quinta-feira, 24 de novembro de 2016

PROCURO

Procuro no tempo,
o tempo em que o teu olhar
era a ampulheta dos sonhos
que sonhámos juntos.

Procuro no tempo,
o tempo em que do toque da pele
nascia a magia do entardecer
e no beijo trocado,
ternura aos pedaços
guardada na memória de dias errantes.

Procuro no tempo ,
o tempo em que na escuridão da noite
segui os teus passos
e na melodia do bater do coração te encontrei.

Procuro-te no tempo que foi
e no que há-de vir,
porque sem ti na minha pele
não existe amanhecer.



©Graça Costa


quarta-feira, 23 de novembro de 2016

HAVE YOU EVER


Have you ever thought
how love can fill your cells
with the warm light of tenderness
how it makes your heart and soul talk different languages
as if eternity had made its home inside you.

Have you ever thought
that passion without love
are ashes of unborn fire
and soul mates are divine miracles
borne without asking
with rainbows sparkling in their eyes.
 
Have you ever thought
that we were meant to be
long before we knew it
and that we have the magic chance
to show t that love is really the key
to new and shiny dreams
able to change the world.

 ©Graça Costa
imagem da web
 

 
 

VERTIGEM


Vertigem...

Alquimia de afectos.
Sentidos incandescentes,
profusão estonteante de aromas e sabores.


Depois o silêncio,
o deleite do saboreio nos teus olhos almiscarados
em busca dos meus.

E novamente o toque da pele.
E novamente a magia,
e o mistério da descoberta de ti.

Vertigem...
sede,
magia,
paixão.

Imensidão de eternidade.
Ternura serena na fusão dos corpos,
em chama lenta.

©Graça Costa
imagem da web





segunda-feira, 21 de novembro de 2016

DIZ-ME

Diz-me como suportar
a ausência do que não tive, mas já senti ?

Como calar a dor trilhada na pele
qual pauta inacabada
de mais um pôr de sol sem ti ?

Diz-me que o ontem foi miragem
e o amanhã será coragem.

Diz-me que o medo não tem cor
e que a sorte não tem pressa.

Diz-me que virás
que eu espero
na curva do fim da tarde,
ou na orla do amanhecer
onde te faça sentido,

onde me queiras,
eu espero.

Diz-me …
E eu deixarei as palavras
desfazerem-se num suave arquejo,
num soluçar ligeiro
como onda beijando a areia,
e ali ficarei
até que a mudança da maré
traga os teus dedos à minha pele.

©Graça Costa
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sábado, 19 de novembro de 2016

AQUELE BEIJO

Aquele beijo
tinha o sabor encantado das palavras não ditas,
tinha a doçura da fruta madura
e a ternura de um por de sol prateado à beira mar.

Aquele beijo
tinha o querer e o não querer,
o vazio e a plenitude,
a intensidade do nascimento
e o poder da paixão a fermentar.

Aquele beijo
tinha o aroma de chocolate quente
e a beleza de uma buganvília
lambendo uma parede alva
como neve em pleno verão.

Aquele beijo
foi principio e fim
de qualquer coisa por inventar
que espera na beira da noite
luz para caminhar.

©Graça Costa
imagem retirada da web


POESIA

Sinto a poesia a nascer-me na pele,
a iluminar-me o olhar ,
a queimar-me o sentir.

Sinto o poema
desflorando a madrugada rumo aos meus dedos,
com a alma
o suor
e a paixão
de um alfabeto por inventar.

Emoções e afectos,
palavras,
ora quentes e serenas
ora lamentos, gemidos,
quase prece,
quase dor
envolvem-me os dedos e o olhar.

Sinto a poesia a crescer-me na pele.

Toco-a ao de leve
e torno-a minha.

Salpico-a com perfume de amante inquieta
e com a alma aberta,
parto ao encontro dos dias,
por ora apenas sonhados
mas já tão sentidos...

©Graça Costa
Imagem da web


sexta-feira, 18 de novembro de 2016

MEU CORPO

Meu corpo,
página em branco para tuas mãos,
beijo para lábios inqueitos,
ora meigos,
ora urgentes.

Meu corpo,
tela de textura leve,
ora algodão,
ora linho,
ora cetim,
desafio que te ofereço por inteiro
para que nele te percas e te encontres.

Meu corpo,
teu…
para que desfrutes,
saboreies,
te alimentes,
me alimentes,
me sacies a fome de te querer
e me coles na pele,
a urgência de te ter.


©Graça Costa
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AQUI


Aqui estou
no desejo do que sou,
no que ficou depois de ti,
no lamento da esperança que morreu
antes de ser mar.

Aqui estou
com a sede à flor da pele
e a fome escondida na razão que já não é;
na história por escrever mas já sonhada,
por viver mas já sentida,
aguarelada na aurora 
que lenta vai desflorando a madrugada.

Aqui estou
nesta travessia de mim,
em busca do nós que já fomos
e do amanhã que inventamos
em cada toque,
em cada beijo
em cada entrega.

Aqui estou
esperando a eterna magia do toque,
da tua
na minha pele.


©Graça Costa 


quinta-feira, 17 de novembro de 2016

DEPOIS


Trazia o outono nos cabelos
e um prado de erva fresca no olhar.

Caminhava como se trouxesse o luar nos pés,
iluminando o caminho
e semeando sorrisos.

O corpo nu,
convidava ao deleite de noites de verão
embaladas por brisa suave
e choro de guitarras.

Entreguei-me ao entardecer,
como se pudesse parar o tempo
e quase em súplica, sussurrei o teu nome ao vento.

Foi então que chegaste
e me cobriste o corpo de beijos
com a fome dos dias longos
e das noites por inventar.

Dei-me de novo
como da primeira vez,
sem medos nem lamentos,
toda alma,
todo corpo,
toda luz.

Depois veio a magia dos nossos corpos em chama,
o milagre da fusão
a exaustão.

Enrolei-me no teu corpo de mel
e deixei o sono levar-me
até ao mundo doce dos sonhos e das memórias.

Sereno o sono depois do amor...


©Graça Costa
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terça-feira, 15 de novembro de 2016

NÃO ESPERES

Não esperes pela madrugada para me amares.
Não esperes pelo amanhecer para me contemplares.
Não esperes pelo entardecer para me sorrires.

Não esperes, porque podem não chegar.
Não esperes porque não és dono do tempo
e o destino pode ter planos diferentes dos teus.

Não esperes...

Ama-me o mais que puderes
sempre que puderes,
onde puderes.

Sorri-me. como se não houvesse amanhã
e o sol morasse na minha pele.

Beija-me a pele com a ternura do amanhecer.

Toca-me com a magia das tempestades em alto mar,
fascinantes, furiosas, inconstantes, majestosas.

Mas nunca te esqueças.
Não esperes...
que o amanhã é incerto
e agora tens-me por perto
toda afecto
toda luz
toda tua.

Não esperes...

©Graça Costa