segunda-feira, 19 de setembro de 2016

ABRAÇA-ME APENAS

A brisa beija-me o corpo
com a suavidade de solista
em orquestra de anjos.

Da melodia,
soltam-se os sons dos sonhos
num amanhecer dourado 
e quando o sol desponta bebendo o orvalho,
sinto na pele o arrepio de acordar envolta no teu abraço.

Lá fora,
o sol de inverno,
frio e cortante,
contrasta com o calor
de um verão inventado
à medida deste sonho
criado a quatro mãos.

Por momentos,
retenho e perfeição da eternidade
e quero ficar,
só ficar.

Não…
não digas nada…
Abraça-me apenas…          

©Graça Costa
foto da Web


sábado, 17 de setembro de 2016

I DREAMT


I dreamt
my body was a lake
and your hands
sailing boats
dancing in the sunset of my skin.

I dreamt my body
was open sky,
and your mouth
a flock of seagulls
caressing its profile.

I dreamt my body
was a wide open road
and your arms
bunches of flowers
spreading perfume along the way.

I dreamt...
and I dreamt again.

When finally
awake,
you are right beside me.

We slightly smile...
and the dreams
come alive.


©Graça Costa



SE ESTES DEDOS TIVESSEM VOZ


Se estes dedos tivessem voz
seria de vento e de mar,
seria de brisa e de trautear o teu corpo,
com gemidos de mel
 e ternura de flores sem tempo nem estação.

Se estes dedos tivessem voz
suplicariam por violinos, harpas,
e lençóis de cetim orvalhados pelo teu perfume.
Suplicariam por pinceis e aguarelas para te pintar o perfil
e nele gravar o sentir do amanhecer nos teus braços.

Se estes dedos tivessem voz
gritariam pela tua presença dentro de mim,
pelo teu olhar preso no meu,
navegante eterno de paraísos inventados
e rotas por descobrir.

Se estes dedos tivessem voz
o amanhã estaria escrito.

O entardecer teria a melodia de uma sinfonia tocada a quatro mãos
e a noite traria consigo a magia dos rios
plena de afectos e desafios,
aberta para nos receber.

Caminhemos então…
e ouçamos,
que os dedos falam a língua dos amantes .


© Graça Costa
imagem da web




sexta-feira, 16 de setembro de 2016

SOL DE OUTONO

Como gosto do sol de outono.

Como chocolate aveludado,
aquece sem queimar,
adoça os dias com a calma serena de uma nuvem de algodão.

Fecho os olhos e deixo-me levar
numa viagem sem destino,
nas asas de um sonho inventado,
pequenino,
só meu.

Sinto-me planar
para lá do horizonte,
para lá de tudo,
para lá de mim
e o sorriso que me invade,
suporta a certeza
de que nas asas dos sonhos,
o limite.
ah, o limite
nem sei se existe.


©Graça Costa



quarta-feira, 14 de setembro de 2016

DEVANEIO

Percorre-me o corpo como se fosse mar
e toca-me a alma como se fosses brisa.

Desperta-me os sentidos e torna-me tua.
Bebe-me.
Saboreia-me.

Entranha-me na tua pele
e nessa mescla do tudo e do nada
de excessos e devaneios,
façamos da noite uma melodia de afectos
languida e suave como o amor que termina e recomeça,
como maré
sem cessar.

E quando o cansaço for maior que o desejo
saibamos morrer…
entrelaçados,
exaustos pelo prazer vivido e pelo que há-de vir
quando o brilho do olhar
voltar a incendiar-nos a pele.


©Graça Costa
imagem da web


EM BUSCA DE TI

Vestida de brisa e neblina
parti em busca de ti.

Nos olhos levava as memórias
e nos braços os sonhos
tecidos em noites eternas
despojada de mim.

Mas, de repente, do nada
desaba o silêncio.
Brisa e neblina
recolhem-se de espanto
e ali fico
no esplendor da nudez
na súplica de ti,
no receio,
na fuga,
na entrega,
no sei lá...

Vem
que a noite engole-me o ser
e eu apenas preciso da tua pele
para me vestir de ti
e depois...
depois adormecer.

©Graça Costa








sexta-feira, 9 de setembro de 2016

A ESPERA

Presa à saudade esperei a noite
em que o teu peito seria cama para o meu descanso.
Vesti-me de festa, com fios de ausência
e no esplendor da nudez
entreguei o corpo à brisa
que te traria até mim.
A brisa veio,
carregada de silêncios e presságios febris,
ao mesmo tempo que o sol morria
pintando o céu de vermelho sangue,
receios e sussurros magoados.
Quis sorrir, mas o sorriso morreu-me na garganta.
Só os olhos falavam
dizendo tudo o que eu não queira ouvir.
Fechei-os os olhos em prece
e do fundo do Ser, gritei à noite
que te trouxesse até mim.
Em sonhos, escrevi na pele
um daqueles diálogos só nossos
em que a magia dos corpos se torna sinfonia.
Esperei…
E só eu sei se vieste.

© Graça Costa


EXPECTATIONS


Hold on my love...
dream on my skin touching your lips
imagine your skin burning in mine
feel our bodies melting in one another.

Hold on my love...
Rush is an enemy of feeling
and dreams are the rainbows of surrender.

My heart feels your arrival
My skin hungers for your touch
but I've learned to hold on.

Expectations lost in the wind
caress my body,
and I'm sure its you
thinking about me
dreaming about us.


©Graça Costa


                                                                 Elena Shastina 

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

APENAS

A brisa beija-me o corpo
com a suavidade de solista
em orquestra de anjos.

Da melodia,
soltam-se os sons dos sonhos
em manhãs douradas.
E quando o sol desposta bebendo o orvalho,
sinto na vibração da pele,
o arrepio de acordar
envolta no teu abraço.

Lá fora,
o sol de inverno,
frio e cortante,
contrasta com o calor
de um inverno inventado
à medida deste sonho
criado a quatro mãos.

Por momentos,
retenho e perfeição da eternidade
e quero ficar,
só ficar…

Não,
não digas nada.
Abraça-me apenas…




©Graça Costa
imagem da Web


NOS INTERVALOS DO AMOR

Trazia no rosto a primavera
do amor acabado de fazer,
o sorriso, quente e luzidio
como lábios de amantes após o beijo
e no corpo o cansaço de uma noite sem sono.

Trazia nos braços o
amor pintado a pincel
com as cores brilhantes do arco-íris,
e a recordação daquele abraço
do qual não queria regressar
tal a intensidade do sentir.

Trazia no corpo a esperança do renascimento,
a subtileza do toque
a magia do beijo,
a loucura da entrega.

Trazia tudo isso
e o mais que não dizia.

Mistérios que a paixão descobre
e a vida esconde,
para saborear a espaços,
nos intervalos do amor.

©Graça Costa
imagem da WEB