segunda-feira, 27 de março de 2017

WISHES

If you feel sad
I'll be your laughter.

If you feel blue
I'll be your comfort.

If you feel empty
I'll fill your being with tenderness,
I'll light your fire
and I will stand by you
until your smile enlighten the night
and your skin silently touch mine.

By that time
your lips will stuck on mine,
your fingers will draw love messages on my hair,
your body will melt in mine
like honey on hot milk,
and I'll surrender to you
exhausted,
under the moonlight.


©Graça Costa
imagem da web




FAROL

Tem dias em que o vento me sopra na pele o calor da tua voz.
Entoa cânticos serenos,
como sereno o teu toque
liberto de mágoas e dores,
quase magia
brisa sem chão.

Nesses dias quero que venhas
e me tornes  prisioneira dos teus lábios.

Vem e envolve-me na noite que desperta,
sê meu farol
o meu guia
de caminhos incertos
escondidos na maresia.

Vem, 
que o frio aperta
e a fome tem o teu nome
escrito na coberta.

©Graça Costa
imagem : thomas saliot










domingo, 26 de março de 2017

A GUERREIRA

Tinha a alma fustigada
pelas lembranças de uma paixão sem memórias.
Naquele imaginário insólito
jamais se apercebera do imenso manto de solidão
em que envolvera a sua vida.
Dia a dia, ia trocando as máscaras
com que enfrentava os olhares se se cruzavam com os seus,
vivendo sem viver,
qual espectro de luz de vela
sujeito à emotividade da brisa.
Tinha a alma fustigada por lembranças em marca d’agua,
e sofria…
Precisava sentir a chuva nos cabelos,
o sol no rosto,
reinventar-se
e como página em branco,
recomeçar.
Um dia ousou viver e tirou a máscara.
Guardou-a no armário,
e com a displicência de guerreira em véspera de batalha
acendeu um fósforo,
virou a costas,
sorriu
e ficou a ouvir o crepitar das chamas.

©Graça Costa
foto da web




GOSTAVA DE TE DIZER


Gostava de poder dizer-te
que o amor que sinto é do tamanho do universo,
mas não posso...

O universo pode ser demasiado pequeno e tenho receio de errar.

Gostava de poder dizer-te que o desejo que sinto
tem a magia de uma manhã clara,
mas nunca fui manhã e não sei definir essa magia.

Gostava de poder dizer-te que a felicidade é eterna,
mas sei que não é.

Apenas sei que as palavras que escrevo
são letras pintadas com o coração,
e embrulhadas no cetim dos afectos
com que teço a malha dos dias,
os vividos
e os apenas sonhados.

Por isso não te digo o amor que sinto.

Deixo que o descubras
e que o digas por mim.

©Graça Costa
imagem da web


sábado, 25 de março de 2017

À BOLINA

Tem dias em que me sinto
como pena que caiu em folha à bolina.

Doce expectativa…

Qual o caminho ?
Por onde me leva a brisa?
Que aventuras me esperam ?
Que perigos?
Que desafios ?

Tem dias assim…
em que acordo em suspenso
perante o dia que desponta.

Sinto o sol na pele
e tremo.
A brisa no rosto
e sorrio.
O apelo dos afectos
e suspiro.
A tortura da tua ausência
e sonho.

Como a pena em folha à bolina
entoo ao vento a prece que me leve até ti.

Então talvez…
apenas talvez,
consiga saciar a sede que a noite matou
e com a aurora...
renasceu.


©Graça Costa
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LET

Let your skin be my road to heaven.
Let your lips be my dream to wonderland.
Let your body be the alphabet of love in disguise
of laughter,
of whispers,
of shivers,
of surrender.

My body is your shelter.
My touch the seed of love.
My eyes cross rough frontiers
just to caress your soul.

Take me,
to that place where streets have no name;
to that magic place that changes when we make love.
The sun shines stronger,
the rain is sweeter
and time stops
just to let us dream.

Take me
for I'm longing to your touch.


©Graça Costa


TEM DIAS

Tem dias em que escrevo
as dores que não consigo chorar.
Noutros,
os sorrisos tecidos a pincel,
adocicados por lágrimas mescladas de amor e mel.

Escrevo porque a alma grita,
porque o coração fala
o olhar reclama
as mãos pedem
os beijos ardem
e as palavras guardam.

Nesses dias a caneta rola-me nos dedos
como crianças em dança de roda
e tenho que as libertar,
senão sufoco.




©Graça Costa




CONVERSANDO COM O SILÊNCIO

Existe no silêncio
um luar de nuvens mansas
uma alma secreta
de murmúrios vestida.
uma doçura tamanha,
que só de o prever já me embalo
no seu sentir.

Só quem conversa com o silêncio
tem alma para sentir o poema
que antes de o ser já dança na retina,
penetra a pele com a intensidade de um beijo
e desperta a fome
do amor vivido em firmamentos distantes.

Oxalá a noite me doure os sentidos,
me crave na pele a vontade de me dar
e que o canto da minha voz,
não seja voz
mas pele…
sedenta de outra pele.


©Graça Costa
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sexta-feira, 24 de março de 2017

DEPOIS DO AMOR

Trazia o outono nos cabelos
e um prado de erva fresca no olhar.

Caminhava como se trouxesse o luar nos pés,
iluminando o caminho
e semeando sorrisos.

O corpo nu,
convidava ao deleite de noites de verão
embaladas por brisa suave
e choro de guitarras.

Entreguei-me ao entardecer,
como se pudesse parar o tempo
e sussurrei o teu nome ao vento.

Foi então que chegaste
e me cobriste o corpo de beijos
com a fome dos dias longos
e das noites por inventar.

Dei-me de novo
como da primeira vez,
sem medos nem dúvidas,
toda alma,
todo corpo,
toda luz.

Depois da explosão dos nossos corpos em chama,
enrolei-me no teu corpo de mel
e deixei o sono levar-me
até ao mundo dos sonhos e das memórias.

Sereno o sono depois do amor...


©Graça Costa
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A NASCER-ME NA PELE

Sinto a poesia a nascer-me na pele,
a iluminar-me o olhar ,
a queimar-me o sentir.

Sinto o poema
desflorando a madrugada rumo aos meus dedos,
com a alma
o suor
e o sangue
de um alfabeto por inventar.

Emoções e afectos,
palavras, ora quentes e serenas
ora lamentos , gemidos
quase prece,
quase dor
envolvem-me os dedos e o olhar.

Sinto a poesia a crescer-me na pele.

Toco-a ao de leve
e torno-a minha.

Salpico-a com o meu perfume de amante inquieta
e de alma aberta,
partimos ambas ao encontro dos dias,
por ora,
apenas sonhados.

©Graça Costa