quarta-feira, 21 de março de 2018

POESIA

21 de Março - Dia Mundial da Poesia - a minha singela e pessoal homenagem.

POESIA

Quem és tu a quem chamam poesia?...
De quem és filha?
De quem és mãe?
Que genes trazes contigo para seres assim,
tão única,
tão bela,
tão prenhe de sonhos
memórias
lagrimas,
amores e paixões ?

Quem és tu que me rasgaste os sentidos
e num rendilhado de mel e dor
me obrigas a deixar cair no papel
estas palavras
e a outras
e tantas outras que sinto
mas ainda não ouso falar ?
Não te conheço o rosto
mas sinto-te a alma nos dedos,
o perfume na pele em chamas
o feitiço do querer e não querer,
as amarras e o não conseguir esquecer.
Não te conheço,
amiga,
amante,
irmã,
só sei que te trago na pele
e que sem ti fico nua
como recém -nascido sem cama.

©Graça Costa
 

segunda-feira, 19 de março de 2018

NÃO TENHO JEITO PARA SEU POUCO


Não tenho jeito para ser pouco.

Tudo em mim é excessivo.
Tudo transborda
em catadupa,
cascata de afecto.

Tudo em mim é sentido
e cada poro de pele, responde ao seu jeito.

Tudo em mim é saboreado,
com a ternura de quem toca,
um filho pela primeira vez.

Escondido em cada gesto,
o carinho,
que só vê, quem como eu sente assim,
de forma excessiva,
qual sol rasgando a madrugada.

Não tenho jeito para ser pouco
e gosto de ser assim.
Braço que envolve.
Pele que afaga.
Dor rasgada.
Alma cansada.
Alegria partilhada.
Ternura,
Carinho
Paz.
Plena de Amor.
Inteira.

 ©Graça Costa
 

 

TECENDO SONHOS


Passei a noite tecendo sonhos...
No teu abraço senti a protecção da ousadia
e ousei.
No teu calor senti a força da ternura
e descansei.
No teu olhar preso no meu, senti a magia do amor
e fiquei.

Passei a noite tecendo sonhos
qual renda de bilro envolta em sábias mãos.
Teci-os brancos e coloridos
esborratados, divertidos,
por vezes encantados
outras apenas sentidos.

Passei a noite tecendo sonhos
e a levei-os no peito ao acordar.
Deles me alimento.
Com eles rego a vida e o olhar,
construindo o caminho,
passo a passo, sem vacilar.
 
 
©Graça Costa
imagem da web

 

sexta-feira, 16 de março de 2018

CANSAÇO

Antigas,
as lágrimas que rolam no rosto cansado.
 
Antigas,
mas com a força de uma juventude inóspita,
desafiante,
sem regra e sem rumo.

Caem porque têm que cair.

Gritam a liberdade dos prisioneiros de guerra
torturados pelo silêncio
que só as almas cansadas entendem.

Antigas.
Tão antigas que as tornei minhas.
Tão minhas, que a força com que as liberto
é a mesma com que as tento reter.

Sem sucesso,
porque pássaro livre precisa de mar para voar
e eu sou apenas rio,
com um imenso cansaço de lutar.

 ©Graça Costa
imagem da web
 
 
 
 
 

 

quinta-feira, 15 de março de 2018

AQUELE BEIJO

Aquele beijo
tinha o sabor encantado das palavras não ditas,
tinha a doçura da fruta madura
e a ternura de um por de sol prateado à beira mar.

Aquele beijo
tinha o querer e o não querer,
o vazio e a plenitude,
a intensidade do nascimento
e o poder da paixão a fermentar.

Aquele beijo
tinha o aroma de chocolate quente
e a beleza de uma buganvília
lambendo uma parede alva
como neve em pleno verão.

Aquele beijo
foi principio e fim
de qualquer coisa por inventar
que espera na beira da noite
luz para caminhar.

©Graça Costa
imagem retirada da web

quarta-feira, 14 de março de 2018

BEIJO


Beijas-me como o escultor
que acaricia o barro
para nele se fundir
devagar
como o entardecer.

Nas tuas mãos sou terra
mar e ar,
elementos em fusão
sem pressas,
sem lamentos.

Nas tuas mãos respiro
ao ritmo dos dedos
com que me envolves
e neles me derreto
como orvalho ao amanhecer.

Mais tarde,
agarro a cumplicidade da noite,
A ela ofereço os murmúrios que
no torpor da paixão
 arrancas do mais fundo de mim.

 Saboreio o desejo
que pressinto os teus olhos
e colo-me a ti num beijo quente,
longo,
lento,
porque há beijos mais profundos do que o mar.


©Graça Costa
imagem da web


 

quarta-feira, 7 de março de 2018

LADAINHA


Amarro o vento ao corpo
como se ele fosse um imenso campo,
e num desatino sem nome
deixo-o varrer-me da pele
toda a dor,
todo o cansaço,
todo caminho sem destino marcado.

De derrota em derrota
vou entrançando cicatrizes e delas faço tele virgem
para outras viagens.

Levei sempre comigo o vestido de vento
como se ele fosse um imenso campo
em que me espraio e me encanto,
em que te chamo num pranto
também ele sem nome e sem canto,
mas que tu ouves
e sentes
e sabes que é a ti que te chama,
como sussurro
ou suspiro
ou beijo de encanto.

Não sei se quebro esta dor
ou se ela me leva para outras paragens,
mas quero que saibas
que presente ou ausente,
estarei sempre velando o teu sono.

Podes encontrar-me no canto mais doce do teu sorriso,
também ele doce,
na tua pele,
porque nela vivo
e nela escrevo os poemas que guardas,
mesmo quando trago o vento amarrado no corpo
e pareço fugir ao encontro do amanhecer.

©Graça Costa
imagem da web
 

 
 

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

EM BUSCA DE TI


Mergulhei na noite em busca de ti
do teu olhar meigo
da tua pele serena e doce...
da tua paixão intensa com sabor a mel e a maresia.


Mergulhei na noite em busca de ti.
Nela encontrei o mar dos teus afectos
e nela me tornei onda para desaguar na tua praia.

E o mar sussurrou o teu nome,
a noite fez-se manto
e a lua fez-se caminho
para os meus passos incertos
de um amor maduro.

Mergulhei na noite em busca de ti
e quando senti o teu toque na minha pele
apenas sorri e deixei-me guiar pela maresia dos sonhos,
onde a magia acontece
e a paixão incandesce de Luz...

©Graça Costa

 

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

TELL ME

Tell me
that I'm a feather caressing your skin
that I'm a cool breeze on your lips
that I'm a soft whisper on your ear.

Tell me
because I need to know
that without me
life is small
unworthy
and days are fragments of pain and sorrow.

Hold on my love
 Keep searching
and you will find me
in every corner of scent
on every breath you take.

Hold on my love.
Close your eyes
and fell...
I'm around
dressed as feather
whisper
or breeze
only to feed your senses.

©Graça Costa
image : from web
 
 
 
 
 

HÁ UMA VOZ

Há uma voz cá dentro
que me dita o poema,
que me conduz a saudade da mão e do olhar...
do toque,
da entrega,
da fome
e da paixão.

Há uma voz cá dentro
que me conduz o sonho
e um sonho
que me conduz a ti.
A ti...
meu amor e meu chão,
meu refúgio e minha paixão.
Há uma voz cá dentro
que me encanta e me desencanta
me acolhe e me repele
numa catadupa de afectos
rolando num turbilhão.
Há uma voz cá dentro
que me dita o poema
e o poema...
não és tu nem sou eu...
somos nós,
eternamente Nós.

©Graça Costa
foto :
eu noutra encarnação