sábado, 21 de janeiro de 2017

NO TEU OLHAR

Encontrei um perfume de poesia no teu olhar.

Sem saber como defini-lo
estendi-lhe o sorriso e bebi-o,
lentamente,
em silêncio,
como ritual sagrado.

Saboreei cada trago
com a dolência da paixão imprevista.

Deixei-me levar pelo arrepio da eternidade do momento.

Encontrei um perfume de poesia no teu olhar.

Vieste sem aviso mas com a força de uma maré viva
e eu recebi-te com a ternura de uma onda a beijar a areia.

Sem saber como te responder,
vesti-me de lua
coloquei nos cabelos pétalas de orvalho
e dei-me ao teu olhar em oferenda.

Depois anoiteceu…
e a noite é cúmplice de amantes inquietos.


©Graça Costa
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SEM RESERVAS

Acolhe-me no teu corpo
como se fosses berço para o meu descanso.

Embriaga-me de carícias e palavras soltas,
doces, ternas, serenas,
mesmo que sem sentido.

Coloca na voz
a musica das almas cansadas,
e acolhe-me no teu corpo
como se fosses mar
e eu maré,
como se fosses onda
morrendo na praia
e eu a praia para te receber.

Acolhe-me,
que eu a ti me dou
sem medos nem reservas,
corpo aberto ao encontro de almas
que só a ternura percebe.


©Graça Costa
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sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

O POEMA

O poema nasce de um quase nada
onde cabe um quase tudo.

Nasce de um som,
um gemido,
uma lágrima,
um sorriso,
uma porta entreaberta
cheia de sonhos secretos,
uma carícia,
uma flor,
uma palavra
ou apenas cor.

O Poema é dor e espanto
alegria,
desencanto.

É silêncio em que me escondo;
é chama
desejo,
paixão,
encontro, desencontro, vulcão.

Nasce de um quase nada
onde cabe um quase tudo.

Com ele me visto,
porque dele sou
refém,
irmã,
amante.

©Graça Costa

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quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

THE PATH


Doing my path I was
slowly
step by step
sometimes dusty
sometimes like a field of hope.

My wings were free
as free was my soul
and so I kept on going
searching for that cloudy house
on the top of a hill.

Doing my path I was
dreaming of you
t'ill one day
merging the sky
I saw that white house of my dreams.

I knew you were there
the path took me to you
and so I smiled
like the sun
peeking through the clouds.


©Graça Costa


quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

CRESPÚSCULO


Carregava o crepúsculo no olhar,
quase fardo,
quase dor,
quase esperança.

Como numa melodia de saudade
Sussurrava palavras de silêncio
Envoltas em lágrimas
e seu corpo ondulava
como numa quase perfeita
imagem de oração.

Ela carregava o crepúsculo no olhar
e quando sentiu o apelo da noite
deixou o corpo flutuar
como uma pena ao sabor da corrente.

Deslizou para o colo daquele anjo
com os braços de ternura e pele de cetim
e ali ficou saboreando o dia que adormecia

Cansaço.
Era tanto cansaço,
que as estrelas brilharam mais forte,
apenas para lhe  iluminar o sono.


©Graça Costa
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terça-feira, 17 de janeiro de 2017

DO POEMA

DO POEMA

Doce o sorriso
derramado no mundo em mutação do poema,
onde a palavra escorre sem ser pedida
livre como lava de vulcão lambendo as entranhas da terra.

Sinto a dor das palavras
acorrentadas na bagagem da memória
à espera do acordar,
e embalo-as com ternura de mãe.

Suplicam sol,
vento,
maresia
turbilhão de afectos,
melodia,
encontro de almas,
arrepio,
corpos em chama,
emoção.

Anseiam liberdade,
mesmo que nesta esteja o espectro da morte,
a dor do nascimento,
ou a metamorfose da paixão.

Dor.
Raiva.
Ternura.
Partilha.
Entrega.

Mágico,
o mundo em mutação do poema.


©Graça Costa
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AMO-TE


Amo-te
como certas coisas
são para ser amadas,
em silêncio sagrado
entre a delicadeza da sombra
numa tarde de verão
e o desvario da paixão
numa noite de invernia.

Amo-te
como certas coisas
devem ser amadas.
Em movimento lento
suavemente
por entre sussurros
desejos e sonhos
sem tempo nem lugar.

Amo-te assim
devagar,
saboreando cada toque,
cada olhar,
cada entrega,
por inteiro.

Amo-te assim,
porque não te sei amar de outra maneira.


©Graça Costa
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segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

NA TUA PELE


Tão bom,
Acordar e ter o teu rosto
a sorrir para os meus olhos.
Estender os braços
e ter a tua pele
a abraçar a minha pele.
Fechar os olhos
e ter os teus lábios
sussurrando paraísos distantes
aqui tão perto.

Tão bom,
entrar no corredor do dia que começa
e encontrar o abraço dos teus olhos
a guiar-me o caminho,
a luz do teu sorriso
a incendiar a aurora.

Sinto o amor
no livro da tua pele
e nela a tentação de ficar
assim
saboreando casa silaba,
cada pronome
cada interjeição
escondida nesse corpo que se me entende
em oferenda surda.

Porque cada dia na tua pele
é sempre uma primeira vez
Fico…
saciada
por ora,
antecipando nova pagina
da tua pele em mim.


©Graça Costa



sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

DANÇA LENTA

Apetece-me dançar.
Uma dança lenta como o amor em dias de paz.
Uma dança terna como violetas ondulando na maré verde da planície.
Uma dança suave como beijo que emerge das profundezas do ser.
Uma dança quente como o olhar cúmplice dos amantes.
Apetece-me ser tua.
Entregar-me à voragem da fome que queima por dentro,
que humedece os lábios, seca a garganta e incendeia o olhar.
Apetece-me viver,
com a intensidade de quem sabe que o amanhã pode não chegar,
mas com a calma de quem saboreia cada olhar, cada toque, cada beijo
como se de obras de arte se tratassem.
Apetece-me dançar.
Soltar as rédeas da imaginação,
libertar as amarras do sentir
olhar a nudez e sorrir.
Descobri que só nua de mim
me encontro verdadeiramente comigo e me descubro.
Talvez insegura,
talvez amedrontada
talvez ousada,
talvez inquieta, curiosa,
ou até mesmo vaidosa,
mas seguramente mais inteira.
Visceralmente… Eu.
Apetece-me dançar.
E vou…

©Graça Costa
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quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

FILHA DA TERRA


Filha da terra
me entrego
ao rio de energia que envolve os corpos 
e os enche de luz,
fome de partilha,
cor
e aroma de paixão.
Pobre de quem vive sem viver.
Pobre de quem ama sem sofrer.
Pobre de quem ouve sem escutar.
Filha da terra me entrego à vida.
Barro a ser moldado pelo sentir,
pelas tuas mãos feitas extensão de mim.
Filha do Universo sou.
Partícula de amor suspenso,
incondicional,
difuso,
cristalino,
elemento dos elementos
com que a vida se constrói.
©Graça Costa