terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

EM BUSCA DE TI


Mergulhei na noite em busca de ti
do teu olhar meigo
da tua pele serena e doce...
da tua paixão intensa com sabor a mel e a maresia.


Mergulhei na noite em busca de ti.
Nela encontrei o mar dos teus afectos
e nela me tornei onda para desaguar na tua praia.

E o mar sussurrou o teu nome,
a noite fez-se manto
e a lua fez-se caminho
para os meus passos incertos
de um amor maduro.

Mergulhei na noite em busca de ti
e quando senti o teu toque na minha pele
apenas sorri e deixei-me guiar pela maresia dos sonhos,
onde a magia acontece
e a paixão incandesce de Luz...

©Graça Costa

 

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

TELL ME

Tell me
that I'm a feather caressing your skin
that I'm a cool breeze on your lips
that I'm a soft whisper on your ear.

Tell me
because I need to know
that without me
life is small
unworthy
and days are fragments of pain and sorrow.

Hold on my love
 Keep searching
and you will find me
in every corner of scent
on every breath you take.

Hold on my love.
Close your eyes
and fell...
I'm around
dressed as feather
whisper
or breeze
only to feed your senses.

©Graça Costa
image : from web
 
 
 
 
 

HÁ UMA VOZ

Há uma voz cá dentro
que me dita o poema,
que me conduz a saudade da mão e do olhar...
do toque,
da entrega,
da fome
e da paixão.

Há uma voz cá dentro
que me conduz o sonho
e um sonho
que me conduz a ti.
A ti...
meu amor e meu chão,
meu refúgio e minha paixão.
Há uma voz cá dentro
que me encanta e me desencanta
me acolhe e me repele
numa catadupa de afectos
rolando num turbilhão.
Há uma voz cá dentro
que me dita o poema
e o poema...
não és tu nem sou eu...
somos nós,
eternamente Nós.

©Graça Costa
foto :
eu noutra encarnação

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

A GUERREIRA

Cai a noite e tudo se transforma.
A guerreira vira pássaro,
flor,
princesa, ou arlequim,
misto de flor e de seda,
azul, prateada, carmim.

Bendita a cumplicidade da noite que tudo permite.
Sonho,
fantasia, dança,
brisa, sal, maresia, festim.

Do descanso da guerreira
agora lua, feiticeira, amante,
emerge a magia da palavra dita apenas com o olhar;
o convite da chama que arde sem se notar.

E o imprevisto acontece,
como acontece o Amor em dias incertos.

Doce a noite em que me deito
com o cansaço na pele e a ternura na voz.

Efémera noite, eu sei…
mas tão cheia de sonhos por cumprir.

A ela me entrego
com a nudez mais terna
e faço do seu abraço ,
uma homenagem ao dia que promete.


©Graça Costa
imagem da Web

 

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

O MEU AMOR

O meu amor,
tem mãos de silêncio rompendo a aurora.
Traz na pele a brisa do vento
e no olhar a promessa de dias calmos.

O meu amor,
traz a saudade na ponta dos dedos
e a ternura nos lábios de dor.
A mim se oferece como em oração,
despojado de tudo,
fruta madura por colher.

O meu amor,
traz colado na pele
o grito da paixão contida
e no peito o desespero da partilha.
O meu amor,
dorme no meu peito.
Bebo-lhe o semblante
e parto com ele com asas no pés,
em busca de outras paisagens
em que mesmo nua,
me sinta vestida
de paixão e de esperança.

©Graça Costa
imagem- Klimt

 

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

PORQUÊ ?

Porque é que quando ponho a alma a falar, ela chora ?
Chora lágrimas diamante.
Invisíveis e preciosas
como seiva de vidas vividas e por viver.

Tem dias em que a alma chora, sorrindo
e as suas lágrimas adornam-me o colo, como pérolas.

Com elas construo colares ou túnicas,
vestidos, canções, tantos mundos…
jogos de prazer e ternura,
prenúncios de fim de tarde inventados,
dentro do peito encerrados.

Porque choras alma?
Porque te inquietas?
Porque lágrima é vida.
Lágrima é arte e poesia,
inquietação repentista,
emoção,
abraço, silêncio, calma,
vento uivo ou furação.

Não sei porque choras alma,
mas no meu egoísmo brando
te peço…
chora um pouco mais,
por favor…


©Graça Costa
imagem da web

 

À DESCOBERTA DO AMOR

Parto à descoberta do amor,
com a curiosidade infantil
do desconhecido que ainda há em mim.

Perdi o medo do amor
porque amar é simplicidade.

Deixo fluir os sentidos,
dou se tiver vontade,
quando tiver vontade,
e recebo com carinho
a mão estendida,
a doçura de pele
o beijo lento e sedutor.

Saboreio sem pressas,
a fusão dos corpos que se dissolvem
em maresia e poemas
nas noites rubras de rigorosa invernia.
Saboreio sem pressas
e contemplo o esplendor
do amor que acontece.

©Graça Costa

domingo, 4 de fevereiro de 2018

PALAVRAS

Passeiam-me pelo corpo as palavras.
Como mãos nuas e rugosas
de quem trabalha a terra sem luvas,
emborracham-se na tela do meu corpo feito papel,
feito cinza
ou feito mar.
Recheando os afetos de verbos,
adjectivos,
pronomes e interjeições,
como amantes experientes eu e as palavras brincamos;
Fantasiamos
Exploramos,
Gozamos
Rimos e choramos
Ou simplesmente contemplamos.
Há algo de profundamente sensual nas palavras,
na forma de as saborear,
trincar,
adivinhar,
na forma como as damos,
ou insinuamos,
na insensatez do quase
que não chega a ser verbo.
Passeiam-me no corpo as palavras…
Uns dias pedra,
outras cinzel.
Uns dias fome,
outros dias…
mel.
©Graça Costa


quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

DONT GIVE UP

Dont give up dreaming your dreamings
even if someone tells you
dreams are colorful
and yours are colourless.

Dont give up.
Shades of grey can be beautiful
black and white
make beautiful shadow canvas
and your dreams are just as great as everyones elses
Because they are
your dreams.

Don’t give up…
Keep on…
Battles are tough
Days can be rough
but theres always a flower
bursting from a rock.

It might be you.

 ©Graça Costa
 
 

O JARDIM


Quando era criança, olhava-me ao espelho e via um jardim.
Não um jardim exuberante, certinho, estonteante de tão belo, mas um pedaço de terra virgem à espera da semente, da rega, do cuidado diário, da paciência.
Olhava-me ao espelho e via um jardim.
Olhava-o com a bondade de quem erra e estava disposto a crescer; com a ternura de quem afagava a pele da terra e nela se fundia como gota de orvalho pela manhã.

Jardins não nascem prontos.
Precisam tempo, paciência, cuidado, insistência, persistência.
Precisam de Amor, mas também de espaço.

O meu jardim tinha sede de afecto – precisava do sol dos olhos de quem me amava, do abraço firme, de se sentir querido.

Por vezes também precisava de solidão, porque é nela que que nos encontramos, que descobrimos a nossa essência, fazendo as perguntas que têm que ser feitas.  É nesse aparente enorme vazio da solidão que o projecto de nós se esboça e começa a tomar forma.

Aprendi cedo que muito do que sou uma mescla do que fui construindo dentro de mim e do que a vida me deu, no contacto/ aprendizagem com os outros.

Ninguém é feliz sozinho e por isso, devagar, lentamente fui semeando no jardim que era e sou , outras flores, outras arvores, outros arbustos. Fui arrancando as ervas daninhas, ordenando os canteiros, percebendo como tinha que os organizar para tirar o melhor de cada um e não abafar o esplendor de nenhum, ousando experimentar outros aromas.

Cresci. Continuo a crescer, porque a isso me obrigo e porque o jardim continua a precisar ser cuidado, regado, apreciado, diariamente.

Às vezes visto-o de festa; outras de saudade; às vezes nostalgia, outras, amizade.
Agora tem pele de jardim de inverno. As flores dormem o sono de beleza que a primavera irá despertar. Dormem e merecem esse repouso reparador.
Estou nua, exposta, mas isso não me perturba.

O ciclo é mesmo assim… 
Por isso afago com gratidão o acordar e o sentir do pulsar da vida em cada amanhecer.

©Graça Costa
imagem da web