terça-feira, 20 de junho de 2017

TALVEZ

Talvez chame saudade,
à lágrima teimosa espreitando no canto do olho.

Talvez chame tristeza,
àquele olhar perdido nos horizontes da memoria.

Talvez chame ternura,
ao toque da pele ou à doçura de um beijo.

Talvez chame magia,
à delicadeza subtil com que embalo as palavras
só para vos fazer sorrir.

Talvez o sonho ganhe asas
e vos faça partir,
numa viagem sem rota
rumo a um qualquer amanhecer.

Talvez estas palavras ganhem vida
só porque sim…
porque tem que ser.




© Graça Costa


quarta-feira, 7 de junho de 2017

REENCONTRO


Tinha-te perdido nos escombros da alma
e no meio da dor esqueci o teu semblante.
De ti apenas restou
o brilho dos teus olhos quando me vias,
a forma como sorriam quando me amavas no silêncio da tarde
e o aroma tão nosso quando virávamos um.
Tinha-te perdido nos escombros da alma,
mas a alma tem muitas marés
e numa delas veio a tua mão estendida.
Reconheci-te pelo toque da pele…
Não precisei de palavras,
nem de explicações…
Só da tua pele na minha pele.
Não precisei de mais nada…
fechei o olhos e limitei-me a sentir
a intensa grandeza da paixão
renascida dos escombros da alma.

©Graça Costa 
imagem da web


terça-feira, 6 de junho de 2017

DESEJO

Na sombra do fim da tarde
apeteces-me...
Desfaço-me do cansaço do dia,
fio a fio,
floco a floco,
qual melodia de embalo
derramado pela encosta da vida que passa.

Desfruto do entardecer
e espero...

Ao longe o som dos teus passos
vibrantes como desejo
ecoando na sombra do fim da tarde,
latejando
dentro de mim.



©Graça Costa.
imagem da web



domingo, 4 de junho de 2017

ESPERANDO POR TI

Vestida lua e de espanto esperei por ti.

De sentidos e emoções em riste,
esperei que o vento te trouxesse ate mim
e a maresia fosse o timbre do amor na tua voz.

Envolta em sonhos e sussurros imaginados,
senti o arrepio da pele,
o brilho do olhar,
o sorriso a insinuar-se no rosto
tão cheio de expetativas quanto de enganos.

No entanto…esperei,
presa naquele fragmento de paraíso só meu,
que só tu sentes,
só tu vês,
só tu consegues tornar teu
apenas com a forma como me olhas.

Por ti espero,
neste dossel de noites eternas
embriagado de afectos,
onde a alma ganha voz
como um fado  gemido em êxtase e lamento.

Instantes de magia,
servidos em taças de ternura ;
fusão de pele,
melodias de outono tocadas a quatro mãos.




©Graça Costa
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sexta-feira, 2 de junho de 2017

A CURVA DO FIM DA TARDE

Esperei por ti na curva da tarde
como por ti esperou a fome do sentir.

Imaginei-te a romper a neblina
lentamente,
em slow motion,
saboreando cada passo que te trazia até mim.

Fechei os olhos e centrei-me nos sons,
no restolho que quebrava debaixo dos teus pés.

Mais  perto,
cada vez mais perto.

Não via , mas sentia o teu olhar preso no meu corpo
libertando-o de tudo o que te separava da minha pele.

E a pele sorria…
o olhar vidrava
o corpo gemia no silêncio da estrada.

Por fim senti-te chegar,
resposta à suplica muda que te pedia o olhar.

Arrepio de alma na curva da tarde.
Deitei-me no teu colo e deixei-me voar.

©Graça Costa
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EVASÃO

Deixou cair o olhar num vazio impreciso
meio loucura, meio mar,
frágil como um corpo nu ao romper da aurora,
após mais uma noite entre pesadelo e sonho.

Enleou os olhos na paisagem,
e deixou-os vaguear
perdidos no horizonte
em passos incertos,
como se o dia que raiava trouxesse prenúncio de morte.

Banhada em nostalgia,
truncada pela saudade de uma amor que nunca foi chão,
passeou pela orla do mar,
deixando a espuma das ondas tocar-me o corpo
como se fossem mãos.

Fechou os olhos, fingiu sentir o êxtase do amor por fazer
e fez-se maré levada pelo nevoeiro.

O coração dizia-lhe que estava muito para além da saudade
e o que sentia não tinha nome.

Serenidade, nostalgia,
amor, paixão, magia ?

Lançou tudo às ondas
e na orla da praia esperou
o que o mar lhe traria de volta.

Esperou …
e imaginou que nome lhe daria.

©Graça Costa
foto da web - autor desconhecido




quarta-feira, 31 de maio de 2017

VERTIGEM

Vertigem...

Alquimia de afectos.
Sentidos incandescentes,
profusão estonteante de aromas e sabores.


Depois o silêncio,
o deleite do saboreio nos teus olhos almiscarados
em busca dos meus.

E novamente o toque da pele.
E novamente a magia,
e o mistério da descoberta de ti.

Vertigem...
sede,
magia,
paixão.

Imensidão de eternidade.
Ternura serena na fusão dos corpos,
em chama lenta.

©Graça Costa
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segunda-feira, 29 de maio de 2017

MY BODY

My body,
white page in your hands,
kiss to uncertain lips,
sometimes gentle,
sometimes urgent.

My body,
of a sweet texture,
cotton,
linen,
satin,
challenge I offer you,
fully,
for you to lose
and find yourself.

My body,
yours,
for you to enjoy,
to flavour,
to feed you,
and feed me.

Indulge my hunger of needing you,
and bind on my skin,
the urgency of new beginnings

© Graça Costa
image from
 Ines Araújo


domingo, 28 de maio de 2017

MISTÉRIOS DA PELE

Aguarela de pele,
rugosa
macia
doce
amargurada;
branca
rosada
gritando alarmada.

Solidão de pele na noite aninhada,
braço estendido
voz abafada,
lágrima quente
alma disfarçada.

Mas solta-se a voz
na nudez da noite,
e a pele sorri 
ao vento abraçada
num sorriso meio louco.

Enverga um vestido
esculpido a cinzel
grito de veludo,
carícia
poema,
ou apenas
pele
em textura plena.


©Graça Costa
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sábado, 27 de maio de 2017

DEPOIS

Trazia o outono nos cabelos
e um prado de erva fresca no olhar.

Caminhava como se trouxesse o luar nos pés,
iluminando o caminho
e semeando sorrisos.

O corpo nu,
convidava ao deleite de noites de verão
embaladas por brisa suave
e choro de guitarras.

Entreguei-me ao entardecer,
como se pudesse parar o tempo
e quase em súplica, sussurrei o teu nome ao vento.

Foi então que chegaste
e me cobriste o corpo de beijos
com a fome dos dias longos
e das noites por inventar.

Dei-me de novo
como da primeira vez,
sem medos nem lamentos,
toda alma,
todo corpo,
toda luz.

Depois veio a magia dos nossos corpos em chama,
o milagre da fusão
a exaustão.

Enrolei-me no teu corpo de mel
e deixei o sono levar-me
até ao mundo doce dos sonhos e das memórias.

Sereno o sono depois do amor...


©Graça Costa
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