in me
like dew at summer dawn.


©Graça Costa


 

quarta-feira, 21 de março de 2018

E O DIA ESPEROU COMIGO

Era um dia daqueles
em que o amanhecer é dourado
orvalhado com diamantes de luz.

Era um dia daqueles
em que o coração acorda descompassado
com a pele em arrepio eterno,
como tatuagem,
sussurrando o teu nome ao dia que desponta.

Era um daqueles dias
em que o corpo pede corpo
e o olhar jorra paixão
por entre gemidos
e pérolas de mel.

Era um daqueles dias
de prece e de ilusão,
de esperança,
horas lentas
e expectativas tantas...

Decidi esperar,
contigo na retina e nas memórias.

E o dia esperou comigo
complacente e sereno,
cúmplice da paixão que viria a ser
mas que dentro de mim já o era.

©Graça Costa
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POESIA

21 de Março - Dia Mundial da Poesia - a minha singela e pessoal homenagem.

POESIA

Quem és tu a quem chamam poesia?...
De quem és filha?
De quem és mãe?
Que genes trazes contigo para seres assim,
tão única,
tão bela,
tão prenhe de sonhos
memórias
lagrimas,
amores e paixões ?

Quem és tu que me rasgaste os sentidos
e num rendilhado de mel e dor
me obrigas a deixar cair no papel
estas palavras
e a outras
e tantas outras que sinto
mas ainda não ouso falar ?
Não te conheço o rosto
mas sinto-te a alma nos dedos,
o perfume na pele em chamas
o feitiço do querer e não querer,
as amarras e o não conseguir esquecer.
Não te conheço,
amiga,
amante,
irmã,
só sei que te trago na pele
e que sem ti fico nua
como recém -nascido sem cama.

©Graça Costa
 

segunda-feira, 19 de março de 2018

NÃO TENHO JEITO PARA SEU POUCO


Não tenho jeito para ser pouco.

Tudo em mim é excessivo.
Tudo transborda
em catadupa,
cascata de afecto.

Tudo em mim é sentido
e cada poro de pele, responde ao seu jeito.

Tudo em mim é saboreado,
com a ternura de quem toca,
um filho pela primeira vez.

Escondido em cada gesto,
o carinho,
que só vê, quem como eu sente assim,
de forma excessiva,
qual sol rasgando a madrugada.

Não tenho jeito para ser pouco
e gosto de ser assim.
Braço que envolve.
Pele que afaga.
Dor rasgada.
Alma cansada.
Alegria partilhada.
Ternura,
Carinho
Paz.
Plena de Amor.
Inteira.

 ©Graça Costa