terça-feira, 11 de julho de 2017

ANTES DE TE VER

Acordo
e sinto-te antes de te ver.

Na penumbra,
o perfil do teu rosto,
o sorriso quase infantil,
o calor da pele
e o teu perfume,
doce e almiscarado
como chocolate quente saboreado à fogueira.

Acordo
e finjo dormir
para prolongar o sonho.

Relembro a maré mansa e luxuriante do beijo,
a fusão da pele,
o crescendo da paixão,
o êxtase,
a exaustão.

Relembro e sorrio
neste quase sono que é quase fome,
neste amanhecer brilhante
em que te sinto,
antes de te ver.


©Graça Costa


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sexta-feira, 7 de julho de 2017

NÃO ESPERES

Não esperes pela madrugada para me amares.
Não esperes pelo amanhecer para me contemplares.
Não esperes pelo entardecer para me sorrires.
Não esperes, porque pode não chegar.
Não esperes, porque não és dono do tempo
e o destino pode ter planos diferentes dos nossos.
Não esperes...
Ama-me o mais que puderes
sempre que puderes,
onde puderes.
Sorri-me como se não houvesse amanhã
e o sol morasse no meu corpo.
Beija-me a pele com a ternura do amanhecer.
Toca-me com a magia das tempestades em alto mar,
fascinantes,
furiosas,
inconstantes,
majestosas.
Mas nunca te esqueças.
Não esperes...
que o amanhã é incerto
e agora tens-me por perto
toda afecto
toda luz
toda tua.
Não esperes...

©Graça Costa
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quarta-feira, 5 de julho de 2017

PEDAÇOS D' ALMA

Olho-me no espelho e vejo o cansaço, a dor, o desalento.
No corpo, as cicatrizes,
os sinais da luta inglória e insane,
em busca de um melhor amanhã que tarda em chegar.

Procuro no olhar, a esperança,
nas mãos estendidas, o recado silencioso,
o resgate de um abraço,
alimento para o dia que começa.
Assim me visto de crepúsculo e chama,
de candura e lama
de ousadia, fome e fantasia.
Oleira de mim,
construo o que as mãos permitem
e a pele aceita
sabendo que a obra visível
e a sonhada, sentida,
raramente são comparáveis.

Aquilo que para uns será sol,
para outros será nevoeiro, vento e maresia.
Vejo-me a cores, a grafitte ou a pastel.
Como me vêm os outros?
Não sei…
Não sei se quero saber.
Sou como sou...
Ainda que ferida, 
guardo a beleza da dor
e o esplendor da dádiva,
ofereço a candura do abraço
e a plenitude do ser.

Assim sou…
Inteira,
porque não sei ser de outro modo.
Assim me dou...
A quem tiver Alma para me sentir.

©Graça Costa




segunda-feira, 3 de julho de 2017

ABRAÇA-ME

ABRAÇA-ME

Abraça-me como se tudo estivesse no principio
e os teus dedos tocassem a minha pele pela primeira vez.

Apura os sentidos e decora-me o cheiro e o sabor.

Lavra-me o corpo de terra orvalhada
e planta-me a chuva no rosto
e as sementes da paixão na pele.

Depois espera...
contempla como o teu olhar se insinua,
perante o banquete de aromas, texturas e sabores
que o meu corpo te oferece.

Sacia-te neste campo de frutos silvestres
neste mar de coral
nesta fonte de água fresca.

Ou então...
abraça-me apenas.

©Graça Costa


sexta-feira, 30 de junho de 2017

SONHOS ROUBADOS

O dia acordou sinuoso e inquieto.
Pairava no ar um quê de mistério
e o horizonte trazia nos dedos
promessas de ternura em gomos de romã e ramos de violetas.

No ar, uma serenidade etérea
como se aquele dia trouxesse no rosto alvo
magia de sonhos roubados.

Os olhos abriram-se pelo espanto
da profusão de aromas e sons que vinham de longe,
mas que ao mesmo tempo pareciam sair de dentro de si.

Depressa percebeu que o  tempo
e o corpo se haviam fundido naquele dia,
em que a primavera nascia,
calma e serena por entre a maresia.

Fechou os olhos e sorriu ao sentir o raio de sol que lhe inundava o rosto.
Mordeu os lábios com sabor de romã,
vestiu-se de violetas e esperou.

Ao longe, o gemido dos teus passos
lentos,
ousados,
como o amor reinventado
em cada beijo trocado.


©Graça Costa
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quinta-feira, 29 de junho de 2017

VIAGENS

Há livros que nos perseguem como se tivessem corpo,
que nos acariciam como se tivessem mãos,
que nos falam como se tivessem boca,
que nos roubam a alma como amantes furtivos.
Há livros assim,
que nos arrebatam na primeira frase.
Neles mergulhamos,
com a sensual nudez do desejo
e cada página tem o aroma de sexo do amor acabado de fazer.
Cada linha tem a intensidade de um beijo
e cada palavra o calor da fusão da pele.
Existem livros assim.
Livros que nos envolvem o sentir
e nos deixam na pele marcas de vidas
que nunca foram nossas.
Magia das viagens feitas na palma das mãos.


©Graça Costa
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sexta-feira, 23 de junho de 2017

POESIA

Quem és tu a quem chamam poesia?
De quem és filha?
De quem és mãe?
Que trazes contigo para seres assim
tão única,
tão bela,
tão prenhe de sonhos
memórias
lagrimas,
amores e paixões ?
Quem és tu que me rasgaste os sentidos
e num rendilhado de mel e espinhos
me obrigas a deixar cair no papel
estas palavras
e outras
e tantas outras que sinto,
mas ainda não ouso falar ?
Não te conheço o rosto
mas sinto-te a alma nos dedos,
o perfume na pele em chamas
o feitiço do querer e não querer,
as amarras e o não conseguir esquecer.
Não te conheço,
amiga,
amante ,
irmã,
mas sei que te trago na pele,
e que sem ti fico nua,
como recém - nascido sem cama.
©Graça Costa


quinta-feira, 22 de junho de 2017

CREPÚSCULO

Carregava o crepúsculo no olhar,
quase fardo,
quase dor,
quase esperança.

Como numa melodia de saudade,
sussurrava palavras de silêncio
envoltas em lágrimas,
e seu corpo ondulava
como numa quase perfeita
imagem de oração.

Ela carregava o crepúsculo no olhar
mas, quando sentiu o apelo da noite,
deixou o corpo flutuar
como uma pena ao sabor da corrente.

Deslizou para o colo daquele anjo,
com os braços de ternura e pele de cetim
e ali ficou, saboreando o dia que adormecia

Cansaço.
Era tanto cansaço,
que as estrelas brilharam mais forte,
apenas para lhe  iluminar o sono.


©Graça Costa
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quarta-feira, 21 de junho de 2017

URGÊNCIA

Digam-me como conter a urgência ?
O que fazer quando sentes a pele rebentar de emoções,
e as palavras a borboletearem-te na cabeça,
incessantes,
intensas,
frenéticas ?
Digam-me como conter a urgência de ternura ?
Como pedir, sem pedir
lábios carnudos e sedentos de beijos
carícias, lamentos,
paixão,
a emoção do dar e receber
que antes de ser já se sente?
Digam-se, como viver sem sentir?
Porque não sei e não quero,
ser espectro errante sem alma
imagem de gente, mas não Pessoa.
Digam-me como conter a urgência de amar,
para que eu a acorrente no peito
e o mar não a leve com a mudança da maré.

©Graça Costa


LET

Let your skin be my road to heaven.
Let your lips be my dream to wonderland.
Let your body be the alphabet of love in disguise
of laughter,
of whispers,
of shivers,
of surrender.

My body is your shelter.
My touch the seed of love.
My eyes cross rough frontiers
just to caress your soul.

Take me,
to that place where streets have no name;
to that magic place that changes when we make love.
The sun shines stronger,
the rain is sweeter
and time stops
just to let us dream.

Take me
for I'm longing to your touch.


©Graça Costa