terça-feira, 17 de janeiro de 2017

AMO-TE


Amo-te
como certas coisas
são para ser amadas,
em silêncio sagrado
entre a delicadeza da sombra
numa tarde de verão
e o desvario da paixão
numa noite de invernia.

Amo-te
como certas coisas
devem ser amadas.
Em movimento lento
suavemente
por entre sussurros
desejos e sonhos
sem tempo nem lugar.

Amo-te assim
devagar,
saboreando cada toque,
cada olhar,
cada entrega,
por inteiro.

Amo-te assim,
porque não te sei amar de outra maneira.


©Graça Costa
imagem da web


segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

NA TUA PELE


Tão bom,
Acordar e ter o teu rosto
a sorrir para os meus olhos.
Estender os braços
e ter a tua pele
a abraçar a minha pele.
Fechar os olhos
e ter os teus lábios
sussurrando paraísos distantes
aqui tão perto.

Tão bom,
entrar no corredor do dia que começa
e encontrar o abraço dos teus olhos
a guiar-me o caminho,
a luz do teu sorriso
a incendiar a aurora.

Sinto o amor
no livro da tua pele
e nela a tentação de ficar
assim
saboreando casa silaba,
cada pronome
cada interjeição
escondida nesse corpo que se me entende
em oferenda surda.

Porque cada dia na tua pele
é sempre uma primeira vez
Fico…
saciada
por ora,
antecipando nova pagina
da tua pele em mim.


©Graça Costa



sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

DANÇA LENTA

Apetece-me dançar.
Uma dança lenta como o amor em dias de paz.
Uma dança terna como violetas ondulando na maré verde da planície.
Uma dança suave como beijo que emerge das profundezas do ser.
Uma dança quente como o olhar cúmplice dos amantes.
Apetece-me ser tua.
Entregar-me à voragem da fome que queima por dentro,
que humedece os lábios, seca a garganta e incendeia o olhar.
Apetece-me viver,
com a intensidade de quem sabe que o amanhã pode não chegar,
mas com a calma de quem saboreia cada olhar, cada toque, cada beijo
como se de obras de arte se tratassem.
Apetece-me dançar.
Soltar as rédeas da imaginação,
libertar as amarras do sentir
olhar a nudez e sorrir.
Descobri que só nua de mim
me encontro verdadeiramente comigo e me descubro.
Talvez insegura,
talvez amedrontada
talvez ousada,
talvez inquieta, curiosa,
ou até mesmo vaidosa,
mas seguramente mais inteira.
Visceralmente… Eu.
Apetece-me dançar.
E vou…

©Graça Costa
imagem da web


quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

FILHA DA TERRA


Filha da terra
me entrego
ao rio de energia que envolve os corpos 
e os enche de luz,
fome de partilha,
cor
e aroma de paixão.
Pobre de quem vive sem viver.
Pobre de quem ama sem sofrer.
Pobre de quem ouve sem escutar.
Filha da terra me entrego à vida.
Barro a ser moldado pelo sentir,
pelas tuas mãos feitas extensão de mim.
Filha do Universo sou.
Partícula de amor suspenso,
incondicional,
difuso,
cristalino,
elemento dos elementos
com que a vida se constrói.
©Graça Costa


quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

AND SUDDENLY...

And suddenly...

Suddenly
you're melting eyes
struck me like a hurricane.

Feel naked...
felt good
almost if someone
was painting my body with a silky brush.

Your eyes struck me
and I stopped breathing.
Your hands reached me,
and all of became
a brand new spring
flourishing in my skin.

Your eyes became my eyes
my skin,
your skin,
and our passion
a perfume of surrender.

The day turned night,
but in our world
an eternal dawn was the only witness.


©Graça Costa
imagem da web - Yossi Kotler


terça-feira, 10 de janeiro de 2017

O BEIJO

Beijas-me como o escultor
que acaricia o barro
para nele se fundir
devagar
como o entardecer.
Nas tuas mãos sou terra
mar e ar,
elementos em fusão
sem pressas,
sem lamentos.
Nas tuas mãos respiro
ao ritmo dos dedos
com que me envolves
e neles me derreto
como orvalho ao amanhecer.
Mais tarde,
agarro a cumplicidade da noite.
A ela ofereço os murmúrios que
no torpor da paixão
arrancas do mais fundo de mim.
Saboreio o desejo
que pressinto os teus olhos
e colo-me a ti num beijo quente,
longo,
lento,
porque há beijos mais profundos do que o mar

©Graça Costa
imagem - Kiss, Andy Warhol, 1963.

OUTRAS PALAVRAS

Trago caladas no peito
palavras que não conheço.
Afetos sem nome 
como amoras maduras
prontas a colher.
Nesta imensidão de mim,
escondidas nos recônditos da alma,
tenho guardadas,
quais tesouros,
estas palavras ainda por inventar.
Corro para aquele mar que só eu vejo.
Hipnótico e sedutor
conduz-me a ti
e eu vou…
Neste bailado de ondas e marés
seguras o meu corpo,
e nele nascem
 claras e cristalinas
estas palavras em forma de sorriso.
Soltam-se da garganta numa língua que desconheço,
com a transparência de diamantes ao luar
e a delicadeza de abraços infantis.
Dancemos então…
embebidos no néctar deste tango
agora inventado,
e deixemos que o amor aconteça,
hoje,
amanhã
outro dia,
aqui…
ou nalgum anel,
de um qualquer Saturno distante.
© Graça Costa
IMAGEM DA WEB


segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

GUARDO


Guardo no olhar o rasto de luz da tua pele
deixado pela minha boca,
o gemido rouco,
o abraço forte.

Guardo no olhar o fogo dos teus olhos em súplica,
a ternura do teu toque,
o rendilhado dos afectos
e o teu sono, quase infantil depois do amor.

Guardo,
porque as memórias são pedaços de vida
mesclados por sons e sabores de momentos únicos;

Guardo,
porque guardando
tatuo na retina
o amor que já foi chama
e hoje é apenas ternura,
mas forte e poderosa
como a alvorada,
rompendo a aurora.


©Graça Costa
imagem da web


sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

ANTES DE TE VER

 Acordo
e sinto-te antes de te ver.

Na penumbra,
o perfil do teu rosto,
o sorriso quase infantil, o calor da pele
e o teu perfume,
doce e almiscarado como chocolate quente
saboreado à fogueira.

Acordo
e finjo dormir
para prolongar o sonho.

Relembro a maré mansa e luxuriante do beijo,
a fusão da pele,
o crescendo da paixão,
o êxtase,
a exaustão.

Relembro e sorrio
neste quase sono
que é quase fome,
num amanhecer brilhante
em que te sinto,
antes de te ver.


©Graça Costa
imagem da web


quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

PINCELADAS

Trago na pele
pinceladas de Agosto
tatuadas pelos teus beijos .

Na boca,
o sabor a Maio
e paisagens de Outono a brotar-me dos olhos.

Moldados pela brisa
passeiam-me pelo rosto
sorrisos rasgados de memórias
escritas nos sulcos das rugas adocicadas pelo tempo.

Dos sonhos com travo a canela,
guardo a textura dos dias enleada nos teus braços,
quando o futuro era uma tela em branco
e a vida,
um diálogo sem palavras de corpos cansados.

Trago na pele pinceladas de Agosto.
Peço ao Inverno que termine a tela
e sorrio quando te sinto chegar.


©Graça Costa
imagem da web