sábado, 25 de março de 2017

LET

Let your skin be my road to heaven.
Let your lips be my dream to wonderland.
Let your body be the alphabet of love in disguise
of laughter,
of whispers,
of shivers,
of surrender.

My body is your shelter.
My touch the seed of love.
My eyes cross rough frontiers
just to caress your soul.

Take me,
to that place where streets have no name;
to that magic place that changes when we make love.
The sun shines stronger,
the rain is sweeter
and time stops
just to let us dream.

Take me
for I'm longing to your touch.


©Graça Costa


TEM DIAS

Tem dias em que escrevo
as dores que não consigo chorar.
Noutros,
os sorrisos tecidos a pincel,
adocicados por lágrimas mescladas de amor e mel.

Escrevo porque a alma grita,
porque o coração fala
o olhar reclama
as mãos pedem
os beijos ardem
e as palavras guardam.

Nesses dias a caneta rola-me nos dedos
como crianças em dança de roda
e tenho que as libertar,
senão sufoco.




©Graça Costa




CONVERSANDO COM O SILÊNCIO

Existe no silêncio
um luar de nuvens mansas
uma alma secreta
de murmúrios vestida.
uma doçura tamanha,
que só de o prever já me embalo
no seu sentir.

Só quem conversa com o silêncio
tem alma para sentir o poema
que antes de o ser já dança na retina,
penetra a pele com a intensidade de um beijo
e desperta a fome
do amor vivido em firmamentos distantes.

Oxalá a noite me doure os sentidos,
me crave na pele a vontade de me dar
e que o canto da minha voz,
não seja voz
mas pele…
sedenta de outra pele.


©Graça Costa
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sexta-feira, 24 de março de 2017

DEPOIS DO AMOR

Trazia o outono nos cabelos
e um prado de erva fresca no olhar.

Caminhava como se trouxesse o luar nos pés,
iluminando o caminho
e semeando sorrisos.

O corpo nu,
convidava ao deleite de noites de verão
embaladas por brisa suave
e choro de guitarras.

Entreguei-me ao entardecer,
como se pudesse parar o tempo
e sussurrei o teu nome ao vento.

Foi então que chegaste
e me cobriste o corpo de beijos
com a fome dos dias longos
e das noites por inventar.

Dei-me de novo
como da primeira vez,
sem medos nem dúvidas,
toda alma,
todo corpo,
toda luz.

Depois da explosão dos nossos corpos em chama,
enrolei-me no teu corpo de mel
e deixei o sono levar-me
até ao mundo dos sonhos e das memórias.

Sereno o sono depois do amor...


©Graça Costa
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A NASCER-ME NA PELE

Sinto a poesia a nascer-me na pele,
a iluminar-me o olhar ,
a queimar-me o sentir.

Sinto o poema
desflorando a madrugada rumo aos meus dedos,
com a alma
o suor
e o sangue
de um alfabeto por inventar.

Emoções e afectos,
palavras, ora quentes e serenas
ora lamentos , gemidos
quase prece,
quase dor
envolvem-me os dedos e o olhar.

Sinto a poesia a crescer-me na pele.

Toco-a ao de leve
e torno-a minha.

Salpico-a com o meu perfume de amante inquieta
e de alma aberta,
partimos ambas ao encontro dos dias,
por ora,
apenas sonhados.

©Graça Costa


HÁ UMA VOZ

Há uma voz cá dentro
que me dita o poema,
que me conduz a saudade da mão e do olhar
do toque,
da entrega,
da fome
e da paixão.
Há uma voz cá dentro
que me conduz o sonho
e um sonho
que me conduz a ti.
A ti...
meu amor e meu chão,
meu refúgio e minha paixão.
Há uma voz cá dentro
que me encanta e me desencanta
me acolhe e me repele
numa catadupa de afectos
rolando num turbilhão.
Há uma voz cá dentro
que me dita o poema
e o poema...
não és tu nem sou eu...
somos nós,
eternamente Nós.
©Graça Costa

quinta-feira, 23 de março de 2017

A ESPERA

Presa à saudade esperei a noite
em que o teu peito
seria cama para o meu descanso.
Vesti-me de festa, com fios de ausência
e no esplendor da nudez
entreguei o corpo à brisa
que te traria até mim.
A brisa veio,
carregada de silêncios e presságios febris,
ao mesmo tempo que o sol morria
pintando o céu de vermelho sangue,
receios e sussurros magoados.
Quis sorrir,
mas o sorriso morreu-me na garganta.
Só os olhos falaram
dizendo tudo o que eu não queira ouvir.
Fechei-os os olhos quase em prece
e do fundo do Ser,
gritei à noite
que te trouxesse até mim.
Em sonhos,
escrevi na pele
diálogos carregados de magia
onde, corpos em chamas
e fusão de almas,
constroem melodias intemporais. 
Esperei…
E só eu sei se vieste.

© Graça Costa
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BEYOND WORDS


Dancing with the moonlight I was
when a scent of you
invaded my skin.

That unspeakable feeling
led me to a magic world of tenderness and affection
in which I give myself to you
and you give me back my all
shining like a star.

I arrived gently,
touched you slowly,
kissed you deeply,
grabbed your hands,
and led them to my skin on fire.

Heard you.
Your breath stopped.
You shivered of expectation,
your eyes seemed a lighthouse
and I just whispered at your ears:
I'm here
make me yours.

Heard you weeping
and your tears and lips
painted my body
with pleasure beyond words.


©Graça Costa
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DOCEMENTE

Tem dias em que bordo as palavras
com aromas distantes, texturas, sensações.

Nesses dias, entrego-me de peito aberto
à vertigem do sentir
e deixo a alma e a pele mergulhar nesse porvir.

Doce, a ambivalência,
deste querer e não querer
deste amar até perder,
deste ter, sem te ver.

Nestes dias ,
fico quieta e nua nas asas da imaginação
entre o teu sentir
e o meu querer,
entre a paixão aflita,
o amor ardente,
entre a alma ferida e o coração dormente.

Depois,
morro dentro de ti
e aqui fico ,
bebendo  a magia terna
de anoitecer
docemente,
no teu abraço.

©Graça Costa



quarta-feira, 22 de março de 2017

RETRATO DE UMA PRIMAVERA ANUNCIADA

Olhos de mirtilo,
boca de romã
pele de damasco,
sabor de amora,
jasmim,
hortelã e canela.

Deleite para os sentidos.
Só de olhar
mata sede,
atenua fome,
aguça desejos inconfessáveis.

Imagino-a
com a sua paleta de cores,
sorrisos e aromas,
com a sua gaiatice sensual,
chamando por alguém 
apenas com o olhar.

No seu dossel de veludo e cetim,
despida dos encantos frutados,
pele serena e marfinada 
entra suave e leve no mundo dos sonhos.

Sonhos sonhados, decantados,
filtrados pela miragem 
do amor em construção.

Com ela guarda os segredos da pele
que fala a língua dos amanhã sem hora marcada.


Linguagem subtil...
com um toque de canela.

©Graça Costa
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