terça-feira, 16 de maio de 2017

BEIJO

Imaginou-o adocicado,
lento
morno
perdido.
Desenhou-o perfeito
macio
envolvente
como pluma na brisa.
Sentiu-o carente
faminto,
desconcertado,
medroso.
Acariciou-o
contra o peito
molhou os lábios
e num impulso quase infantil,
matou-lhe a sede de mel.
Mudou-lhe a vida
aquele beijo
que hoje tem lar,
lhe ilumina o olhar
e se repete
a cada instante
em que o recorda.
Imaginou-o.
Desenhou-o.
Acariciou-o,
Bebeu-o com a calma e a ternura dos amantes em pressa.
Ah...aquele beijo tem história escrita na memória dos dias.
Eterno.
Mágico.
Nosso.

©Graça Costa
imagem da Web



segunda-feira, 15 de maio de 2017

QUASE



Incomoda-me o Quase,
a sua inconsistência,
a sua fraqueza, a forma inquieta como se esconde,
o que podia ter sido e não foi.
Incomoda-me o Quase.
Quase fui.
Quase fiz.
Quase consegui.
Quase amei.
Que quase é este que nos tolhe o sentir,
e rouba a plenitude do Querer.
Incomoda-me o Quase
e por quase me sufocar
descarto-o do meu sentir.
Quero a plenitude do todo,
o excesso da entrega,
a loucura do desejo,
a quase morte do êxtase.
Quero, não ter medo de sentir
não ter medo de ousar
ter alma e corpo e pele
para ser e para dar.
Incomoda-me o Quase...
Quase, não é suficiente .

©Graça Costa
foto: FStudio - Tomar


quinta-feira, 11 de maio de 2017

FAÇAM SIlÊNCIO

Façam silêncio...
Vejam o poema que nasce
naquela boca carnuda
como morango silvestre em pasto verde.
Vejam a forma como se move,
como insinua o beijo sem o dar,
como inflige dor sem tocar,
como aguça a fome sem falar.
Vejam como as palavras são excessivas,
perante uma gota de suor
descendo pelo peito,
para morrer subtilmente onde a vida começa.
Sintam a magia de uma alma consumida pelo fogo de paixão
libertando-se das amarras
para com ela escrever a melodia de um refrão.
Sintam…
mas façam silêncio
que a obra nasce sem ser pedida,
e o sabor das palavras
é o tempero colorido do silêncio,
com que pintamos as telas da vida.

©Graça Costa
imagem da web


quarta-feira, 10 de maio de 2017

HIPNOSE


A noite estendeu-lhe um manto das promessas embutidas no olhar.
Felina e serena como a mansidão do entardecer,
contemplou o namoro sensual
daquela pequena e frágil nuvem com o raio de sol.

A linha do horizonte testemunhava a doçura daquela nuvem
derretendo-se no embalo do raio de sol que fugia.

Hipnótica a beleza do momento;
quase tela,
quase fome,
inspiração de amantes presos no desejo da noite,
embriagados pela imensidão do olhar.

Da noite se alimentaram,
sussurraram desejos e promessas,
saciaram sentidos,
romperam regras,
limites,
convenções.

Como nuvem ou raio de sol
esperaram o romper da aurora
e na fusão dos corpos partiram,
resgatados pelo silêncio
em direcção ao mundo incandescente dos sonhos.


©Graça Costa
imagem - francoise de-felice


terça-feira, 9 de maio de 2017

WEARINESS

In your eyes
I can see unwritten poems
that live inside me.

In your hands I can feel
the spell of passion
and the cry for life.

With your touch
dawns are brighter
and nights are warmer.

With your love
words are unneeded.

Read my lips,
drink my skin,
melt in me,
surrender…
surrender,
give me whispers and low moans
cry with extasis
and then,
let weariness catch our naked bodies
and hope sleep finds a shortcut to our haven.


©Graça Costa
imagem da web


PROCURO

Procuro nos teus braços de luz
o calor que me foge do peito.
Enrosco-me em novelo
e bebo o calor da pele
como chá de jasmim adoçado com o mel da vida.
Procuro a doçura do beijo
a ternura do abraço,
o sabor do amor partilhado.
Procuro,
porque na procura me acho,
na procura me reinvento
cresço,
dou e recebo
luto e conquisto.
Por tudo isto, talvez,
apenas talvez,
mereça o calor do teu abraços.

©Graça Costa
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quarta-feira, 3 de maio de 2017

PRECE

Doce a noite quando me enrosco nos teus braços.
Em paz,
a pele murmura melodias de terras distantes,
e a paixão flutua por campos silvestres,
qual ave do paraíso.
Doce,
o toque dos teus dedos,
a textura quente, húmida e suave dos teus lábios
percorrendo o meu corpo como marés.
Vem, noite.
Vem testemunhar a magia destes corpos,
que de tanto se amarem se tornaram maresia.
Vê como se mesclam com as estrelas
e sussurram ao amanhecer.
Vem.
Ouve o seu lamento,
o desespero da perda,
e pede ao vento que anda por perto
que lhes conceda o milagre,
dos eternos começos.
©Graça Costa
imagem da web



terça-feira, 2 de maio de 2017

SOMENTE

Pena,
brisa,
arrepio,
sussurro.
O que eu sou
quando os teus lábios tocam a minha pele?
Não sei.
Não ligo.
Só quero sentir
a melodia da paixão a atravessar-me o corpo,
crescendo como tempestade em dias de verão,
quente como raios de sol,
doce como sonhos,
memórias, ou palavras
faladas ao ouvido pelo amanhecer.
O que eu sou,
quando o amor fala mais alto que sentidos?
Quando os olhos amaciam as palavras não ditas?
Quando os dias são bênçãos
de expectativa e esperança,
medo, melancolia
e a magia indescritível
de viver na ponta dos teus dedos?
Não sei.
Não ligo.
Só quero sentir.
©Graça Costa


segunda-feira, 1 de maio de 2017

AMA-ME

Ao longe
a sombra de um corpo nu invadia o espaço de promessas.

Sabia o teu olhar preso em mim
e derretia-me por dentro,
antes mesmo do sabor do beijo
ou do toque suave dos dedos.

Sentia, mas não pedia nada.
Alimentava o sonho
com suaves movimentos do corpo,
como que dançando,
num convite subtil a devaneios e sonhos
vividos ou ainda por viver.

Sinto-te os passos
flutuando em direcção ao meu abraço.

Sinto-te,
mas não te quero ver...
apenas sentir,
abandonar-me em ti
qual naufrago em porto seguro.

Ama-me.

Liberta-te dos medos do amanhã que pode não vir
e ama-me,
até que a noite ceda
ao cansaço dos sentidos.

 ©Graça Costa
imagem da web




OUSAR

Quantas vezes digo a mim mesma:
Voa…
Voa mais alto,
ousa,
perde-te na imensidão do azul.

Conquista a lua
apenas com o desejo de querer abraça-la.

Faz pulseiras de pérolas com lágrimas,
brincos com suspiros
beijos com solidão,
bailados com pétalas de estrelas,
paraísos para o coração.

Sonhar é isto…
mais alto,
mais longe,
mais forte,
sozinha ou na tua mão.

É ter a ternura na ponta dos dedos,
colocar o Sentir a galope na brisa que passa,
é levar a imaginação para a vastidão do mar,
e usá-lo como tela
para reescrever a história.

No fim,
talvez a história não seja de encantar…
mas isso que importa,
se o importante mesmo é sonhar
ousar sentir,
ousar…ousar.


©Graça Costa
imagem da web