sábado, 15 de abril de 2017

AMBIVALÊNCIAS

Tem noites em que sinto um toque no rosto,
quase suplica,
quase dor,
quase beijo,
quase amor.

Nessas noites sou brisa,
calma,
ternura,
alma,
conforto,
que o sono embala
e o amor aconchega.

Noutras noites sou tempestade,
furacão,
estrela cadente,
doce tortura
alma ardente,
fazendo da noite, lume,
e uma fogueira no corpo ausente.

Ambivalências de uma alma errante
num corpo de amante inquieta.


©Graça Costa
foto da web 


quinta-feira, 13 de abril de 2017

LIKE IN FAYRY TALES


One of these nights I dreamt
I was a littles autumn leave
carried away by the evening breeze.

Sometimes, the spotlight of weariness slows its senses
and the little leaf rests in some little corner of a little cozy garden.

By morning,
the mist whispers its name
and the travel begins again with no destiny.

Until one day,
so tired she was
that tears began to fall from its stalk.

You were passing by
and one sweet round salty tear
fell straight on your lips.
A shiver covered your body
and you stopped, unable to walk.

Seconds later
the little leaf touched your face
and as by magic
you caressed it.

The leaf became a hug,
the hug became a kiss
and the kiss became
the beginning of a new life.

I waked up
and you were right there next to me
and in my nakedness I found dewdrops.

My face enlightened
I wrapped myself in your heat
and let the magic paint my senses with shades of passion.


©Graça Costa
imagem da web


NO DIA DO BEIJO .... - O BEIJO

No dia do beijo, para memória futura...

<3

Beijo-te no poema,
onde as palavras perfumam as carícias,
onde posso ser espuma ou brisa,
ou espanto ,
ou medo ,
e porque sei que estás aí 
para abraçar a minha alma inquieta.
Beijo-te no poema e na carne,
na candura das palavras,
e na pele em brasa,
na loucura dos afectos 
e na quietude da tarde.
Beijo-te no poema e nos sentidos,
porque no beijo te encontro
todo entrega,
todo ternura
todo em mim
e no beijo te soletro
a ti,
parte de mim 
embrulhado em letras.

©Graça Costa
"The Kiss", David Walker, Street Art in London 





quarta-feira, 12 de abril de 2017

CORPO EM ESPERA

Surgiu-me da penumbra uma sensação de luz,
um calor terno e manso
de  lábios lambendo-me o rosto.

Iluminou-se-me  a alma
e um sorriso insinuou-se-me no olhar.

Depois foram os dedos.

Como brisa de verão,
ainda com aroma a fim de primavera,
viraram carícia nua,
repleta de magia e de promessas.

Um silêncio mágico invadiu a manhã.

O meu corpo virou pauta de musica inacabada
pintado pela paleta da aurora.

Corpo expectante,
luminoso,
ardente
deitado na penumbra do dia que amanhecia,
sedento dos teus dedos,
sedento de ti...


© Graça Costa
imagem da web - autor desconhecido


O BEIJO

Gosto do beijo que não dei...
do beijo imaginado,
desenhado nos contornos da mente.

Sinto-lhe o cheiro e o sabor,
a textura,

o calor.

Insinuante,

o beijo que não dei.

Mágico,
como tudo o que é sonho
ainda por nascer.

© Graça Costa
O Beijo" (2010), de Vik Muniz




terça-feira, 11 de abril de 2017

NÃO ME QUEIRAS

Não me queiras sem a minha alma desassossegada,
sem os meus medos e as minhas dúvidas.
Não me queiras sem o mar dos olhos,
com as suas marés
ora mansas , ora inóspitas
ora alegres, ora tristes,
intensas ou suaves,
como espuma na areia da praia.
Não me queiras sem o brilho no olhar
ao ver um filme,
ler um livro,
escutar uma música
ou simplesmente ao revisitar as memórias
de ontem e de outrora.
Não me querias sem as personagens que visto
quando a vida me corrói por dentro e fantasio a dor.
Não me queiras sem os sonhos que teço por entre as palavras
que me escorrem dos dedos,
prenhes de ternura e saudade,
daquilo que sou, que fui, ou podia ter sido.
Não me queiras sem as minhas rugas e cicatrizes
porque são elas que me iluminam o Ser
e me fazem sorrir,
quando me encontro com a mulher que sou.
Se me conseguires amar assim,
terá valido a pena
e quando chegar ao fim da estrada,
olharei para trás
e talvez...
talvez possa partir sorrindo.

©Graça Costa







O MEU AMOR

O meu amor,
tem mãos de silêncio rompendo a aurora.
Traz na pele a brisa do vento
e no olhar a promessa de dias calmos.

O meu amor,
traz a saudade na ponta dos dedos
e a ternura nos lábios de dor.
a mim se oferece como em oração,
despojado de tudo,
fruta madura por colher.

O meu amor,
traz colado na pele
o grito da paixão contida
e no peito o desespero da partilha.~

O meu amor,
dorme no meu peito.

Bebo-lhe o semblante
e parto com ele com asas no pés,
em busca de outras paisagens
em que mesmo nua,
me sinta vestida
de paixão e de esperança.


©Graça Costa
imagem da web


segunda-feira, 10 de abril de 2017

SONHOS ROUBADOS

 O dia acordou sinuoso e inquieto.

Pairava no ar um quê de mistério
e o horizonte trazia nos dedos
promessas de ternura,
em gomos de romã
e ramos de violetas.

Havia no ar uma serenidade etérea,
como se aquele dia trouxesse no rosto,
magia de sonhos roubados.

Os olhos abriram-se de espanto
pela profusão de aromas e sons que vinham de longe,
mas que pareciam sair de dentro de si.

Depressa percebeu que o seu tempo
e o seu corpo se haviam fundido naquele dia,
em que a primavera nascia
calma e serena por entre a maresia.

Fechou os olhos e sorriu 
ao sentir o raio de sol que lhe inundava o rosto.

Mordeu os lábios com sabor de romã,
vestiu-se de violetas
e esperou.

Distintamente ouviu o silêncio dos teus passos.

Vinhas a caminho,
para reinventar o sonho roubado,
e ela esperou
e sorriu para o horizonte da esperança
que ao longe nascia.


©Graça Costa
imagem : Lykke Steenbach Josephsen




PERFUME DE POESIA

Encontrei um perfume de poesia no teu olhar.

Sem saber como defini-lo
estendi-lhe o sorriso e bebi-o,
lentamente,
em silêncio,
como ritual sagrado.

Saboreei cada trago
com a dolência da paixão imprevista.

Deixei-me levar pelo arrepio da eternidade do momento.

Encontrei um perfume de poesia no teu olhar.

Vieste sem aviso mas com a força de uma maré viva
e eu recebi-te com a ternura de uma onda a beijar a areia.

Sem saber como te responder,
vesti-me de lua
coloquei nos cabelos pétalas de orvalho
e dei-me ao teu olhar em oferenda.

Depois anoiteceu…
e a noite é cúmplice de amantes inquietos.


©Graça Costa
imagem da web



FEEL ME


Run through the streets of my body
as if it were your town.
Find out the details of regret.
Board on the destination you deny,
but you can't avoid.

Feel me ...
Engage yourself in the heat of the skin,
in the groans that night silences
and the sea breeze consent.
Dare smiling to the unknown who calls you.

Hear me,
between the silence and the shout.
Learn with me speechless feelings.
Lets Invent a new language,
serene and fluid like the glitter look,
after love shared
on the turning of the tide.


©Graça Costa
imagem da web