sexta-feira, 24 de março de 2017

HÁ UMA VOZ

Há uma voz cá dentro
que me dita o poema,
que me conduz a saudade da mão e do olhar
do toque,
da entrega,
da fome
e da paixão.
Há uma voz cá dentro
que me conduz o sonho
e um sonho
que me conduz a ti.
A ti...
meu amor e meu chão,
meu refúgio e minha paixão.
Há uma voz cá dentro
que me encanta e me desencanta
me acolhe e me repele
numa catadupa de afectos
rolando num turbilhão.
Há uma voz cá dentro
que me dita o poema
e o poema...
não és tu nem sou eu...
somos nós,
eternamente Nós.
©Graça Costa

quinta-feira, 23 de março de 2017

A ESPERA

Presa à saudade esperei a noite
em que o teu peito
seria cama para o meu descanso.
Vesti-me de festa, com fios de ausência
e no esplendor da nudez
entreguei o corpo à brisa
que te traria até mim.
A brisa veio,
carregada de silêncios e presságios febris,
ao mesmo tempo que o sol morria
pintando o céu de vermelho sangue,
receios e sussurros magoados.
Quis sorrir,
mas o sorriso morreu-me na garganta.
Só os olhos falaram
dizendo tudo o que eu não queira ouvir.
Fechei-os os olhos quase em prece
e do fundo do Ser,
gritei à noite
que te trouxesse até mim.
Em sonhos,
escrevi na pele
diálogos carregados de magia
onde, corpos em chamas
e fusão de almas,
constroem melodias intemporais. 
Esperei…
E só eu sei se vieste.

© Graça Costa
imagem da web


BEYOND WORDS


Dancing with the moonlight I was
when a scent of you
invaded my skin.

That unspeakable feeling
led me to a magic world of tenderness and affection
in which I give myself to you
and you give me back my all
shining like a star.

I arrived gently,
touched you slowly,
kissed you deeply,
grabbed your hands,
and led them to my skin on fire.

Heard you.
Your breath stopped.
You shivered of expectation,
your eyes seemed a lighthouse
and I just whispered at your ears:
I'm here
make me yours.

Heard you weeping
and your tears and lips
painted my body
with pleasure beyond words.


©Graça Costa
imagem da web


DOCEMENTE

Tem dias em que bordo as palavras
com aromas distantes, texturas, sensações.

Nesses dias, entrego-me de peito aberto
à vertigem do sentir
e deixo a alma e a pele mergulhar nesse porvir.

Doce, a ambivalência,
deste querer e não querer
deste amar até perder,
deste ter, sem te ver.

Nestes dias ,
fico quieta e nua nas asas da imaginação
entre o teu sentir
e o meu querer,
entre a paixão aflita,
o amor ardente,
entre a alma ferida e o coração dormente.

Depois,
morro dentro de ti
e aqui fico ,
bebendo  a magia terna
de anoitecer
docemente,
no teu abraço.

©Graça Costa



quarta-feira, 22 de março de 2017

RETRATO DE UMA PRIMAVERA ANUNCIADA

Olhos de mirtilo,
boca de romã
pele de damasco,
sabor de amora,
jasmim,
hortelã e canela.

Deleite para os sentidos.
Só de olhar
mata sede,
atenua fome,
aguça desejos inconfessáveis.

Imagino-a
com a sua paleta de cores,
sorrisos e aromas,
com a sua gaiatice sensual,
chamando por alguém 
apenas com o olhar.

No seu dossel de veludo e cetim,
despida dos encantos frutados,
pele serena e marfinada 
entra suave e leve no mundo dos sonhos.

Sonhos sonhados, decantados,
filtrados pela miragem 
do amor em construção.

Com ela guarda os segredos da pele
que fala a língua dos amanhã sem hora marcada.


Linguagem subtil...
com um toque de canela.

©Graça Costa
imagem da web


terça-feira, 21 de março de 2017

INSTANTES

A manhã trouxe-me o teu aroma
envolto em melodia.
Acordes lentos,
suaves como carícias,
quase suspiro enroscado em beijo.

A manhã trouxe-me as saudades
dos dias em que o tempo era marcado
pelas tuas mãos no meu corpo
e o sol, era a tua voz a sussurrar no meu ouvido.

Instantes...
Instantes que valem vidas.

Abro os olhos e peço ao tempo
um pouco mais de tempo para te sentir.

Tempo para sentir
mesmo aquilo que não tive tempo de viver.

Magia das memórias
que deixam sementes
para continuarmos a construir o caminho,
em que mesmo não estando...estarás,
sempre...
ou pelo menos,
até que eu te queira por perto.

©Graça Costa
imagem da web




DOEM-ME AS PALAVRAS

Doem-me as palavras como feridas abertas.
Gritam.
Gemem.
Sussurram.
Reclamam.

Queimam-me o peito e afogam-me o olhar.

Sinto a alma jorrando lava,
escorrendo lenta e penosamente pelo mesmo peito,
onde momentos antes os teus lábios descansavam
e o teu corpo se derretia no meu.

Doem-me as palavras como feridas abertas.
Por isso as partilho
na voragem dos dias inquietos
e na esperança que alguém as faça suas.

Olha…
Vê como os olhos soletram a dor do sentir.

Vê como te chamam,
a ti,
balsâmico amante
de corpos e letras.

Vem,
lambe-me as feridas
para que as palavras renasçam
entre as flores e o arvoredo da paixão.


©Graça Costa
imagem da web


POESIA - 21 de Março - Dia Mundial da Poesia

21 de Março - Dia Mundial da Poesia - a minha singela e pessoal homenagem.
POESIA
Quem és tu a quem chamam poesia?
De quem és filha?
De quem és mãe?
Que genes trazes contigo para seres assim,
tão única,
tão bela,
tão prenhe de sonhos
memórias
lagrimas,
amores e paixões ?
Quem és tu que me rasgaste os sentidos
e num rendilhado de mel e dor
me obrigas a deixar cair no papel
estas palavras
e a outras
e tantas outras que sinto
mas ainda não ouso falar ?
Não te conheço o rosto
mas sinto-te a alma nos dedos,
o perfume na pele em chamas
o feitiço do querer e não querer,
as amarras e o não conseguir esquecer.
Não te conheço,
amiga,
amante,
irmã,
só sei que te trago na pele
e que sem ti fico nua
como recém -nascido sem cama.
©Graça Costa




segunda-feira, 20 de março de 2017

HAPINESS DAY - MY CONTRIBUTION


ANDA

Anda ver as estrelas,
as do céu
e as que me mareiam os olhos.
Vê como brilham na escuridão
como pirilampos assustados
em busca de colo.

Anda.
Abraça-me forte
deixa-me sentir o calor da pele,
arrepiada ao toque de outra pele.

Dou-te a minha paz e a minha guerra
o meu querer o meu desejo.


Desafio-te...
Adivinha-me o sentir
e atreve-te a ficar.

©Graça Costa
imagem da web