segunda-feira, 28 de novembro de 2016

OLHARES

 Existem olhares hipnóticos,
com uma serenidade tão fluída
que parece envolver-nos o corpo e os sentidos.

Quando os encontro
consigo sentir a leveza das searas
envoltas na brisa das marés
e consigo sentir o pulsar da vida
através da beleza desses olhares.

Nesses dias
a plenitude do Ser  esmaga-me
mas não sinto dor.


©Graça Costa


sábado, 26 de novembro de 2016

DEVANEIO

Percorre-me o corpo como se fosse mar
e toca-me a alma como se fosses brisa.
Desperta-me os sentidos e torna-me tua.
Bebe-me.
Saboreia-me.
Entranha-me na tua pele
e nessa mescla do tudo e do nada
de excessos e devaneios,
façamos da noite uma melodia de afectos
lânguida e suave como o amor que termina e recomeça,
qual maré,
sem cessar.
E quando o cansaço for maior que o desejo
saibamos morrer…
entrelaçados,
exaustos pelo prazer vivido
e pelo que há-de vir
quando o brilho do olhar
voltar a incendiar-nos a pele.

Graça Costa 
tela : Victor Bauer 1969


sexta-feira, 25 de novembro de 2016

EM BUSCA DE TI

Mergulhei na noite em busca de ti
do teu olhar meigo
da tua pele serena e doce
da tua paixão intensa com sabor a mel e a maresia.

Mergulhei na noite em busca de ti.
Nela encontrei o mar dos teus afectos
e nela me tornei onda para desaguar na tua praia.

E o mar sussurrou o teu nome,
a noite fez-se manto
e  a lua fez-se caminho para os meus passos incertos
sedentos de um amor suculento e maduro
pronto para me acolher.

Mergulhei na noite em busca de ti.

Depois senti o teu toque na minha pele,
sorri e deixei-me guiar pela maresia dos sonhos
onde a magia acontece
e a paixão ganha luz
através das tuas mãos .


©Graça Costa
imagem da web



A GUERREIRA

Tinha a alma fustigada
pelas lembranças de uma paixão sem memórias.
Naquele imaginário insólito
jamais se apercebera do imenso manto de solidão
em que envolvera a sua vida.
Dia a dia, ia trocando as máscaras
com que enfrentava os olhares se se cruzavam com os seus,
vivendo sem viver,
qual espectro de luz de vela
sujeito à emotividade da brisa.
Tinha a alma fustigada por lembranças em marca d’agua,
e sofria…
Precisava sentir a chuva nos cabelos,
o sol no rosto,
reinventar-se
e como página em branco,
recomeçar.
Um dia ousou viver e tirou a tirou a máscara.
Guardou-a no armário,
e com a displicência de guerreira em véspera de batalha
acendeu um fósforo,
virou a costas,
sorriu
e ficou a ouvir o crepitar das chamas.

©Graça Costa
imagem da web


TALVEZ


Talvez chame saudade,
à lágrima teimosa espreitando no canto do olho.

Talvez chame tristeza,
àquele olhar perdido nos confins da memoria.

Talvez chame ternura,
à suavidade do toque da pele
ou à doçura de um beijo.

Talvez chame magia,
à ternura com que embalo as palavras
só para vos fazer sorrir.

Talvez o sonho ganhe asas
e vos faça partir,
numa viagem sem rota
rumo a um qualquer amanhecer.

Talvez estas palavras ganhem vida
só porque sim…
porque tem que ser.


© Graça Costa
imagem da web


quinta-feira, 24 de novembro de 2016

PROCURO

Procuro no tempo,
o tempo em que o teu olhar
era a ampulheta dos sonhos
que sonhámos juntos.

Procuro no tempo,
o tempo em que do toque da pele
nascia a magia do entardecer
e no beijo trocado,
ternura aos pedaços
guardada na memória de dias errantes.

Procuro no tempo ,
o tempo em que na escuridão da noite
segui os teus passos
e na melodia do bater do coração te encontrei.

Procuro-te no tempo que foi
e no que há-de vir,
porque sem ti na minha pele
não existe amanhecer.



©Graça Costa


quarta-feira, 23 de novembro de 2016

HAVE YOU EVER


Have you ever thought
how love can fill your cells
with the warm light of tenderness
how it makes your heart and soul talk different languages
as if eternity had made its home inside you.

Have you ever thought
that passion without love
are ashes of unborn fire
and soul mates are divine miracles
borne without asking
with rainbows sparkling in their eyes.
 
Have you ever thought
that we were meant to be
long before we knew it
and that we have the magic chance
to show t that love is really the key
to new and shiny dreams
able to change the world.

 ©Graça Costa
imagem da web
 

 
 

VERTIGEM


Vertigem...

Alquimia de afectos.
Sentidos incandescentes,
profusão estonteante de aromas e sabores.


Depois o silêncio,
o deleite do saboreio nos teus olhos almiscarados
em busca dos meus.

E novamente o toque da pele.
E novamente a magia,
e o mistério da descoberta de ti.

Vertigem...
sede,
magia,
paixão.

Imensidão de eternidade.
Ternura serena na fusão dos corpos,
em chama lenta.

©Graça Costa
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segunda-feira, 21 de novembro de 2016

DIZ-ME

Diz-me como suportar
a ausência do que não tive, mas já senti ?

Como calar a dor trilhada na pele
qual pauta inacabada
de mais um pôr de sol sem ti ?

Diz-me que o ontem foi miragem
e o amanhã será coragem.

Diz-me que o medo não tem cor
e que a sorte não tem pressa.

Diz-me que virás
que eu espero
na curva do fim da tarde,
ou na orla do amanhecer
onde te faça sentido,

onde me queiras,
eu espero.

Diz-me …
E eu deixarei as palavras
desfazerem-se num suave arquejo,
num soluçar ligeiro
como onda beijando a areia,
e ali ficarei
até que a mudança da maré
traga os teus dedos à minha pele.

©Graça Costa
imagem da web









sábado, 19 de novembro de 2016

AQUELE BEIJO

Aquele beijo
tinha o sabor encantado das palavras não ditas,
tinha a doçura da fruta madura
e a ternura de um por de sol prateado à beira mar.

Aquele beijo
tinha o querer e o não querer,
o vazio e a plenitude,
a intensidade do nascimento
e o poder da paixão a fermentar.

Aquele beijo
tinha o aroma de chocolate quente
e a beleza de uma buganvília
lambendo uma parede alva
como neve em pleno verão.

Aquele beijo
foi principio e fim
de qualquer coisa por inventar
que espera na beira da noite
luz para caminhar.

©Graça Costa
imagem retirada da web