quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

AQUELE FIM DE TARDE


Havia algo particularmente vibrante naquele fim de tarde,
algo embrenhado no silêncio
ganhando coragem para se soltar .

Não sei se era grito ou lamento
morte ou paixão.

Parecia um gemido perdido em busca de colo
um quê de prazer e dor,
com uma pitada de amor secreto querendo crescer.

Parecia poesia em forma de luz…

Eu sorri…tu sorriste,
pois no por de sol que morria,
algo de grande nascia.

Havia algo particularmente vibrante naquele fim de tarde.

Ninguém o sentiu…
Apenas nós.


©Graça Costa
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GOSTAVA DE TE DIZER

Gostava de poder dizer-te 
que o amor que sinto é do tamanho do universo,
mas não posso...
O universo pode ser demasiado pequeno e tenho receio de errar.
Gostava de poder dizer-te que o desejo que sinto 
tem a magia de uma manhã clara,
mas nunca fui manhã e não sei definir essa magia.
Gostava de poder dizer-te que a felicidade é eterna,
mas sei que não é...
tal como sei que as palavras que escrevo
são apenas letras pintadas de emoção
e embrulhadas de cetim.
Por isso não te digo o amor que sinto.
Deixo que o descubras 
e que o digas por mim.


©Graça Costa
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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

HÁ UMA VOZ

Há uma voz cá dentro
que me dita o poema,
que me conduz a saudade da mão e do olhar...
do toque,
da entrega,
da fome
e da paixão.
 
Há uma voz cá dentro
que me conduz o sonho
e um sonho
que me conduz a ti.

A ti...
meu amor e meu chão,
meu refúgio e minha paixão.

Há uma voz cá dentro
que me encanta e me desencanta
me acolhe e me repele
numa catadupa de afectos
rolando num turbilhão.

Há uma voz cá dentro
que me dita o poema
e o poema...
não és tu nem sou eu...
somos nós,
eternamente Nós.


©Graça Costa
foto : eu noutra encarnação :)

 

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

MANHÃ


Manhã.

Brisa suave vestida de luz
e de momentos com o sabor a beijo.

Devagar,
soletro o aroma de um café fumegante
e o dia acorda comigo
enchendo-me as memórias de aromas distantes.

Ao meu lado
o teu corpo nu
ondula como seara
enchendo o horizonte.

Sorrio,
e neste sorriso
embrulho,
todo o amor que tenho guardado,
dentro de mim.


©Graça Costa
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HOW CAN I ?

How can I overcome
the lack you your kiss?

How can I overcome
the absence of your touch?

How can I overcome
having your scent
craved on my chest
all days and nights long,
feel your skin
but being unable to hug it?

How can I overcome
these burning tears
rolling down my cheek ?

I won’t,
because I don’t want to.

These memories are my home,
my shelter,
my all,
and in the deepest corner of my heart
I know,
we can’t overcome
dreams
yet not lived.


©Graça Costa

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

OUSADIA

Ousara eu ser sol para te afagar o rosto.
Ser lágrima para te escorregar na pele.
Ser mar para te envolver na maré.
Ousara eu ser terra
para te plantar um sorriso nos lábios
sereno e suave como fim de tarde,
aconchego da noite,
celebração de amantes no esteio da vida.
Ousara eu ser maresia,
ternura,
fantasia,
ladra dos teus abraços
no turbilhão profuso dos afectos.
Ousara eu Ser
e morreria plena de mim
no teu olhar…

©Graça Costa
imagem - yossi kotler




AURORA BOREAL

Tem dias em que me sinto aurora boreal
lambendo o teu corpo,
por entre o êxtase o espanto e a magia.

Nesses dias,
componho melodias intemporais
que gravo na pele e nos sentidos.

Fecho os olhos,
e sinto as nuances coloridas do amanhecer
acariciando o corpo nu
que em jeito de oferenda te estendo
como paleta
deixando fluir a magia do pintor.

Mais tarde contemplo a obra
e por vezes sorrio.

©Graça Costa
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domingo, 19 de fevereiro de 2017

OUVE

Escuta.
Mergulha no silêncio e escuta o corpo que te fala.

Ouve o clamor da pele,
a toada triste das suas cicatrizes
quando lhes afagas o contorno da dor.

Ousa e ouve também a sua fome, os seus desejos,
a alquimia dos sentidos que a pele reclama.

Embrenha-te no silêncio da noite e ouve como ela,
ora chora, ora  canta
ora implora, ora dá,
entoando melodias por inventar.

Sem pressas, 
observa cada curva,
cada poro,
cada marca.
Sente a dança dos sentidos
e deixa-te ser pele de outra pele

Ouve,
deixa-me ser dona do teu sentir,
fundir-me na tua pele,
murmurar-te desejos de equinócios distantes,
enlouquecer de ternura,
explodir de prazer no teu ouvido.

Deixa-me explorar o limite do sentir
devagar,
serenamente,
como quem declama um poema soletrado a meia voz.

Murmúrios da pele,
sede….
desafio,
banquete de almas unidas
pela bebedeira de sentidos inquietos.




©Graça Costa
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AMIGO /A

Ainda encontro pessoas
a quem ofereço pedaço de mim
para que me os guardem
com carinho de irmão/ã.
Delas espero a presença
mesmo que fisicamente ausente,
a lembrança, que mesmo longe hei-de sentir,
o calor do abraço na horas de dor e de cansaço
Ainda encontro pessoas
que fazem com que,o não há longe nem distância
não seja mito,
mas verdade
e que as frases “ditas feitas”
venham repletas de ternura partilhada.
A essas pessoas chamo Amigo/a,
pele da minha pele
voz da minha voz
sorriso dos meus olhos
lembrança nas tuas preces.
Deles /as espero que me recordem
na sua paleta de sonhos e memórias,
e que na hora do sono me guardem
num canto macio do coração.
Quem és tu a quem chamo Amigo/a ?
Por vezes nem sei se existes...
mas gosto da construção
que faço de ti,
de como te desenho,
dos aromas com que te envolvo
e como te tenho guardado,
no baú das memórias
mesmo daquelas
que talvez nunca tenham chegado a ser dia.

© Graça Costa
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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

APENAS

Abraça-me como se tudo estivesse no principio
e os teus dedos tocassem a minha pele pela primeira vez.
Apura os sentidos e decora-me o cheiro e o sabor.
Lavra-me o corpo de terra orvalhada.
Planta-me a chuva no rosto
e as sementes da paixão na pele.
Depois espera...
contempla como o teu olhar se insinua,
perante o banquete de aromas, texturas e sabores
que o meu corpo te oferece.
Sacia-te neste campo de frutos silvestres
neste mar de coral
nesta fonte de água fresca,
ou então...
abraça-me apenas.


©Graça Costa 
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