quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

MY BODY

My body,
white page in your hands,
kiss to uncertain lips,
sometimes gentle,
sometimes urgent.

My body,
of a sweet texture,
cotton,
linen,
satin,
challenge I offer you,
fully,
for you to lose
and find yourself.

My body,
yours,
for you to enjoy,
to flavour,
to feed you,
and feed me.

Indulge my hunger of needing you,
and bind on my skin,
the urgency of new beginnings

© Graça Costa
imagem da web





terça-feira, 6 de dezembro de 2016

ROTA DO SONHO

Percorre-me o corpo como se fosse mar
e toca-me a alma como se fosses brisa.

Desperta-me os sentidos e torna-me tua.
Bebe-me.
Saboreia-me.

Entranha-me na tua pele
e nessa mescla do tudo e do nada
de excessos e devaneios,
façamos da noite uma melodia de afectos
lânguida e suave como o amor que termina e recomeça,
como maré
sem cessar.

E quando o cansaço for maior que o desejo
saibamos morrer…
entrelaçados,
exaustos pelo prazer vivido e pelo que há-de vir
quando o brilho do olhar
voltar a incendiar-nos a pele.

©Graça Costa
imagem da web



PRECISO DE TEMPO

Preciso de tempo para te construir dentro de mim.
Preciso de tempo para colorir a esperança.
De ti,
recebi as tintas
com as cores da paixão
e as tonalidades do amor sem tempo,
recebi os pincéis,
dedos em forma de amor
trazendo luz e calor
à escuridão dos dias incertos.
Agora...
agora preciso de tempo.
Tenho este corpo tela
suplicante de vida,
gemendo a dor e maresia da tua ausência.
Tenho também as memórias das carícias prenhes de cor e fantasia.
Apenas preciso de tempo
para te construir dentro de mim,
e depois deixar fluir o amor
de um encontro improvável que se tornou certeza,
ternura,
porto seguro,
paixão
eternamente inacabada
pelas nossas mãos.
©Graça Costa
foto : Eu



segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

ESCUTA


Escuta.
Mergulha no silêncio e escuta o corpo que te fala.

Ouve o clamor da pele,
e a toada triste das suas cicatrizes
quando lhes afagas o contorno da dor.

Ousa e ouve também a sua fome,
os seus desejos,
e a alquimia dos sentidos que a pele reclama.

Embrenha-te no silêncio da noite
e ouve como ela,
ora chora, ora canta
ora implora, ora dá,
no embalo de melodias por inventar.

Sem pressas,
observa cada curva,
cada poro,
cada marca.

Sente a dança dos sentidos
e deixa-te ser pele de outra pele.

Ouve e ousa
ser dona do seu sentir,
fundir-te na sua pele,
murmurar-lhe desejos de equinócios distantes,
enlouquecer de ternura,
explodir de prazer no seu ouvido.

Deixa-me explorar o limite do sentir
devagar,
serenamente,
como quem declama um poema soletrado a meia voz.

Murmúrios da pele,
sede….
desafio,
banquete de almas unidas
pela bebedeira de sentidos inquietos.

©Graça Costa
imagem : Loui Jover


O QUASE

Incomoda-me o Quase,
a sua inconsistência,
a sua fraqueza, a forma inquieta como se esconde,
o que podia ter sido e não foi.

Incomoda-me o Quase.
Quase fui.
Quase fiz.
Quase consegui.
Quase amei.

Que quase é este que nos tolhe o sentir,
e me rouba a plenitude do Querer.

Incomoda-me o Quase
e por quase me sufocar
descarto-o do meu sentir.

Quero a plenitude do todo,
o excesso da entrega,
a loucura do desejo,
a quase morte do êxtase.

Quero, não ter medo de sentir
não ter medo de ousar
ter alma e corpo e pele
para ser e para dar.

Incomoda-me o Quase...
Quase, não é suficiente .


©Graça Costa




quarta-feira, 30 de novembro de 2016

A PALAVRA E EU

A palavra habita em mim como a pele.
Comigo respira,
comigo fala,
comigo se alimenta,
comigo ama.

A palavra habita em mim,
e com a sua nudez me visto
para que despojada de mim, me encontre.

Também, com ela cresço
com ela amo
com ela me dou
através do sentir sem reservas
ou do deleite sussurrado ao amanhecer que desponta.

A palavra habita em mim
e na sua melodia
me envolvo,
me enrosco
me perco.

Nela te encontro também
e na torrente das emoções
nelas mergulho,
contigo,
para juntos,
inventarmos um novo alfabeto.

©Graça Costa


REENCONTRO

Hoje lancei as mágoas
ao vento que passava por perto.

Fechei a porta
e mergulhei no silêncio em busca de mim
sabendo que me encontraria
nos pedaços de ti guardados no peito.

Bebi o aroma da tua pele,
lavei a alma com memorias do teu olhar,
saciei-me no teu corpo imaginado
e deixei que a serenidade dos afectos
me envolvesse a pele em chama lenta
como lentos os teus beijos,
quais arrepios de morte com sorriso nos lábios.

Hoje lancei as mágoas
ao vento que passava por perto.

Vesti-me de brisa,
e no encantamento da noite deixei-me voar
em direcção ao teu abraço.


©Graça Costa
imagem da web




terça-feira, 29 de novembro de 2016

DISCOVERY


OUTONO

Entrou no outono da vida
com os receios de uma criança,
que acaba de descobrir o fascínio de andar.
Eram tantas as mudanças que via
tantas as outras que antevia
tantos os medos,
tantos os Ses
tantas as descobertas,
que aprendeu a desejar conhecer aquele novo Eu.
Era o corpo que se arredondava
e reclamava, insurrecto, espaço e visibilidade.
Era o desejo,
que meticuloso se adensava em mistérios e exigências,
mandão,
soberano.
Era a volúpia dos sentidos,
nos gestos e na gratidão
mas também no pragmatismo de uma nova missão.
Mas era sobretudo aquela bebedeira de ternura
que lhe escorria pelos dedos,
como mel em fio sobre torradas,
ante o espanto no olhar que a fitava.
Aprendeu a gostar daquela languidez,
tranquila e sedutora como um gato ao sol,
e como isso lhe alimentava o sorriso
e a esperança.
Um dia,
deu consigo a pensar
que talvez,
apenas talvez....
o outono da vida,
pudesse afinal ser primavera.
©Graça Costa


segunda-feira, 28 de novembro de 2016

BRISA

Hoje vesti-me de vento, penas e luz.

Parti com a alma em chamas
e coração estrangulado.

Chamei a serenidade que carrego nos olhos
e construí um lago
de danças etéreas e flamingos eternos
flutuando no horizonte.

Hoje, vesti-me de vento.

Depois, acalmei
e tornei-me apenas…
brisa.


©Graça Costa
imagem da web