Transporta-me nos teus sonhos
como se eu fosse brisa.
Saboreia-me como se fosse mel.
Liberta-te dos medos
e deixa que o espanto de um novo sentir
te invada o corpo,
o olhar,
o querer.
Transporta-me nos teus sonhos
como se eu fosse mar
e tu maresia;
como se eu fosse noite
e tu luar;
como se o meu corpo fosse página em branco
e tu , tinta fresca para me escrever.
Transporta-me nos teus sonhos
e atreve-te a deixar o sonho acontecer.
Que a magia nasça
dos teus lábios na minha pele,
e da fusão dos corpos
a fogueira lenta do amanhecer.
©Graça Costa
imagem da web
quinta-feira, 10 de novembro de 2016
segunda-feira, 7 de novembro de 2016
OUTRAS PALAVRAS
Trago caladas no peito
palavras que não conheço.
Afetos sem nome
como amoras maduras
prontas a colher.
Nesta imensidão de mim,
escondidas nos recônditos da alma,
tenho guardadas,
quais tesouros,
estas palavras ainda por inventar.
Corro para aquele mar que só eu vejo.
Hipnótico e sedutor
conduz-me a ti
e eu vou…
Neste bailado de ondas e marés
seguras o meu corpo,
e nele nascem
claras e cristalinas
estas palavras em forma de sorriso.
Soltam-se da garganta numa língua que desconheço,
com a transparência de diamantes ao luar
e a delicadeza de abraços infantis.
Dancemos então…
embebidos no néctar deste tango
agora inventado,
e deixemos que o amor aconteça,
hoje,
amanhã
outro dia,
aqui…
ou em qualquer anel,
de um qualquer Saturno distante.
© Graça Costa
A QUEIMAR POR DENTRO
Hoje acordei a queimar por dentro,
a alma num sobressalto
e a vida suspensa
num não sei quê de esperança.
Hoje acordei com a pele em chamas
fogo no olhar
e uma generosidade no abraço
com que recebi o amanhecer.
Hoje o dia nasceu sereno
e eu renasci com ele,
mais terna,
com a suavidade de uma onda lambendo a areia
ou uma borboleta namorando a flor do verão.
Hoje,
foi um ontem com fé no amanhã,
com fé em mim.
E foi assim,
que o acordar a queimar por dentro,
se tornou sinal
de que aquele dia.
era dia de tentar ser Feliz.
sábado, 5 de novembro de 2016
ACOLHE-ME
Acolhe-me no teu corpo
como se fosses berço para o meu descanso.
Embriaga-me de carícias e palavras soltas
doces, mesmo que sem sentido.
Coloca no tom da tua voz
a musica das almas cansadas,
e acolhe-me no teu corpo
como se fosses mar
e eu maré,
como se fosses onda
morrendo na praia
e eu a praia para te receber.
Acolhe-me,
que eu a ti me dou
sem medos nem reservas,
corpo aberto ao encontro de almas
que só o amor ternura percebe.
sexta-feira, 4 de novembro de 2016
GOSTO
Gosto deste amor...
puro,
simples,
belo,
cristalino como gota de orvalho
penetrada por um raio de sol ao amanhecer.
simples,
belo,
cristalino como gota de orvalho
penetrada por um raio de sol ao amanhecer.
Gosto deste ter-te e não te ter,
do desejo,
de te sentir antes de te ver,
do teu toque suave e intenso como noite de luar.
do desejo,
de te sentir antes de te ver,
do teu toque suave e intenso como noite de luar.
Gosto das noites que me consomem
e me espantam,
da luz que me eclode no peito
e me invade o corpo febril.
e me espantam,
da luz que me eclode no peito
e me invade o corpo febril.
Gosto deste amor cristalino,
simples,
belo,
curioso...
aventura dos sentidos,
quadro aberto ao desconhecido,
que vou escrevendo...
sem pressas.
simples,
belo,
curioso...
aventura dos sentidos,
quadro aberto ao desconhecido,
que vou escrevendo...
sem pressas.
©Graça Costa
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terça-feira, 1 de novembro de 2016
DEIXA
Deixa
que a noite invada o horizonte das memórias
e os dias sejam de eternos recomeços
ainda que errantes e incertos.
Deixa
que os teus passos
sigam as minhas pegadas
e que a paixão seja a melodia
dos caminhos por inventar.
Deixa
que o meu corpo seja tela virgem
para o arrojo dos sentidos
e que consigas ler nos meus olhos
as castas que te escrevo sem palavras.
Deixa-me correr ao teu encontro
com a certeza que de sabes,
exactamente como tocar-me o corpo
e a alma sentir-se beijada;
com a certeza de que basta um olhar
para te sentir dentro de mim,
meu pintor de corpos e telas,
de paixões incertas
e momentos eternos,
gravados em segundos.
EM CONTRUÇÃO
No outono da vida reencontro-me comigo.
Redescubro paisagens esquecidas,
memorias arrumadas em papel de cetim
ou embrulhadas em caixas de cartão.
Nas cores do Outono invento a Primavera que virá.
Observo o namoro dos dias sombrios
com outros, vibrantes de sol e cor.
Com eles construo a paleta de sorrisos,
adubo do tempo que dentro de mim vai nascendo.
Assim, vou construindo a tela da vida...
com rugas e sorrisos,
alma e sentidos.
Assim, renasço na sombra dos dias,
com a beleza imperfeita
de um Ser em construção.
©Graça Costa
sábado, 29 de outubro de 2016
MAR
Espartanas, as gotas de orvalho acariciavam-lhe o rosto,
antecipando um solarengo dia de outono.
Mas a sua alma estava negra
como negro parecia o futuro,
e a mão que lhe oprimia as palavras.
Palavras dolorosas e quentes,
enfurecidas nos horizontes da memoria
e na fonte dos sonhos.
Sentiu-se insegura,
quase patética,
numa fragilidade infantil
em que não se reconhecia.
Como pérolas
recolheu as gotas de orvalho,
uma a uma,
quase a medo
e ante aquela pureza vestal
ousou criar a alquimia da vida.
Juntou o sal dos olhos
ao sussurro da alma aflita,
e mesclou com um grito de esperança…
ténue esperança,
mas ainda assim…
esperança.
Juntou ao olhar e aos sentidos
a paleta de cores do universo,
e junto ao lago, agora feito mar,
largou, o negro
como quem larga uma capa usada e gasta pelo tempo e pela
dor.
Depois,
envergando apenas a subtil beleza da nudez acabada de parir
encontrou a razão…
a razão de ser,
a razão de estar ali,
a razão de ser quem era.
E porque a razão tinha razão…
deu a si mesma a oportunidade
de renascer.
Mergulhou naquele mar
salgado como a vida,
doce como um beijo,
revolto como a paixão,
misterioso como o milagre
do ritmo sereno das marés
e navegou,
usando a rota do sonho
plantada no interior de si.
©Graça Costa
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sexta-feira, 28 de outubro de 2016
DIAS
Tem dias em que escrevo as dores que não consigo chorar.
Noutros,
os sorrisos tecidos a pincel,
adocicados por lágrimas mescladas de amor e mel.
Escrevo porque a alma grita,
porque o coração fala
o olhar reclama
as mãos pedem
os beijos ardem
e as palavras guardam.
Nesses dias a caneta rola-me nos dedos
como crianças em dança de roda
e tenho que as libertar,
senão sufoco.
©Graça Costa
terça-feira, 25 de outubro de 2016
PROMISSE ME
Promise me
you'll
paint the horizon
with
september colours
and autumn
scents.
Dress me
with red
golden leaves
and make
dance in your arms
as if I was
a newborn bird who lost its mother.
Promise me
you'll be
my shelter
and my
home,
my lover,
and my friend.
Stay inside
me,
forever and
always,
because
without you,
days are
grey
and nights
are pale.
Stay...
Because
melodies of surrender
are made at
nightfall,
and those
miracles only happen
when
soulmates like us
are around.
©Graça Costa
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