terça-feira, 9 de janeiro de 2018

JUST FEEL


Look at me

as if you were seeing me for the first time.

Touch my skin

and feel again the warm pleasurable shiver

you felt that day.

Close your eyes

and follow my voice.

No questions asked.

No judgements.

Just do as I say

and feel.

Feel the smoothness of the body,

the warmth of the words,

the desire growing slowly,

as a feather floating down the river.

Stay still my love.

Let me dress your naked body with my skin.

Let me draw the sunset on your chest

with my lips.

Let me,

Let me just feel.

By the time you become breathless.

spell my name to the wind

and let yourself

melt in me

like dew at summer dawn.

 
©Graça Costa
imagem do Pinterest
 
 
 
 

INSTANTES

A manhã trouxe-me o teu aroma
envolto em melodia.
Acordes lentos,
suaves como carícias,
quase suspiro enroscado em beijo.

A manhã trouxe-me as saudades
dos dias em que as horas eram as tuas mãos no meu corpo
e o sol era a tua voz sussurrando no meu ouvido.

Instantes...
Instantes que valem vidas.

Abri os olhos e pedi ao tempo
um pouco mais de tempo para te sentir.
Tempo para sentir
mesmo aquilo que não tive tempo de viver.

Magia das memórias,
que deixam sementes para continuarmos a construir o caminho,
em que mesmo não estando...estarás,
sempre...
ou pelo menos,
até que eu te queira por perto.

©Graça Costa

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

O EMBALO DAS PALAVRAS

Ah, as palavras,
meu conforto,
meu espanto.
Com elas me visto,
me dispo,
canso e descanso.
Com elas brinco e com elas me alimento.
Do amor que brota de cada letra,
de cada acento,
de pausa, abrupta ou suave
leve como carícia,
profunda como cicatriz.

Do embalo das palavras nasce o poema.
De espanto em espanto
recomeça o canto.
De canto em canto,
recupero o espanto
a que me entrego sem rede,
como lamento vogando na corrente da esperança.

Junto-as todas.
E nesta dança desencontrada de letras e sons
neste lamento de enganos e desenganos,
construo o poema,
que sereno me invade,
e te invade também,
a ti que o acolhes
no despontar do dia
ou na vereda escarlate,
na noite sombria
ou num sonho... sem tarde.

 ©Graça Costa
Sylvie Guillot - desenho



 

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

ETERNIDADE


Sinto a eternidade gravada

em cada poro de pele

que se abre ao êxtase do teu toque;

em cada olhar partilhado,

em cada arrepio, ainda que fugaz,

em cada memória do que tivemos um dia e deixou chama,

em cada até breve

imerso em nostalgia e cansaço.

 
Sinto a eternidade gravada

em cada palavra sussurrada,

que se desfaz num arquejo ou num soluçar ligeiro,

doce e suave como uma dádiva,

melancólico como o entardecer sem amanhã.

 
Nesta eternidade ao segundo, ficamos.

Como canção lançada ao vento, ficamos,

entrelaçados na rima,

envoltos em melodia e cansaço,

para lá do medo

para lá de tudo

para lá do fim.

 
Apenas nós,

perdidos no fragmento do tempo que passa.

 
©Graça Costa
 
 

 

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

SE EU PUDESSE

Ah se eu pudesse gritaria um amanhecer claro,
um sol vibrante,
uma brisa suave,...
sorrisos amplos,
braços abertos ao despontar do dia.


Se eu pudesse,
estreitaria abraços,
criaria cumplicidades,
daquelas que os sábios saboreiam e partilham,
os cínicos apregoam
e os tolos ignoram.

Se eu pudesse gritar um tal amanhecer,
multiplicaria a centelha da esperança
caminharia rumo ao entardecer,
e uma vez lá,
repousaria feliz na ternura de um abraço,
daqueles que tornam o humano divino
e o efémero intemporal.

©Graça Costa

 

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

IN DISGUISE


Tell me
that I'm a feather caressing your skin
that I'm a cool breeze on your lips
that I'm a soft whisper on your ear.

Tell me
because I need to know
that without me
life is small
unworthy
and days are fragments of pain and sorrow.

Hold on my love
Keep searching
and you will find me
in every corner of scent
on every breath you take.

Hold on my love.
Close your eyes
and fell...
I'm around
dressed as feather
whisper
or breeze
only to feed your senses.

 
©Graça Costa
 
 

INTERMITÊNCIAS

Intermitente,
o sorriso após o êxtase
iluminava a escuridão como vagalume em noite de verão.

Inquietos os dedos dos amantes
desenhavam nos corpos
palavras imprevistas,
inventadas,
inconsequentes,
quase letais.

Sentiu o corpo derreter como espuma,
e o olhar preso no seu
numa súplica surda
em direcção ao recomeço.

Na intermitência do sorriso,
fragmentos de dor em suspensão
mesclados com aquele prazer doce
do amor partilhado.

Sem palavas porque desnecessárias,
apenas o sorriso permanece,
como tatuagem
gravada no rosto dos amantes sem nome,
perdidos na noite que amanhece.

©Graça Costa
imagem da web
 


 

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

A ESPERA

Deixaste-me na boca um sabor a espanto,
na pele a súplica do desejo inacabado,
e a fome de mais que o dia levou.

Deixaste-me no olhar um sopro de maré viva,
uma tempestade de afectos incontidos
clamando pela noite
ou apenas pelo som dos teus passos na escuridão.

O dia passou,
lento e soturno,
mas dentro de mim,
sempre o sol
com os seus lábios de silêncio
e o paraíso no olhar,
envolvendo-me no fogo da espera
do tanto que te quero.

Depois o dia caiu no horizonte
deixando no ar promessas guardadas
no ontem que não chegou a ser.

Esperei-te.
Esperei o teu abraço
e naquele quê de dia em que a solidão termina.

Deixei-me envolver no rendilhado 
dos dias sonhados antes do amanhecer
em que os teus braços são cama
e o meu corpo
poema
pintado pelo teu olhar
colado no meu.

 ©Graça Costa
desenho - David Walker
 
 

NA TUA PELE

Tão bom,

Acordar e ter o teu rosto

A sorrir para os meus olhos

Estender os braços

E ter a tua pele

A abraçar a minha pele.

Fechar os olhos

e ter os teus lábios

sussurrando paraísos distantes

aqui tão perto.

 

Tão bom,

entrar no corredor do dia que começa

e encontrar o abraço dos teus olhos

a guiar-me o caminho,

a luz do teu sorriso

a incendiar a aurora.

 

Sinto o amor

no livro da tua pele

e nela a tentação de ficar

assim

saboreando casa silaba,

cada pronome

cada interjeição

escondida nesse corpo que se me entende

em oferenda surda.

 

Porque cada dia na tua pele

é sempre uma primeira vez

Fico…

saciada

por ora,

antecipando nova pagina

da tua pele em mim.

 

©Graça Costa
 
 

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

DEPOIS

Trazia o outono nos cabelos
e um prado de erva fresca no olhar...

Caminhava como se trouxesse o luar nos pés,
iluminando o caminho
e semeando sorrisos.

O corpo nu,
convidava ao deleite de noites de verão
embaladas por brisa suave
e choro de guitarras.

Entreguei-me ao entardecer,
como se pudesse parar o tempo
e sussurrei o teu nome ao vento.

Foi então que chegaste
e me cobriste o corpo de beijos
com a fome dos dias longos
e das noites por inventar.

Dei-me de novo
como da primeira vez,
sem medos nem dúvidas,
toda alma,
todo corpo,
toda luz.

Depois da explosão dos nossos corpos em chama,
enrolei-me no teu corpo de mel
e deixei o sono levar-me
até ao mundo dos sonhos e das memórias.

Sereno o sono depois do amor...

©Graça Costa
imagem da web




 

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

SONHAR

Quantas vezes digo a mim mesma:
Voa…
Voa mais alto,
ousa,
perde-te na imensidão do azul.
Conquista a lua
apenas com o desejo de querer abraça-la.

Faz pulseiras de pérolas com lágrimas,
colares com suspiros,
nuvens com solidão,
bailados com pétalas de estrelas
paraísos para o coração.

Sonhar é isto…
mais alto,
mais longe,
mais forte,
sozinha ou pela tua mão.

É ter a ternura na ponta dos dedos.
É colocar o Sentir a galope,
num puro sangue lusitano;
é levar a imaginação para a vastidão do mar,
e usá-lo como tela
para reescrever a história.

No fim,
talvez a história não seja de encantar…

Mas o que é que isso importa,
se o importante mesmo
é a ousadia do Sonho

©Graça Costa
 
 

terça-feira, 7 de novembro de 2017

MELANCOLIA

O mar dos olhos transbordou
mas não eram lágrimas que lhe escorriam pela pele.

Cada gota vertia afectos à tanto guardados em cama de orvalho e mel.

Talvez por isso o seu choro não fosse pranto
mas antes chuva de embalo,
suave e melancólico como brisa na seara.

O mar dos olhos transbordou mas ela sorriu.

Sorriu com um sorriso tão doce
como beijo roubado na penumbra do sentir.

Sentiu a maré vir ao seu encontro
e recebeu-a com silêncio de amantes em espera.

Saboreou-a…
e com ela alimentou a alma naquele dia.

©Graça Costa


 

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

CAVALGANDO O DIA

Hoje o dia acordou com o sol na voz,
o esplendor dos aromas primaveris
e a ousadia de promessas por cumprir.
 
Serviu-me gomos de magia
envoltos em aromas febris,
despertando-me a fome de ter
a tua pele na minha pele.

Cavalguei o dia e voei com ele
sacudindo o medo e a amargura das horas que passo sem ti.

Não sei o que fazer a esta urgência de amar
a este doce recordar
sem nome nem idade
mas a que chamo saudade.

A tarde vai caindo
terna e sonolenta como um abraço.
Observo-a com o brilho nos olhos
para iluminar a noite
e o caminho que te traga até mim.

Vem…
temos promessas por cumprir…

© Graça Costa
imagem da web

 

terça-feira, 31 de outubro de 2017

AMAR

Profético,
o sopro poderoso da fome
serpenteia-me o corpo envolto na bruma,
lacónico,
esfíngico,
quase prece
quase súplica.


Numa emergência de afectos por saciar,
procuro no teu olhar
a promessa da abundância
neste meu corpo feito terra lavrada.

Profético,
o Inverno de sementeiras
feitas pela tua mão.

Profética,
a linguagem universal do Amor,
quando arrancada das profundezas do SER.

Esteio do caos
perante o esplendor da vida
que começa a chegar ao amanhã.

© Graça Costa
tela de Federico Bebber





 

FREEDOM

 
 
 
 
 
 

REENCONTRO

Hoje lancei as mágoas
ao vento que passava por perto.

Fechei a porta.
Mergulhei no silêncio em busca de mim,
sabendo que me encontraria
nos pedaços de ti
que tenho guardados no peito.

Bebi o aroma da tua pele,
lavei a alma com memorias do teu olhar,
saciei-me no teu corpo imaginado
e deixei que a serenidade dos afectos
me envolvesse a pele
em chama lenta,
como lentos os teus beijos,
quais arrepios de morte com sorriso nos lábios.

Hoje lancei as mágoas
ao vento que passava por perto.

Vesti-me de brisa,
e no encantamento da noite deixei-me voar
em direcção ao teu abraço.

©Graça Costa
imagem da web

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

GUERREIRA

Cai a noite e tudo se transforma.
A guerreira vira pássaro,
flor,
princesa, ou arlequim,
misto de flor e de seda,
azul, prateada, carmim.

Bendita a cumplicidade da noite que tudo permite.
Sonho,
fantasia, dança,
brisa, sal, maresia, festim.

Do descanso da guerreira
agora lua, feiticeira, amante,
emerge a magia da palavra dita apenas com o olhar;
o convite da chama que arde sem se notar.

E o imprevisto acontece,
como acontece o Amor em dias incertos.

Doce a noite em que me deito
com o cansaço na pele e a ternura na voz.

Efémera noite, eu sei…
mas tão cheia de sonhos por cumprir.

A ela me entrego
com a nudez mais terna
e faço do seu abraço ,
uma homenagem ao dia que promete.


©Graça Costa
imagem da Web

terça-feira, 17 de outubro de 2017

NASCEU

Nos dias seguintes algumas pessoas conseguem fazer balanços.
Eu não. 

Hoje permito-me ser um bocadinho egoísta e reviver, saborear , filtrar e adoçar, ainda mais, tudo o que vivi ontem. É que vocês podem não ter total noção, mas o que vivi ontem, não se explica por palavras - pelo menos por enquanto. 

Nalguns comentários que fiz ao dia de ontem e aos Parabéns e desejos de sucesso que generosamente me foram enviando, fui partilhando o meu sentir.

Hoje, apenas 72 horas depois de um dia profundamente emotivo, apenas consigo dizer-vos - OBRIGADA e mais alguns pequenos nadas.

Desde que o lançamento do livro passou a ser uma realidade e organizá-lo, uma preocupação, a única coisa que me perpassava a mente era : que fosse bonito, que convidasse ao Sonho, que tivesse Luz, que fosse Partilha e Emoção, que envolvesse quem nele quisesse participar, numa aura quase mágica de Paz e Ternura.


Demasiado ambicioso, talvez, admito, mas era isso que o meu coração pedia e modestamente, acho que conseguimos, eu e vocês.


Uma gratidão enorme a todos os que estiveram comigo e ao Município de Tomar pela cedência do espaço pleno de magia e história onde tive o privilégio de lançar este livro / filho de palavras feito.
Espalhei "Fragmentos" e sinto-me hoje mais inteira que nunca - só pode ser magia.


" Há dias que ficam na história da história da gente"...e este ficou, na minha.


Graça





SOU


No amanhecer que desponta,

sou pássaro livre

sou fonte

sorriso aberto

espuma do vento.

Sou tudo isso

e o que mais queiras.

Por ti acordo

contigo me deito,

desejo na pele

ternura no olhar.

No amanhecer que desponta

navego serena como espuma do mar

e na fluidez dos sentidos

deixo-me enamorar pela maresia dos teus dedos na minha pele.

Fecho os olhos e nela sinto o teu toque.

Deleite dos fins de tarde

em que flutuamos rumo ao anoitecer

que por ora apenas é sonho.

Ferve-me a pele e sorrio…

Antecipação do prazer

numa manhã de primavera.

 
©Graça Costa
imagem da web
 
 

 


 

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

ALMA

Tem dias em que pergunto às estrelas
qual a cor da Alma,
qual a sua textura,
o cheiro,
o semblante,
o matiz ?
Imagino-a conforme o sabor dos dias.
Leve ou sombria,
doce ou matizada pelas especiarias do tempo.
No espelho do fim da tarde
contemplo o seu voar,
sinto-a a amarar no peito.
Limpo-a das amarguras e dores,
cubro-a com os cristais estrelados da noite,
embalo-a com carinho de mãe
e com pinceladas fortes, mas serenas,
estendo-lhe o sono
como presente de paz.
©Graça Costa