terça-feira, 10 de janeiro de 2017

O BEIJO

Beijas-me como o escultor
que acaricia o barro
para nele se fundir
devagar
como o entardecer.
Nas tuas mãos sou terra
mar e ar,
elementos em fusão
sem pressas,
sem lamentos.
Nas tuas mãos respiro
ao ritmo dos dedos
com que me envolves
e neles me derreto
como orvalho ao amanhecer.
Mais tarde,
agarro a cumplicidade da noite.
A ela ofereço os murmúrios que
no torpor da paixão
arrancas do mais fundo de mim.
Saboreio o desejo
que pressinto os teus olhos
e colo-me a ti num beijo quente,
longo,
lento,
porque há beijos mais profundos do que o mar

©Graça Costa
imagem - Kiss, Andy Warhol, 1963.

OUTRAS PALAVRAS

Trago caladas no peito
palavras que não conheço.
Afetos sem nome 
como amoras maduras
prontas a colher.
Nesta imensidão de mim,
escondidas nos recônditos da alma,
tenho guardadas,
quais tesouros,
estas palavras ainda por inventar.
Corro para aquele mar que só eu vejo.
Hipnótico e sedutor
conduz-me a ti
e eu vou…
Neste bailado de ondas e marés
seguras o meu corpo,
e nele nascem
 claras e cristalinas
estas palavras em forma de sorriso.
Soltam-se da garganta numa língua que desconheço,
com a transparência de diamantes ao luar
e a delicadeza de abraços infantis.
Dancemos então…
embebidos no néctar deste tango
agora inventado,
e deixemos que o amor aconteça,
hoje,
amanhã
outro dia,
aqui…
ou nalgum anel,
de um qualquer Saturno distante.
© Graça Costa
IMAGEM DA WEB


segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

GUARDO


Guardo no olhar o rasto de luz da tua pele
deixado pela minha boca,
o gemido rouco,
o abraço forte.

Guardo no olhar o fogo dos teus olhos em súplica,
a ternura do teu toque,
o rendilhado dos afectos
e o teu sono, quase infantil depois do amor.

Guardo,
porque as memórias são pedaços de vida
mesclados por sons e sabores de momentos únicos;

Guardo,
porque guardando
tatuo na retina
o amor que já foi chama
e hoje é apenas ternura,
mas forte e poderosa
como a alvorada,
rompendo a aurora.


©Graça Costa
imagem da web


sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

ANTES DE TE VER

 Acordo
e sinto-te antes de te ver.

Na penumbra,
o perfil do teu rosto,
o sorriso quase infantil, o calor da pele
e o teu perfume,
doce e almiscarado como chocolate quente
saboreado à fogueira.

Acordo
e finjo dormir
para prolongar o sonho.

Relembro a maré mansa e luxuriante do beijo,
a fusão da pele,
o crescendo da paixão,
o êxtase,
a exaustão.

Relembro e sorrio
neste quase sono
que é quase fome,
num amanhecer brilhante
em que te sinto,
antes de te ver.


©Graça Costa
imagem da web


quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

PINCELADAS

Trago na pele
pinceladas de Agosto
tatuadas pelos teus beijos .

Na boca,
o sabor a Maio
e paisagens de Outono a brotar-me dos olhos.

Moldados pela brisa
passeiam-me pelo rosto
sorrisos rasgados de memórias
escritas nos sulcos das rugas adocicadas pelo tempo.

Dos sonhos com travo a canela,
guardo a textura dos dias enleada nos teus braços,
quando o futuro era uma tela em branco
e a vida,
um diálogo sem palavras de corpos cansados.

Trago na pele pinceladas de Agosto.
Peço ao Inverno que termine a tela
e sorrio quando te sinto chegar.


©Graça Costa
imagem da web




DESEJO

Ah, como eu gostava de morar na tua pele,
acordar e adormecer nela
para não ter que falar.

Ah, como eu gostava
que o teu riso fosse a minha luz
que o teu grito fosse a minha voz
que o teu sono fosse a aminha paz.

Gostava,
Gostava tanto,
que a vida fosse melodia
que o dia fosse maresia
que o teu beijo fosse harmonia
mesmo se com um toque de nostalgia.

Ah, como eu gostava de morar na tua pele
De sermos sempre dois
Sendo só um
E a cada entrega
renascer
sem dor
sem trégua
sem voz, sem regra.

Apenas nós.
Apenas pele.


©Graça Costa
imagem da web


terça-feira, 3 de janeiro de 2017

SEM QUERER

Encontrei-te
sem aviso nem procura.
Senti-te na pele
e guardei-te no peito
antes de te ter.
Saboreei a espera
como quem contempla o amanhã
sem pressa
e construi-te de alma solta e coração aberto.
Da dor de acordar sem ti
fiz descoberta,
terreno fértil para este quê que crescia
e que eu sem te ver,
tanto sentia.
Encontrei-te
sem aviso
sem procura
sem querer.
Mas, a vida quis
e eu quis com ela.
©Graça Costa
imagem da web

Poema dedicado ao meu marido Joaquim Cunha


IF I COULD

If I could be a star
I would travel a million light years
just to make your heart my home.

If I could be a sea wave
I would dance throughout the oceans
just to kiss your lips in the change of tides.

If I could be music
I would create endless love songs
just to see you smile.

But, as I'm your soulmate
I flourish like a landscape in springtime
and with all the birds and butterflies as witnesses
I will make a perfect dress
to the perfect day
of our next encounter.

My skin...
My shiny eyes
My wet lips,
that's all we need
to make miracles between the stars.

©Graça Costa
imagem : Loui Jover


NA PONTA DOS DEDOS

Acordei com as mãos entrelaçadas nas tuas
e parei de respirar só para te sentir.

Nesse encontro de pele e alma
senti a magia de um amanhecer sem pressas
e deixei-me levar pelo embalo da brisa
que lá fora batia o compasso do dia.

Das tuas mãos nasceu a descoberta do encontro,
a vibração emergente da paixão
visível no delicado tactear da pele,
na subtileza do toque,
no gemido terno,
na fome do beijo,
no previsível êxtase.

Tudo bebi , com a calma do amanhecer
e descobri que às vezes,
o amor começa…
na ponta dos dedos.

©Graça Costa
imagem da web







segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

PAZ

Dá-me a tua mão
Sente-lhe a textura
o calor,
o aroma e a ternura do abraço.
Depois vamos.
Deixa que te leve
para além dos sentidos
para lá da saudade.
Deixa que te leve
para aquele lugar calmo
onde a dor não nasce
e o amor não morre.
Para aquele lugar terno
onde o corpo não tem nome
e o afecto tem forma de dedos,
de ternura,
e beijos
e pele em chamas.
Depois…
Depois fiquemos assim,
na magia do entardecer,
lambendo as palavras com que nos despimos,
e que estas cubram o horizonte
com a magia da esperança,
como sonhos de paz
embrulhados em sono de criança.

©Graça Costa
imagem da web