sábado, 12 de novembro de 2016

THE PEARL DRESS

The expectation of the waiting
made her tears turn pearls.

With them,
she made a dress
and while she waited
she invaded the room with a melody of sadness.

The expectation of the waiting
made her turn a pearly little ghost dancing across the room.

Suddenly she began to hear his steps on the horizon
and a wide open smile enlightened her face.

Across the mist she went,
leaving a pearl in every step of the way,
just to guide you
just to lead the way.

Breathtaking your arrival.

A single pearl was there
melting on her lips,
waiting for the touch of your kiss
and her body, naked as a tree in the winter
begged for your touch.

© Graça Costa
imagem . Pinterest








OS DIAS DOS DIAS

Nos dias em que acordo água,
o rio que corre neste meu corpo feito leito
desce no meu peito em jeito de desmaio
e torna-se, não é mais que um gemido,
implorando pelas tuas mãos.

Nos dias em que acordo fogo,
a chama que me invade os sentidos
reclama os dedos da paixão,
a loucura da eternidade nos teus braços,
sem principio nem fim
apenas momento.

Nos dias em acordo névoa,
fico perdida sem saber como aconteceu.
Magia neste tocar sem ser vista, mas intuída,
roubando carinhos
depositando-te beijos lentos,
baixinho como lamentos.

Nesses dias, olho-me no espelho e sorrio
porque mesmo na penumbra da tarde,
ainda que névoa,
o teu corpo reconhece-me,
a magia acontece,
e saciamos a fome
ao ritmo do anoitecer que amanhece.


© Graça Costa
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quinta-feira, 10 de novembro de 2016

FUSÃO

Transporta-me nos teus sonhos
como se eu fosse brisa.
Saboreia-me como se fosse mel.
Liberta-te dos medos
e deixa que o espanto de um novo sentir
te invada o corpo,
o olhar,
o querer.

Transporta-me nos teus sonhos
como se eu fosse mar
e tu maresia;
como se eu fosse noite
e tu luar;
como se o meu corpo fosse página em branco
e tu , tinta fresca para me escrever.

Transporta-me nos teus sonhos
e atreve-te a deixar o sonho acontecer.

Que a magia nasça
dos teus lábios na minha pele,
e da fusão dos corpos
a fogueira lenta do amanhecer.

©Graça Costa
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segunda-feira, 7 de novembro de 2016

OUTRAS PALAVRAS

Trago caladas no peito
palavras que não conheço.
Afetos sem nome
como amoras maduras
prontas a colher.

Nesta imensidão de mim,
escondidas nos recônditos da alma,
tenho guardadas,
quais tesouros,
estas palavras ainda por inventar.

Corro para aquele mar que só eu vejo.

Hipnótico e sedutor
conduz-me a ti
e eu vou…

Neste bailado de ondas e marés
seguras o meu corpo,
e nele nascem  
claras e cristalinas
estas palavras em forma de sorriso.

Soltam-se da garganta numa língua que desconheço,
com a transparência de diamantes ao luar
e a delicadeza de abraços infantis.

Dancemos então…
embebidos no néctar deste tango
agora inventado,
e deixemos que o amor aconteça,
hoje,
amanhã
outro dia,
aqui…
ou em qualquer anel,
de um qualquer Saturno distante.


© Graça Costa


A QUEIMAR POR DENTRO

Hoje acordei a queimar por dentro,
a alma num sobressalto
e a vida suspensa
num não sei quê de esperança.

Hoje acordei com a pele em chamas
fogo no olhar
e uma generosidade no abraço
com que recebi o amanhecer.

Hoje o dia nasceu sereno
e eu renasci com ele,
mais terna,
com a suavidade de uma onda lambendo a areia
ou uma borboleta namorando a flor do verão.

Hoje,
foi um ontem com fé no amanhã,
com fé em mim.

E foi assim,
que o acordar a queimar por dentro,
se tornou sinal
de que aquele dia.
era dia de tentar ser Feliz.


©Graça Costa

sábado, 5 de novembro de 2016

ACOLHE-ME

Acolhe-me no teu corpo
como se fosses berço para o meu descanso.

Embriaga-me de carícias e palavras soltas
doces, mesmo que sem sentido.

Coloca no tom da tua voz 
a musica das almas cansadas,
e acolhe-me no teu corpo
como se fosses mar 
e eu maré,
como se fosses onda
morrendo na praia 
e eu a praia para te receber.

Acolhe-me,
que eu a ti me dou
sem medos nem reservas,
corpo aberto ao encontro de almas
que só o amor ternura percebe.

©Graça Costa
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sexta-feira, 4 de novembro de 2016

GOSTO

Gosto deste amor...
puro,
simples,
belo,
cristalino como gota de orvalho
penetrada por um raio de sol ao amanhecer.
Gosto deste ter-te e não te ter,
do desejo,
de te sentir antes de te ver,
do teu toque suave e intenso como noite de luar.
Gosto das noites que me consomem
e me espantam,
da luz que me eclode no peito
e me invade o corpo febril.
Gosto deste amor cristalino,
simples,
belo,
curioso...
aventura dos sentidos,
quadro aberto ao desconhecido,
que vou escrevendo...
sem pressas.

©Graça Costa
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terça-feira, 1 de novembro de 2016

DEIXA

Deixa
que a noite invada o horizonte das memórias
e os dias sejam de eternos recomeços
ainda que errantes e incertos.

Deixa
que os teus passos
sigam as minhas pegadas
e que a paixão seja a melodia
dos caminhos por inventar.

Deixa
que o meu corpo seja tela virgem
para o arrojo dos sentidos
e que consigas ler nos meus olhos
as castas que te escrevo sem palavras.

Deixa-me correr ao teu encontro
com a certeza que de sabes,
exactamente como tocar-me o corpo
e a alma sentir-se beijada;

com a certeza de que basta um olhar
para te sentir dentro de mim,
meu pintor  de corpos e telas,
de paixões incertas
e momentos eternos,
gravados em segundos.




©Graça Costa
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EM CONTRUÇÃO


No outono da vida reencontro-me comigo.
Redescubro paisagens esquecidas,
memorias arrumadas em papel de cetim
ou embrulhadas em caixas de cartão.

Nas cores do Outono invento a Primavera que virá.

Observo o namoro dos dias sombrios
com outros, vibrantes de sol e cor.
Com eles construo a paleta de sorrisos,
adubo do tempo que dentro de mim vai nascendo.

Assim, vou construindo a tela da vida...
com rugas e sorrisos,
alma e sentidos.

Assim, renasço na sombra dos dias,
com a beleza imperfeita
de um Ser em construção.


©Graça Costa


sábado, 29 de outubro de 2016

MAR

Espartanas, as gotas de orvalho acariciavam-lhe o rosto,
antecipando um solarengo dia de outono.

Mas a sua alma estava negra
como negro parecia o futuro,
e a mão que lhe oprimia as palavras.

Palavras dolorosas e quentes,
enfurecidas nos horizontes da memoria
e na fonte dos sonhos.

Sentiu-se insegura,
quase patética,
numa fragilidade infantil
em que não se reconhecia.

Como pérolas
recolheu as gotas de orvalho,
uma a uma,
quase a medo
e ante aquela pureza vestal
ousou criar a alquimia da vida.

Juntou o sal dos olhos
ao sussurro da alma aflita,
e mesclou com um grito de esperança…
ténue esperança,
mas ainda assim…
esperança.

Juntou ao olhar e aos sentidos
a paleta de cores do universo,
e junto ao lago, agora feito mar,
largou, o negro
como quem larga uma capa usada e gasta pelo tempo e pela dor.

Depois,
envergando apenas a subtil beleza da nudez acabada de parir
encontrou a razão…
a razão de ser,
a razão de estar ali,
a razão de ser quem era.

E porque a razão tinha razão…
deu a si mesma a oportunidade
de renascer.

Mergulhou naquele mar
salgado como a vida,
doce como um beijo,
revolto como a paixão,
misterioso como o milagre
do ritmo sereno das marés
e navegou,
usando a rota do sonho
plantada no interior de si.


©Graça Costa
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